24/07/2021 às 21h38min - Atualizada em 24/07/2021 às 21h38min

Câncer de boca

Hoje no #vemcomigofalardesaúde recebemos o cirurgião dentista Rômulo Fernandes, para nos falar sobre câncer de boca.



1. Como definir o Câncer de boca?

O câncer de boca é um dos dez cânceres mais comuns no mundo e infelizmente tem um diagnóstico tardio, evolução ruim e tratamento caro. Pode ter vários fatores, é invasivo e agressivo podendo atingir grandes dimensões.


2. Quais são os fatores de risco para o Câncer de boca?
Entre os fatores de risco estão o uso de tabaco e do álcool, o vírus do papiloma humano (HPV), o gênero (mais predominante no sexo masculino), a idade (mais incidente em indivíduos acima dos 55 anos de idade), a radiação ultravioleta, uma baixa dieta em frutas e vegetais, o sistema imunológico enfraquecido, a colocação de enxerto, algumas síndromes genéticas, o líquen (doença de pele), os antissépticos bucais com elevado teor de álcool e irritações com a dentadura.


3. Como você tem observado a reação psicológica do paciente quando tem um diagnóstico de câncer de boca?
Infelizmente o diagnóstico de câncer de boca gera profundo estresse emocional na vida do paciente, devido sua rápida evolução, aliado ao tratamento cirúrgico que tem um caráter traumatizante, proporcionando alterações em sua vida social, inadequação e também pode despertar sintomas de depressão e ansiedade.

A partir do momento em que o paciente descobre o câncer, inicia-se um processo interno de dúvidas e incertezas. Havendo a confirmação da presença de um tumor maligno, o paciente passará por várias fases de conflito interno, que oscilam desde a negação da doença até a aceitação da existência do tumor.

4. Como é feito o tratamento do câncer de boca?
Atualmente, diante dos avanços tecnológicos obtidos pela ciência para tratamento do câncer de boca. Existem várias etapas de tratamento que consistem em cirurgia, quimioterapia, radioterapia.

O tratamento proposto para o câncer de boca depende da fase de evolução no momento do diagnóstico. Geralmente o que mais se usa é a combinação entre cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

A quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica. É utilizado para reduzir o tamanho e para prevenir o reaparecimento do câncer.

A radioterapia é um tratamento que irá agir bloqueando a capacidade de divisão celular, o tornando mais acessível para o tratamento cirúrgico. A radioterapia é um método capaz de destruir células tumorais, empregando feixe de radiações ionizantes. Uma dose pré-calculada de radiação é aplicada, em um determinado tempo, a um volume de tecido que engloba o tumor, buscando erradicar todas as células tumorais, com o menor dano possível às células normais circunvizinhas, à custa das quais se fará a regeneração da área irradiada (INCA, 2018). A cirurgia é o tratamento mais comum para o câncer de boca. O objetivo da cirurgia é remover completamente o tecido canceroso. Nos últimos anos, novas tecnologias e técnicas minimizaram a extensão e a invasão da cirurgia. Esses esforços para reduzir cirurgias extensas resultaram em um benefício geral para a reabilitação do paciente.

5. Qual o prognóstico (resultado que podemos esperar desse tratamento) dessa doença? 
O prognóstico para pacientes com câncer de boca ainda permanece relativamente ruim, apesar dos avanços terapêuticos nessa e em muitas outras neoplasias. O diagnóstico precoce e o tratamento continuam sendo a chave para melhorar a sobrevida dos pacientes (INCA, 2018). Pacientes com câncer bucal tratados com cirurgia podem ter dificuldades em engolir, comer e falar enquanto o dano tecidual como resultado de sua doença e tratamento subsequente também pode levar a dor no nervo, sensação alterada ou perda total da sensação.

6. Quais os profissionais mais indicados para dar um diagnóstico de câncer de boca?
Cirurgiões dentistas especialistas em Estomatologia, Patologia Oral, Oncologia e cirurgiões bucomaxilofaciais têm uma maior experiência com estes diagnósticos juntamente com médicos patologistas, oncologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço. Ressalta-se que consultas regulares ao dentista (três vezes por ano) são indispensáveis para realizar o diagnóstico precoce dessa doença, possibilitando começar o tratamento em fase inicial e com grande chance de cura para o paciente. 
 
7. Como podemos evitar esta doença?
Por se tratar de uma doença de múltiplas causas, é muito importante que as pessoas evitem os fatores de risco como o consumo excessivo de álcool e tabaco, exposição a radiação ultra-violeta, evitem o estresse, tenham uma higiene oral correta , alimentação saudável associada a exercícios físicos regulares e que procurem atendimento odontológico regularmente, seja nos postos de saúde municipais, nos centros de especialidades odontológicas das secretarias estaduais (CEOs) ou em consultórios particulares.


Convidado
Rômulo Fernandes.
Cirurgião Dentista. CRO/AP 1004
Especialista em Oncologia, em Radiologia, em Disfunção Temporomandibular e Dor orofacial, em Imunologia Clínica, em Análises Clínicas. Dr.hc em Ciências da Saúde e Forense-Emil Brunner Word University e Dr.hc e Criminologia-ODAEE. 
Perito Criminal da Polícia Científica do Estado do Amapá.
Contatos: (96)98113-4948
Instagram: @romulocorrea2010
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