09/10/2021 às 20h18min - Atualizada em 09/10/2021 às 20h18min

“REFLEXÕES do CREPÚSCULO”

José Altino Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas. Foto:Arquivo/Pesssoal.]
Por longo período na vida, fui homem importante. Pelo menos sempre acreditei, assim. Lá pelo Norte, Amazônia, centro–oeste, e fronteiras, era gente e forte. Coisas e decisões aconteciam de acordo à minha “vontade” e atuação. Pensava eu...

Sentia-me deveras orgulhoso, constatando que próximo a quinhentos milhares de homens carentes com suas famílias, trabalhavam e bem conseguiam faze-lo, com relativa segurança, em função dos esforços, não só políticos, mas contestatórios e reivindicativos que eu aprontava. E era realmente bom no que fazia.

Bem por isso, cheguei a membro do Conselho Superior de Minas do país, em Brasília, ocupando tal cargo por alguns anos. Toda a legislação do subsolo nacional e suas modificações passavam naquele conselho. Muitas modernidades lhe foram acrescentadas pelas melhores inspirações que tive. Algumas das boas foram elaboradas, com extremo cuidado, em benefício da “oficialíssima” Companhia Vale do Rio Doce, que nascera pouco antes de mim, mas que na malandragem, deixou de sê-lo, indo enriquecer um bando de empresários sedentos.

Pelas bandas do Banco Central do Brasil, lá estava eu, acompanhando a cúpula da carteira de cambio e comércio internacional de ouro, dando meus palpites. Sem ser um mero “aspone”, era considerado excelente “consigliere”.

Esse tempo “oficial” passou...
Ainda hoje vou muito à Amazônia. Tenho e conservo naquele lugar, muitos dos meus interesses e sonhos, o que me mantêm vivo, bem acordado e com vida eletrizante. Talvez, só pela daqui, nem tesão teria mais, mas considerando a de lá, nem conto... 

Curioso nisso tudo, é que sempre em minhas voltas àquelas paragens, sinto sinceramente que sou tratado e recebido com a mesma deferência e devido respeito. Nada mudou. Até adversários e inimigos que são poucos, amealhados nos anos que por lá passei, me devotam atenção. Impressionante!!

Mas, sempre um, mas com passar dos anos e na tranqüila paz do amadurecimento, tenho encontrado bastante tempo para refletir e notar com firmeza, que jamais fui o imprescindível e importante do lugar. Mais que isso e com presença maior, eram as relações, amigos e pessoas que me cercavam naquela imensidão do país. Eram eles os grandes temidos e respeitados, cabendo a mim apenas representá-los e receber diretamente o reflexo de suas influencias e proteção. Tudo sempre fora bem mais que um só homem. Exemplo de gente e terra, onde se vale pelo que se é não pelo que se têm, principalmente quando buscam e privilegiam qualidades em lideranças, com descarte das vaidades pessoais.

Realmente alcei vôos altos nas jornadas que empreendi. Nada melhor que outros, mas sempre o melhor que pude. Ganhei força e inteligência com o que fiz e construí. Mas, descobri a tempo, que o principal alicerce para tudo isso era a gente e outras boas lideranças em meu derredor. 

Minha própria família cultiva e cuida do que é, nem tanto por importância, mas sim pelas relações e amizades que granjeou com segura lealdade.

Bem ao contrário de personalidades e alguns políticos, que só conseguem e se sentem grandes, se quem lhes acercar, for tornado extremamente pequeno e até humilhado. Suas amizades, companheiros e parceiros, mudam a todo instante. Quando no poder, o regem como surdos inatingíveis, se permitindo inclusive, ao dom da farsa. No andar das campanhas, não conseguem jamais se sentir bem ao lado de notáveis. Escolhidos, ao amealharem auxiliares, nunca o fazem por aptidão técnica, competência ou profissionalismo. Eles sabem que tais qualidades nesses homens, os tornam péssimos companheiros para políticos incapazes e demagogos, que acreditam somente poder aparecer, se junto à exposta mediocridade alheia facilitando-lhes nas comparações, preservando-se assim e buscando evitar emergir melhores qualificações. Por isso, nunca deixam de incentivar o lado maldoso da cultura brasileira, quiçá de nossa gente, que pouco aplaude o sucesso alheio e vezes ao contrário procuram apenas o lado negativo. 

Prejuízo maior, é que ao encobrir e faltar à premissa de atributo na busca de gente com capacidade para cuidar do bem público, nosso povo e Brasil ficam carentes na solução de seus problemas, mesmo que ainda fosse possível a ofuscados hoje, buscados, voltarem a brilhar. 

Soubesse ontem o que hoje sei, acredito que muito seria diferente. O anoitecer é lindo, mais seria se com ele não viesse a escuridão.
Afinal, o mais brilhante astro do céu é um planeta de luz refletida, Vênus, também conhecido como estrela d’Alva.
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