12/07/2020 às 07h12min - Atualizada em 12/07/2020 às 07h12min

PISCICULTURA: TAMBÉM É AGRO DO BEM

Marcelo Creão. Foto: Arquivo Pessoal.

Em meio à pandemia da COVID 19, novas narrativas sobre novos modelos de pandemias surgem a cada momento. Os principais temas de narrativas de pandemias negativas são o desmatamento na Amazônia, na Mata Atlântica, grilagem de terras públicas, fuga de capital de investimentos de grandes fundos, dentre outros, onde, o capital do agroempreendedor do bem fica numa “sinuca de bico” buscando um grupo, um nicho, um mercado onde possa se apoiar e receber apoio para sobreviver e crescer, dizendo assim “Ei... eu não faço parte daquele grupo”.

A piscicultura faz parte da aquicultura é o cultivo ou a criação de organismos cujo ciclo de vida, em condições naturais, ocorre total ou parcialmente em meio aquático. A aquicultura pode ser compreendida, então, como a produção de pescados (peixes, moluscos, algas, camarões e outros) em cativeiro, ou seja, o estoque é privado, diferentemente da pesca, cuja produção não depende de cuidados do homem e a propriedade só ocorre com a captura. Dessa forma, o cultivo e a criação de organismos aquáticos ocorrem em verdadeiras fazendas cujo meio de produção é a água, e não a terra, como nas atividades análogas da agricultura e da pecuária. 
O cultivo de peixes é uma atividade relativamente moderna no Brasil, mas que tem tomado uma importância muito grande e já é a principal atividade em várias propriedades.  A piscicultura dentro do setor do agro, atrai inúmeros empreendedores pois, no início da implantação do empreendimento tem grande esforço, porém logo em seguida há um bom retorno. Corrêa, 2001, pesquisou e informa que há grande potencial para o desenvolvimento da aquicultura no Estado atrai e estimula a instalação de novos empreendimentos nesse setor. No entanto, essa atividade ainda é incipiente, ou seja, não tem um lugar de destaque no desenvolvimento econômico do Estado, pois ainda atende apenas o mercado interno.

O renomado economista Joselito Abrantes ressaltou em publicação que o potencial amapaense pode crescer com a piscicultura continental, por apresentar uma ampla variedade de espécies, disponibilidade de recursos hídricos e clima propício ao longo de todo o ano, sem período de entressafra como ocorre em outras regiões brasileiras (GAMA, 2008). Dados da Embrapa diz que no Estado do Amapá, há 269 pisciculturas, a maioria está localizada no Município de Macapá (55,4%) e municípios próximos, como Santana, Mazagão e Porto Grande (21,2%). Nessas propriedades, as pisciculturas correspondem a 94,7%; pesque-pague a 3,5% e 1,7% mantém piscicultura e pesque-pague. De acordo ainda com esta publicação a maioria dessas pisciculturas usa o sistema de cultivo semi-intensivo ou o sistema intensivo. Além disso, essas pisciculturas são de pequeno porte e produzem uma média de 2,0 – 3,0 toneladas/ano. No período de 2000 a 2010, a produção da piscicultura no Estado do Amapá saltou de 198 para 1.000 toneladas/ano. Este estudo aponta que essa produção de 2010 representou o incremento de 53,2% em relação a 2009 e foi estimada no valor de R$ 10 milhões.

A população mundial está crescendo e o consumo per capta de pescados também tem aumentado. Diante deste cenário, esta combinação cria uma demanda que é um grande desafio para os países que já produzem muito e consomem muito, mas é uma oportunidade ímpar para o país. 

As propriedades rurais devem ser tratadas como unidades de negócios, com vistas ao melhor aproveitamento dos recursos naturais, à preservação destes recursos e à lucratividade. O uso de tecnologias adequadas é o caminho mais curto para sua concretização. marcelo_creao@yahoo.com.br



Marcelo Creão
Ex-secretário de Estado na SEMA-AP, mestre em Biologia Tropical e Recursos Naturais, professor de Gestão Ambiental na FAMA.
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