10/07/2021 às 19h12min - Atualizada em 10/07/2021 às 19h12min

Liga da Justiça – Snydercut (HBO MAX)

Vivian Soares Estudante e crítica de cinema. Foto: Arquivo/Pessoal
 
‘’Uma releitura anacrônica das grandes epopeias da Antiguidade’’

Muito se fala no mundo do cinema sobre a superficialidade dos filmes de heróis. Blockbusters, são vistos, através do conceito culturalmente elitizado, como descartáveis ou, no mínimo, pouco valiosos enquanto arte. Em sua versão extremamente longa e soturna da famosa Liga da Justiça, Zack Snyder desmistifica essa falácia da futilidade de sagas heroicas nas telas de cinema, transformando o famoso time de heróis da DC COMICS em uma verdadeira releitura contemporânea das epopeias antigas sobre deuses e homens.

Apesar de o mais curioso, a princípio, ser a duração do filme (cerca de 4 horas), o conteúdo extremamente detalhista e repleto de essência dessa versão é o que mais instiga. Lembrando inevitavelmente as famosas narrativas míticas da Grécia Antiga e animações da DC de meados dos anos 2000, o filme carrega seu ar de contemporaneidade ao desenvolver ao máximo a essência e os poderes de cada personagem. Não há lacunas, não há tédio, só um interesse contínuo em assistir mais que nasce logo nos primeiros minutos e cresce absurdamente ao longo das cenas, mesmo que, por se tratar de uma releitura, algumas delas tenham sido vistas na versão de Joss Whedon – que, sinceramente, parece até infantil perto dessa.

Transformando a essência dos quadrinhos da DC em uma obra cinematográfica de tirar o fôlego, Zack Snyder se mostra um grande roteirista ao desafiar a lógica imprecisa do elitismo acerca da frugalidade dos filmes de herói.

Ella e John (Netflix)
 
‘’O brilho incandescente da maturidade queima num misto de leveza e profundidade’’

Dramas que conseguem equilibrar perfeitamente com a comédia esbanjam, logo de cara, um charme irresistível. Tratando-se de um tema tão real e cheio de nuances quanto a velhice, ganhar a simpatia do espectador é fundamental para que se possa entender o quão reeducativa, permeada de cor, fascínio, dúvida e dor é o processo de saber que, em breve, sua vida terá fim.

Grande parte do filme se passa dentro do trailer de um casal de idosos chamado Ella (Helen Mirren) e John (Donald Sutherland). Viajando por entre cidades americanas e curtindo férias em seu decrépito Caça-Prazeres – o trailer – eles tentam aproveitar a companhia um do outro enquanto ainda têm tempo. O problema, é que enquanto Ella sofre de uma grave doença, John enfrenta a perda de memória decorrente do Alzheimer.

Entre uma tirada aqui e um diálogo mais triste acolá, a densidade do relacionamento do casal vai ficando cada vez mais tangível, fazendo com que esse tal par de idosos pareça dois conhecidos de longa data do público. Toda a alegria e dor que esse road movie fantástico, de fotografia impecável e descobertas inacreditáveis transmite simplesmente não cabe em palavras.

É uma experiência cinematográfica completa, com comédia, tragédia, silêncios e cessões. Nesse drama poderoso, com atuações impecáveis tanto de Mirren quanto de Sutherland, o brilho da maturidade queima com leveza e profundidade.
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