19/06/2021 às 16h33min - Atualizada em 19/06/2021 às 16h33min

Relações mais que internacionais

José Altino Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas. Foto:Arquivo/Pesssoal.
Há algum tempo assisti em canal de tv norte americano entrevista de um casal, que se zangara com a própria família. A mesma que lhe proporcionara uma faustosa boda com transmissão televisiva ao vivo e mundial. Entretanto não fossem da própria realeza britânica nem ali estariam. Exibiram duras razões contra toda a grande casta inglesa. Embolaram até pai e mãe, com acusação de preconceito. Lembrei me então que escrevera uma crônica logo após o principesco evento. E não é que deu me intensa vontade em republicá-la.  

Recordemos o relato e nela o casório:

-Quinta feira na manhã fiquei morgando na cama. Acordado, não havia jeito de mais dormir, o sono já me dera tudo que tinha a dar. Mas, também por lá queria ficar, embora o desejo maior de minha mulher fosse ficar a dormir, sem ser incomodada pelo amor àquela hora. Assim... televisão.

Ela mostrava ao vivo que do outro lado do mundo na terra dos melhores piratas já nascidos, casava-se o neto da rainha com uma plebeia. A curiosidade pelos costumes daquela gente tomou de assalto minhas atenções. Aliás, justificativa até melhor que apenas dormir como fazia minha esposa.

Povo diferente sô!!! Até nas feições. As mulheres, embora com alguma beleza, não têm lábio superior, é só um fiapinho pouco, que deve muito incomodar num beijão daqueles. Aí sou mais a latinidade nacional ou no mínimo os carnais lábios russos. Nenhuma dúvida, porém, ficou a moda por lá é bem diferente.

Até o dinheiro torrado na cerimônia, 80.000.000 de dólares dizem, foi grandioso e o engraçado é que fizeram questão de informar que o pai da noiva contribuiu com pouco, mas o grosso mesmo viera dos fartos cofres da rainha avó. Tudo do bom e do melhor, mesmo com os ingleses que tanto alardeiam direitos civis, mantendo a mania de fardas militares, botões dourados, enfeites e ridículos chapéus. Medalhas ao peito então, sai da frente, todos as ostentam. Isso num casamento para lá de civil. A catedral do casório, monstruosa. As câmaras de TV fizeram verdadeiros malabarismos brigando para obter tomadas que vendessem grandiosidade. Conseguiram!!

Lá fora, além das cercas e separações, o povão cheio de banderolas do Reino Unido parecia mesmo dividir com os noivos a euforia do momento, acenando a eles com sorrisos e feições felizes comemorando o maior dos últimos eventos do país, que só tem sobrevivido de história.

Não percebi, entretanto, novidade neles, afinal, o príncipe 2º herdeiro do trono, segundo tablóides e línguas invejosas, há muito tempo não só visitava a alcova da noiva, mas vivera com ela pequeno concubinato.  Mas, faça-se a festa e havendo tempo e grana bastante para gastar que os desperdicem, deixando sempre fora a fome e a peste mundial, demonstrando que eles não têm nada com isso, ainda que no passado tenham subjugado os pobres de hoje.

O cortejo foi um estouro. Gente as pencas e só cavalo bacana. Na transmissão televisiva, um expert de nosso Itamaraty, chegou a dizer que através daqueles eqüinos o reino Britânico teria retorno financeiro, pois a propaganda mundo a fora de tais corcéis além de gratuita, traria excelente retorno comercial ao império.

O comportamento deles, dos cavalos, muito melhor que dos nossos quem diria. Um espetáculo; menos é claro, a andadura que muito porrava o glúteo dos ginetes. Porém, naquele império, eles são executivos e funcionários públicos a serviço da Coroa, dando show a parte. Prestei atenção, juro. Toda aquela tropa montada não deu sequer uma cagadinha nas ruas londrinas, nada. Puxando a “charrete” dos noivos, nem rodar rabo ou soltar gases aconteceu ainda mais que os príncipes estavam no coche aberto e com a cara bem próxima à bunda deles.

Tenho a mais absoluta certeza que por trás daquela cultura dos eqüinos deverá existir um competente e talentoso encantador de cavalos que os treinou para ocasião, pois por aqui tem isto não; bem me recordo que um prefeito e governador saíram em cavalgada do centro ao mercado, e nos legaram algumas toneladas de esterco cavalar e também antes disso, nossas charretes só conduziam a turma agitada para as noitadas destinadas aos leitos das damas “interesseiras”. Nossos casamentos só são bons se forem boca livre e também se eles se acabarem ninguém liga. Começam tudo de novo sem nenhuma fofoca ou tampax. Nem vergonha dá ou têm.
Sem dúvida reafirmo, somos muito diferentes dos bretões, nossos cortejos são puxados pelo Lula, rico põe coleira na mulher durante carnaval, pobre a põe no fogão, viúvo é quem morre e “meu rei” é coisa de malandro.
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