28/06/2020 às 07h14min - Atualizada em 28/06/2020 às 07h14min

Coluna - Marcelo Creão

BIOPARQUE, a bioeconomia aberta: Do zero à 4.000.

Por Marcelo Creão
Marcelo Creão. Foto: Arquivo Pessoal.

Em Macapá após sua abertura, depois um longo período de reforma, o Bioparque, chegou a ter um público em um único dia de até 4.000 visitantes. De outubro/2019 a fevereiro/2020, o Bioparque recebeu cerca de 112 mil visitantes, entre estudantes, moradores do Amapá e turistas do Brasil, assim como de outros países.

O mundo está passando por uma reforma, e estão surgindo novos formas de ver como se viver no planeta Terra. A bioeconomia é um conceito difundido atualmente em vários países e geralmente se refere às atividades econômicas que envolvem o uso dos recursos naturais de forma sustentável e inovadora que possibilite promover o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da população, com geração de renda. Conciliado à bioeconomia, na economia verde os serviços dos ecossistemas são considerados nos processos de tomada de decisões, as externalidades ambientais são internalizadas e questões como mudança do clima, escassez dos recursos naturais, eficiência energética e justiça social são elementos centrais e orientadores do comportamento dos agentes.
Macapá, possui um dos maiores centros de biodiversidade do país, o Bioparque da Amazônia, com uma área de 107 hectares de área que integra três ecossistemas com variedades de animais e vegetais.

Esta ilha de biodiversidade está localizada no distrito de Fazendinha, distante 15 minutos do Aeroporto Internacional de Macapá e do Porto de Santana. Inserido em uma área de intersecção entre os dois maiores recortes florestais da área urbana da capital, tem o vale do Igarapé da Fortaleza, com seus tributários e as florestas de várzea que acompanham as bordas do rio Amazonas, desde o bairro do Araxá até a APA da Fazendinha.

Situado numa área densamente povoada, o Bioparque, inaugurado em outubro de 2019, depois de permanecer fechado ao público por 20 anos, volta a cumprir um importante papel social e ambiental, sendo um santuário de diversas espécies da fauna silvestre, que encontram condições de alimentação, reprodução e refúgio em uma área dividida entre manchas de cerrado, campos inundáveis e, sobretudo, o último resquício de floresta amazônica de terra firme da capital. 

Hoje Bioparque, este símbolo de Macapá, iniciou como Parque Zoobotânico Municipal e teve suas origens na década de 70 quando o emérito amapaense chamado de Raimundo dos Santos Souza, o “Sacaca” construiu um espaço para resgatar os animais silvestres acidentados durante a construção da estrada que liga a capital do estado ao porto de Santana. Homenageado pela Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture, Sacaca foi exemplo de integração do desenvolvimento com respeito ao meio ambiente. De suas matas saiu o acervo do mais completo herbário do mundo sobre a Amazônia, no Jardim Botânico do Rio de janeiro e também as mudas e sementes que reflorestaram o que hoje são as dependências do Instituto Emílio Goeldi de Belém. O espaço funcionava como campus de extensão e pesquisa ligado à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que em seguida se tornou Parque Florestal, Jardim Zoológico e Parque Zoobotânico Municipal. 

O Bioparque é uma área de preservação ambiental, possui 06 trilhas ecológicas, em área terrestre e trilha aquática, na área de ressaca, onde os visitantes podem contemplar e integrar-se à biodiversidade. Existe também o Jardim Sensorial, onde os visitantes com deficiência visual podem sentir as diferentes texturas e cheiros das plantas, com variedades de espécies medicinais. Há o Memorial das Orquídeas, com 242 espécies de orquídeas e 74 de bromélias. Podemos ver 60 animais, como a onça pintada, jacaré, peixe-boi, macacos, urubu-rei, entre outros, sendo alguns provenientes de resgates, com tratamento adequado, para serem reintegrados em seu habitat natural. Outros fazem parte do plantel desde a sua criação, quando ainda era chamado de Parque Zoobotânico Municipal.

O time que mantem esse presente para as gerações futuras, é composto por 70 pessoas, atuando nas áreas de gestão, áreas técnicas e serviços inerentes as necessidades de manutenção, execução de programas e projetos, dentre essas qualificações (Biólogos, Veterinários, Administradores, Engenheiros, Tratadores de Animais, Jardineiros, Guardas Parques, dentre outros).

E falando em biodiversidade, existe o Grande Ecótono, encontro de três ecossistemas formados por florestas de terra firme, cerrado e campos inundados. Além de ter como uma das principais atrações o Meliponário, que abriga abelhas sem ferrão, que são as principais polinizadoras da floresta amazônica, onde a produção dos frutos depende desses insetos.

Eu conheci em visitação o parque na década de 80, trabalhando fui quando estava fechado e agora já fui agora na reabertura. A transição da economia tradicional para uma bioeconomia ou economia verde não é uma opção, mas uma tendência da econômica mundial. marcelo_creao@yahoo.com.br


Marcelo Creão
Ex-secretário de Estado na SEMA-AP, mestre em Biologia Tropical e Recursos Naturais, professor de Gestão Ambiental na FAMA.

 
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