28/06/2020 às 07h21min - Atualizada em 28/06/2020 às 07h21min

Coluna - Vivian Soares

Por Vivian Soares
Vivian Soares. Foto:Arquivo Pessoal.
Ninguém Sabe Que Estou Aqui
 
 
Imersivo. Introspectivo. Intempestivo. Esse aclamado drama chileno mergulha o espectador em um mundo de isolamento, abandono, imaginação e pesar. Com uma série de nuances intricadas no protagonista, a narrativa conduz à reflexão do próprio a respeito de seu tão ponderado ‘’E se...?’’. 

O filme começa retratando a rotina monótona e misantropa do ex-cantor mirim, Memo (Jorge Garcia), que vive recluso com o tio em uma ilha isolada ao Sul do Chile. Sua rotina, no entanto, é interrompida após o tio sofrer um acidente, o que permite a aproximação de uma mulher. Marta (Millaray Lobos) é alegre e vivaz; ao ficar curiosa a respeito do rapaz e de sua insociabilidade, ela começa a tentar criar uma relação com ele. O vínculo entre os dois provoca uma reviravolta gigante na história de Memo, que ao mesmo tempo, o reconecta fortemente com seu passado trágico e lhe dá uma nova perspectiva a respeito do presente.

Apesar da premissa um tanto quanto romântica, esse está longe de ser o foco da narrativa, que se desenvolve pelo olhar e imaginação de Memo. Há uma variedade de assuntos muito válidos discorridos que merecem toda a atenção, como o abandono e os danos da preconização de padrões estéticos. Através da espetacular atuação de Jorge Garcia, cheia de entrega e paixão, cada um dos temas que percorrem o filme ganham um ar mais denso de realismo. 

Totalmente autêntico e sensível, ‘‘Ninguém Sabe Que Estou Aqui’’ não merece menos que cinco estrelas.


Tal Pai, Tal Filha
 
Uma comédia contemporânea, que inova ao se basear em assuntos cada vez mais epidêmicos no momento presente: A nomofobia e o workaholismo. Sendo ambos os termos muito recentes, o primeiro designa o medo irracional de ficar sem celular, e o segundo, derivado do inglês, qualifica o vício em trabalho.

A história acompanha Rachel (Kristen Bell), uma mulher totalmente viciada no trabalho e no celular, que está prestes a se casar com Owen (Jon Foster). Ao se dar conta que os vícios da mulher tornariam o relacionamento desgastante, ele decide abandoná-la no altar. Nesse momento conturbado, Rachel reencontra seu pai, que a abandonou quando ela ainda era uma criança. Após passar uma noite bebendo, ela decide não perder o cruzeiro que já tinha pago para sua lua de mel, e convida seu pai para acompanha-la. 

O que se tem é um equilíbrio perfeito entre a comédia e o drama. Ao mesmo tempo em que é divertidíssimo e rende boas risadas, ‘’Tal Pai, Tal Filha’’ não deixa de pautar ativamente a questão dos vícios da protagonista e como eles afetam suas relações interpessoais, além de abordar a consolidação singular do relacionamento entre um pai e uma filha. 

Gostoso de assistir e tão engraçado quanto emocionante, o filme acerta em dar ao espectador um pouco mais do que somente humor e palavrões.




Vivian Soares
Estudante e crítica de cinema 

 
Notícias Relacionadas »
Comentários »