12/07/2020 às 07h01min - Atualizada em 12/07/2020 às 07h01min

LINGUAGEM DO TEATRO

Romualdo Palhano. Foto:Reprodução/Facebook/Pagina Pessoal.
     Neste artigo vou deixar claro algumas palavras utilizadas no teatro, e que cada uma tem sua origem. Geralmente, os artistas ligados às artes cênicas falam alguns termos que, muitas vezes, somente as pessoas que participam desses grupos entendem. É comum, quando se vai colocar em cartaz uma peça, os colegas de teatro desejarem “merda” para o grupo que está em cartaz. Nesse sentido, isso não implica em estar se desejando coisa ruim, ou dizendo palavrão para o colega. Pelo contrário, quando um artista deseja “merda” para o outro, isto significa dizer que está desejando boa sorte, tudo de bom, e que tenha casa cheia, teatro lotado. 

      Essa forma de colação dessa palavra, surgiu ao longo dos séculos, em função de que o transporte para sair do campo para a cidade, ou mesmo transitar na cidade, era feito a partir da tração animal, como cavalos e  bois. Neste caso, quando havia um espetáculo, por exemplo, no teatro de Shakespeare, as carruagens com seus cavalos eram deixadas defronte ao teatro, enquanto seus proprietários assistiam as peças. Portanto, quanto maior o público, mais carruagens e mais animais no entorno do edifício teatral, isto significa dizer que toda a área e ruas adjacentes ao teatro ficavam tomadas por estercos desses animais. 

     De certa forma, quanto mais pessoas iam ao teatro, mais estercos nas ruas e consequentemente mais dinheiro na bilheteria. Com o passar do tempo as pessoas de teatro, passaram a desejar “merda” aos grupos que estavam em cartaz, num desses teatros. Por isso, até hoje as pessoas de teatro desejam “merda” aos colegas que estão com alguma peça em cartaz, apesar de que hoje temos os automóveis no lugar dos cavalos. 

    Ainda no século XIX era comum o transporte com tração animal, cavalos eram os principais meios de transportes nesse período. O teatro era uma construção comum em muitas cidades, e também fazia parte da sociedade como um centro de encontro, seja para assistir as apresentações teatrais ou mesmo para ouvir discursos inflamados dos políticos da ocasião. O automóvel em fabricado em série surgiu a partir da primeira década do século XX. 

     Outros termos utilizados no teatro.  PROSCÊNIO – é a parte anterior do palco, que se projeta para fora da cortina, e deriva do Latim proscenium, de pro-, “à frente”, mais scaena. É o local que antigamente se fixava as luzes da ribalta. PEÇA – do francês antigo pièce, do Frâncico pettia, “medida, porção, parte”. ATO – uma peça teatral pode ter vários atos, palavra que vem do Latim actus, “algo feito, parte de uma obra, impulso”, de agere, “levar a, guiar, colocar em movimento”. PÚBLICO – sem ele não há teatro. Vem do Latim publicus, “relativo ao povo”, de populus, “povo”. Também adquiriu o significado de “aberto a toda a comunidade”, em oposição a “privado”. FÃS – sem estes não há ator que sobreviva. “Fã” é um encurtamento de “fanático”, que veio do Latim fanaticus, “louco, entusiasta, inspirado por algum deus”, originalmente “relativo a um templo”, fanum. Quem não atendia a certas exigências religiosas estava “à frente” do templo, ou seja, fora dele: profanum, que originou nosso “profano”. CAMAROTE – é um diminutivo de “câmara”, derivado do Latim camara, “quarto com teto recurvo”, do Grego kamara, de uma base Indo-Europeia kam-,” arco”. CORO – do Latim chorus, “dança em círculo, grupo de pessoas que cantavam numa tragédia”, do Grego khoros, “grupo de dançarinos, dança, piso para dançar”, de uma fonte Indo-Europeia gher-, “rodea”.


Romualdo Palhano 
Professor Titular da Universidade Federal do Amapá, pós-doutor em teatro pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB, doutor em teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
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