12/07/2020 às 07h04min - Atualizada em 12/07/2020 às 07h04min

Marcos Reatégui

Marcos Reátegui. Foto:Arquivo Pessoal
 
O AMAPÁ, PROJETADO PARA SER UM PARAÍSO, HOJE NÃO É EXATAMENTE ISSO. MULHERES MORTAS, ABANDONADAS POR QUEM DEVERIA CRIAR POLÍTICAS PÚBLICA E APRESENTAR UM PROJETO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL. FALTOU SEQUÊNCIA AO TRABALHO. 
 
Conheça mais sobre o trabalho desenvolvido por mim na página /DepMarcosReategui do facebook. Contribuições e questionamentos serão recebidos através do e-mail 
 
• Na semana que passou, trouxe algumas considerações sobre o flagelo da violência contra a mulher e em como a negligência das autoridades locais potencializa esse problema, relegando à condição de abandono e desamparo milhares de jovens amapaenses, reféns de relacionamentos opressivos e abusivos, que desaguam em truculência e mortes.
 
• Como destaquei no artigo anterior, campanhas educativas e de conscientização são muito importantes. Mas, governo estadual e municipal, bem como parlamentares, jamais podem se limitar a isso. Especialmente, dos gestores do Executivo a sociedade espera resolutividade, isto é, ações concretas para garantir a punição dos agressores e, para além disso, programas sociais destinados a acolher as vítimas, oferecendo uma saída segura para a situação de abuso.
 
• Hoje, dando continuidade aos artigos passados, vou apontar alguns exemplos concretos de ações que nossos representantes deveriam colocar em prática, para enfrentar de maneira efetiva e concreta a questão da violência contra a mulher. Especificamente, quero falar da importância da acolhida psicológica e afetiva que as mulheres em situação de violência doméstica precisam encontrar quando se socorrem junto ao Poder Público.
 
• Se gestor fosse, uma das minhas prioridades seria a criação de uma rede de apoio à mulher vítima de violência. Essa rede de proteção, que passaria pela integração dos serviços de vários órgãos públicos e contaria com atuação multidisciplinar de profissionais, teria como primeira função receber de forma empática e acolhedora as mulheres que vivem nessa situação de risco. Seria, em outras palavras, uma “mão amiga”, estendida para as vítimas e que passaria a seguinte mensagem: “Venha, aqui você encontra segurança e apoio.”
 
• A importância de encontrar acolhida, sem julgamentos pessoais, apenas com empatia e afeto, é primordial para que as vítimas tenham a coragem de dar o primeiro passo e possam sair da situação de abuso. Infelizmente, muitas mulheres permanecem reféns de seus algozes porque não encontram uma porta de saída para a situação de opressão. O apoio especializado, com acompanhamento profissional multidisciplinar, é fundamental para que as mulheres saibam que há, sim, alternativas. Que elas não estão sozinhas, nem são negligenciadas. Esse primeiro passo precisa apenas de gestão, que passa pela capacitação de servidores.
 
• Hoje, falta uma rede sólida de apoio e acolhida, que gere, para as vítimas de violência doméstica, condições para que possam recuperar a autoestima e a dignidade. Isso, porém, passa necessariamente primeiro por um cuidadoso trabalho de acompanhamento profissional, principalmente psicológico, voltado a reconstruir o amor próprio de quem se viu dilacerada por anos de violência física e emocional. Com poucos recursos se executam essas ações, que exigem, apenas, gestão e transparência.
 
• Uma vez feita essa acolhida inicial e esse trabalho minucioso de reerguer a autoestima e a confiança pessoal de quem saiu da situação de abuso e opressão, vem, então, a importância da ação do Poder Público no sentido de apontar um caminho para o auto sustento, por meio da capacitação pessoal e do fomento à criação e expansão de redes de empreendedorismo feminino, onde mulheres são incentivadas a atuar em conjunto e apoio mútuo. É esse segundo passo que vou abordar com mais detalhes no próximo artigo.
 
• Com essa série de artigos, focados no enfrentamento à violência contra a mulher, quero não apenas evidenciar que falta gestão e sobra corrupção no Amapá. Quero apontar soluções efetivas, para escancarar o descaso de anos que estamos enfrentando e que, somado ao caos atual, levou a população ao limite. Todos estão despertando e tomando consciência coletiva de que somos uma sociedade que não aguenta mais ser abandonada, roubada e maltratada. Por isso acompanhamos juntos, cada vez mais, as reações à má gestão e ao desvio de recursos públicos. Os governantes de todos os poderes precisam enxergar que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências… É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!

Marcos Reátegui 
​ Advogado, ex-procurador geral do estado, ex-deputado federal, atual delegado da Polícia Federal.
Relacionadas »
Comentários »