05/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 05/07/2020 às 07h00min

Um matutinho na escola


Relembrar é bom demais, principalmente quando as lembranças são dessas histórias envolventes que retratam a vida das crianças que fazem parte de nossa vida. Gabriel Eduardo um matutinho muito inteligente, vivia em um mundo rodeado de natureza e era uma criança com experiências de deixar qualquer um morador da cidade boquiaberta. 

Ele foi matriculado na escola em que trabalho há alguns anos, menino quieto, observador e com uma aparência apática que parecia doente e cheio de preguiça, pura enganação era só o jeitão dele mesmo.

O tempo passou e o Gabriel Eduardo ou matutinho como preferia ser chamado, foi conquistando as pessoas da escola com seu jeitão especial, falava engraçado, comia parecendo que o mundo ia acabar, mas a preguiça na hora de escrever consumia o menino e sua mão travava uma enorme batalha com o lápis. Os assuntos da escola não chamavam a atenção dele e sinceramente ele não entendia muito o que os professores falavam, parecia coisa de outro mundo, geralmente ele se calava para não chamar atenção para si. Os professores por sua vez sempre faziam perguntas para ele das matérias lecionadas, infelizmente Matutinho respondia da sua maneira, e quase sempre era considerado errado.

No dia de visitação ao museu todas as crianças estavam eufóricas e alegres pois, iriam visitar a natureza e ver animais, um pouquinho da floresta, Matutinho nem sabia o que era museu e muito menos animais selvagens não estava muito animado, mesmo assim foi autorizado a ir no passeio aula e ver com seus próprios olhos o tal do museu. Ele era muito diferente dos coleguinhas, os demais vestiam roupas leves e levavam mochilas com lanches, água; Já Matutinho escolheu a melhor roupa do seu armário, calçou seu melhor sapato, passou até cera no cabelo, vai que esse tal museu quisesse falar alguma coisa com ele né e encheu o bucho antes de sair porque sua mãe disse que lá talvez não tivesse nada para comer. Ele era muito prevenido.

Chegando ao museu os professores deram algumas informações sobre como as crianças deveriam se comportar e aqueles informes e tal. Matutinho ouviu atentamente, mas não prestou atenção em nada queria saber onde estava o museu. Andou com a turma, fez trilha, já um pouco suado enrolou a manga da camisa (que era comprida) enrolou aas pernas da calça, tirou o sapato, comeu lanche com os colegas e passou sua tarde feliz da vida. Seus professores o observavam atentamente, cada gesto cada olhar, tudo o que ele falava, e perceberam quão inteligente e quanto conhecimento sobre o meio ambiente aquele menino que veio do meio do mato tinha para ensinar e o que mais chamou atenção é que ele não sabia que estava ensinando os outros pois seu habitat natural era aquele ambiente.

O guia do museu fez um pequeno intervalo em sua explicação pois toda vez que iria falar de algum bicho ou vegetação Matutinho se antecipava e dava uma aula sobre o assunto, aula por se dizer ele falava sobre o que o guia deveria explicar, mas pra quem faz parte da educação ao descobrir que aquele menino ali presente falava com propriedade sobre aqueles animais era uma verdadeira aula. Mas com certeza o Guia ficou com medo de perder o emprego pois já via naquele pequeno conhecedor um grande candidato e competidor naquele trabalho, adultos as vezes precisam crescer.

Lembranças maravilhosas que nos ensinou muitas coisa. Crianças podem nos ensinar muito mais do que percebemos, as vezes precisamos conhecer um pouquinho deles, para saber o que eles podem contribuir com o nosso aprendizado. Matutinho foi e continua sendo um aluno muito querido, depois daquele passeio nossas aulas de ciências mudaram completamente pois o aluno tinha mais para ensinar do que aprender. A mão continuou com a guerra com o lápis durante um tempo, mas a batalha foi vencida pela vontade de não querer ficar para trás.




Elielma Neri 
Professora
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