21/06/2020 às 07h08min - Atualizada em 21/06/2020 às 07h08min

Coluna - Vivian Soares

Destacamento Blood

Por Vivian Soares
Vivian Soares. Foto:Arquivo Pessoal.
O premiado diretor Spike Lee (Infiltrado na Klan) retorna em um novo longa primoroso, que se baseia em questões raciais, guerra e na famosa ‘‘febre do ouro’’ para construir um filme extremamente original e incisivo. 

A narrativa acompanha quatro veteranos americanos da Guerra do Vietnã (1955-1975), que retornam ao país asiático nos dias atuais para recuperar um tesouro e os restos mortais do comandante e melhor amigo, Norman Holloway (Chadwick Boseman). Porém, ao entrar na feroz selva vietnamita para tentar cumprir esse objetivo, eles terão que lidar com uma série de entraves, desde os fantasmas do terror da guerra, até dilemas morais consigo mesmos.

O diretor, em sua didática, crítica e mordacidade, vai tecendo uma história multilateral e tão política quanto humana. Seja com fotos reais da guerra e com referências ao movimento #Vidasnegrasimportam, o filme se eleva a um patamar muito maior por não se agarrar a um ou dois temas específicos e, assim como fez com ‘’Infiltrado na Klan’’, relacionar a narrativa com o momento atual. A série de reviravoltas, o plot twist impactante e abrupto e sua abrangência narrativa, aliada a um roteiro preciso, só transmite uma sensação ainda maior de realismo, chegando até a impressionar pela história se assemelhar tanto a um fato.

Um filme que é a cara das premiações, cheio de genialidade, vigor, técnica e verossimilhança. Com discussões tão válidas e necessárias no momento atual, ‘’Destacamento Blood’’ é tipo de filme que você se arrepende de não ter visto logo na estréia.


Nada a Esconder
 
Um grupo de velhos amigos se reúne para jantar e resolve fazer um jogo: O celular de cada um vai ficar em cima da mesa, e a cada vez que uma notificação chegar, ela terá que ser lida em voz alta para todos os presentes. 

Essa poderia ser a premissa de um filme de terror contemporâneo, mas é bem aproveitada na comédia dramática francesa ‘’Nada a Esconder’’, que imerge o espectador em um medo comum a qualquer usuário: A exposição pessoal. O jantar conta com 3 casais e 1 ‘’solteiro’’, inicialmente, todos concordam em participar do jogo para fazer uma capa aos demais de que ninguém tem a nada a esconder, a questão é que cada um tem segredos, e o celular é justamente o espaço onde constam todas as informações de uma pessoa. Assim, à medida que as notificações chegam e descobertas vão sendo feitas, o clima vai ficando mais pesado, até chegar a um ponto explosivo.

Além da ideia inicial completamente chamativa, a narrativa é cheia de guinadas impensáveis que só engrandecem ainda mais o conjunto. No entanto, o drama não é o foco principal da história, a comédia e os alívios cômicos se desenvolvem igualmente bem, graças ao elenco brilhante, que conseguiu desenvolver cada personagem com louvor.

É um filme alucinante, trágico, engraçado e surpreendente, capaz de fazer rir e refletir muito.




 
Vivian Soares
Estudante e crítica de cinema 
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