19/06/2021 às 16h40min - Atualizada em 19/06/2021 às 16h40min

ORIGEM DO DINHEIRO QUE COMPROU SEU VOTO E ROUBOU OS SEUS DIREITOS EM 2006 – PARTE III

Marcos Reátegui Advogado, ex-procurador geral do estado, ex-deputado federal, atual delegado da Polícia Federal. Foto:Arquivo Pessoal
Conheça mais sobre o trabalho que desenvolvi, como parlamentar, na página /DepMarcosReategui do facebook. Contribuições e questionamentos serão recebidos através do e-mail reategui1@yahoo.com.br

•    Os fatos que irei narrar agora são uma sequência aos dos artigos anteriores sobre ações ou condutas ilícitas, até agora impunes, relativas à eleição de 2006. Neste domingo abordo os contratos fictícios utilizados para pagar cabos eleitorais com recursos do FUNDEB e a fraude realizada na  à licitação da Estrada de Ferro do Amapá – EFA. Licitação esta que concedeu a Eike Batista a condição de montar o  empreendimento que lhe rendeu 5,5 bilhões de dólares, apenas 45 dias após iniciar a comercialização dos papéis da MMX na bolsa de valores.

•    Demonstrei, em texto anterior, que o governo de Waldez, candidato à reeleição naquela ocasião, às vésperas da eleição, realizou cerca de 20 acordos com credores e que nesses acordos milionários há fortes indícios de extorsão. Na licitação da EFA também há indícios de corrupção.

•    Esses são alguns dos fatos relacionados à eleição de 2006 que esclarecem a surpreendente e milagrosa vitória de Waldez sobre Capiberibe. Eleição na qual, é bom recordar, as pesquisas prévias de intenções de voto indicavam, três meses antes do primeiro turno, um percentual de 28% para Waldez Góes e 58% para João Capiberibe.

•    As duas questões, licitação da Estrada de Ferro do Amapá e pagamento de cabos eleitorais com recursos do FUNDEB, foram inicialmente investigadas, mas, logo em seguida, desapareceram do cenário, especialmente da mídia, como por encanto. O encanto dos poderosos que tudo podem.

•    Nesse cenário, a Estrada de Ferro do Amapá foi objeto de investigação da Polícia Federal através da “Operação Toque de Midas”. Investigação sobre   a qual a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal divulgou nota destacando os obstáculos criados para a realização da operação, o que pode ser constatado no site https://web.adpf.org.br/noticia/adpf/operacao-toque-de-midas/ Não se tem notícias sobre o desenrolar das investigações, certamente, pela atuação de pessoas com grande influência, fato que ajuda a explicar a virada eleitoral de 2006.

•    Quanto aos cabos eleitorais pagos com recursos do FUNDEB, tive atuação firme ao descobrir, e proibir, acordos que estavam sendo realizados na Justiça do Trabalho pelos Procuradores-Chefes da Área Trabalhista na PGE. Na ocasião, o titular da pasta afirmou que não poderia aceitar minha ordem porque estava autorizado pelo governador e pelo secretário de planejamento. Contudo, determinei por escrito a proibição e não tive notícia de sua continuidade. Porém, o mal já estava realizado. O duplo prejuízo para o povo do Amapá se concretizara com o desvio dos recursos do FUNDEB e o pagamento dos que foram usados para burlar as regras eleitorais.

•    No desenrolar e/ou na evolução desses acontecimentos,  evidencio as ações orquestradas pelo promotor de justiça Afonso Guimarães, que acusou inocentes em ações absurdas –  ações estas que ainda tramitam na Justiça –  e silenciou sobre as fraudes que ora estou narrando.

•    Foram centenas, talvez milhares de ações impetradas por cabos eleitorais que forjavam uma história fictícia sobre supostos serviços prestados em instituições de ensino do Amapá. E a ação, que não era contestada, quanto aos fatos, pelos Procuradores-Chefes da Área Trabalhista, transformavam as mentiras em verdade para a Justiça.

•    Desse modo, foram forjadas dívidas que eram pagas com recurso do FUNDEB, mediante acordos espúrios efetuados na Justiça do Trabalho. O dinheiro era desviado e lavado através dos atos praticados pelos agentes dos ilícitos, que induziam membros do MPT e do Judiciário em erro. Foram valores astronômicos desviados para pagamento de cabos eleitorais que mudaram a história das eleições, e muito prejudicaram os educadores e a educação do Amapá.

•    O portal Seles Nafes registra que tentaram reimplantar essa prática em 2013, conforme se observa  no endereço https://selesnafes.com/2019/05/seis-anos-depois-procuradores-que-foram-presos-sao-inocentados-no-amapa/ ,contudo, como ela já era conhecida, foi impedida pela Justiça

•    Nesse contexto, verifico que a compreensão de que a governança está nas mãos de eleitos – que podem ser mudados através do voto a cada 4 ou 8 anos (senadores) – está gerando o despertar da população. Essa percepção aliada ao sofrimento decorrente da dor causada pela falta de oportunidades de trabalho, por doenças e pela morte de parentes e amigos, em função da Má Gestão e Corrupção dos maus eleitos, está gerando revolta e evidenciando que a política atual não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências…através do voto. É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!
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