19/06/2021 às 16h37min - Atualizada em 19/06/2021 às 16h37min

Saiba mais sobre o rim: o filtro da vida

Dr. Achiles: Médico Radiologista; Professor da Unifap; Mestre em Ciências da Saúde . Foto: Arquivo Pessoal

1. Qual a atuação do nefrologista?  E qual a diferença de atuação para o urologista?
O nefrologista atua na parte clínica nas doenças das vias urinárias. Como por exemplo na prevenção de doenças renais, diagnóstico e tratamento da hipertensão, infecções urinárias, nefrites, cálculo renal, doenças renais císticas, doença renal aguda e crônica, participa também dos seguintes procedimentos hemodiálise, diálise peritoneal, transplante renal. Em relação a diferença de atuação para o urologista diria de uma forma bem simples que o mesmo realiza procedimentos cirúrgicos das doenças renais, já os nefrologistas como já foi mencionado a parte clínica.

2. Nos fale um pouco da função renal.
Os rins mantêm o equilíbrio corporal, controlando a quantidade de líquido e de substâncias produzidos pelo metabolismo do corpo provenientes do sangue, através da filtração e eliminação de substâncias tóxicas pela urina. Além disso regula a formação do sangue e dos ossos através da atuação da eritropoetina e calcitriol, regula também a pressão sanguínea pelo sistema renina, angiotensina e aldosterona e pelo controle da quantidade de sais no corpo, principalmente do sódio. Resumindo faz um balanço químico e hídrico do corpo.

3. Quais são os pacientes que devem procurar o nefrologista?
Pacientes acima de 40 anos devem procurar o nefrologista  para  descartar uma alteração  renal presente ou futura,  através da avaliação de exames como a uréia, creatinina, urina rotina e verificação da pressão.
Outros pacientes que devem procurar o nefrologista para acompanhamento da função renal são os hipertensos, diabéticos, formadores de cálculos, portadores de doenças císticas, aqueles com história familiar de doença renal, aqueles que tem familiares que realizam hemodiálise, pacientes com lúpus ou com doenças inflamatórias dos glomérulos.
Toda a prevenção e tratamento que realizamos são para evitar a perda da função renal e uma consequente necessidade de diálise ou transplante renal.

4. Quais são os tipos de diálise e como elas fucionam?
Existem dois tipos de diálise mais utilizados: Hemodiálise e diálise peritoneal.

Hemodiálise é a substituição do rim natural pelo artificial, por uma  máquina que tem vários alarmes e mecanismos de segurança pra que não haja complicação com o paciente. O sangue é desviado da circulação normal do paciente para a máquina, que possui filtros para deixar esse sangue limpo (mais próximo possível do natural), devolvendo depois esse sangue para o corpo do paciente. A diálise pode ser realizada através de cateteres em grandes vasos do nosso corpo (pescoço e virilha), pois vasos menores não aguentam pelo pequeno calibre e pressão ou através de fístula (mais natural que o cateter) que é feita a partir de uma junção de uma artéria e uma veia do paciente, fazendo assim um vaso calibroso que aguenta a pressão das agulhas de hemodiálise sem romper nem trazer problemas pro paciente. Geralmente a hemodiálise é realizada três vezes na semana e dura de três a quatro horas.

Diálise peritoneal: É o acesso intra-abdominal através de soluções chamadas de banhos, preparados pra fazer trocas de impurezas pela substância que é limpa (filtrada) dentro do corpo. Essas soluções são introduzidas por um cateter e após um tempo esse banho é retirado juntamente com as impurezas.

5. Porque existem muitos pacientes aguardando a diálise no Brasil?
Atualmente existem aproximadamente 1654 especialistas em nefrologia no Brasil um número pequeno perto de pacientes que necessitam de diálise. Além disso todos os anos existem de 20 a 22 mil novos casos de pacientes em diálise e não existe o aumento do número de clínicas proporcionalmente, dessa forma as clínicas não conseguem suprir essa demanda. Contribui também para essa situação a falta de de repasse financeiro do SUS (Sistema Único de Saúde) para as clínicas cadastradas, que não conseguem manter os profissionais dentro da sala de diálise, fazendo muitos nefrologistas migrarem para UTI (Unidade de terapia intensiva), consultório e hospital.

6. E como está o transplante renal no nosso país? Quais seriam as contra-indicações?
O transplante renal seria o tratamento ideal para os pacientes renais crônicos. A dificuldade é que nem todos os estados realizam transplante, infelizmente o Amapá ainda não realiza. Na pandemia aumentaram as dificuldades de avaliação e entrar na fila do transplante, o que acabou reduzindo o número de transplantes. As contraindicações são basicamente a doença cardíaca muito grave e doenças neoplasias. A idade já não contra-indica mais o transplante. Hoje já temos pacientes que transplantaram com mais de 80 anos e vivem muito bem com o rim enxertado.


 
Convidado da semana
João de Barros Neto
Graduado em medicina pela  UFPA.
Especialista em Clínica Médica (HCAL)
Especialista em Nefrologia (UFC)
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Nefrologia
Professor da UNIFAP
Mestre em Ciências da Saúde
Preceptor Nefrologia/ Clínica Médica
Contatos: (96) 991817290
                      (96) 991418074



Dr. Achiles: Médico Radiologista; Professor da Unifap; Mestre em Ciências da Saúde
Hoje  no #vemcomigofalardesaúde o médico nefrologista João de Barros Neto nos fala sobre o rim - o filtro da vida.


 
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