30/10/2021 às 16h39min - Atualizada em 30/10/2021 às 16h39min

A Amazônia

A cobiça internacional sobre a Amazônia não é recente

Gil Reis ​ Consultor em Agronegócio Foto:Arquivo Pessoal.

Há anos, venho gastando o meu “latim” e a pena da minha caneta falando para ouvidos surdos e escrevendo para olhos cegos, despertando, quando muito, incredulidade. As reações de descrença e descaso apenas confirmam o que nós que aqui vivemos, acreditamos: o enorme desinteresse e descaso pela Amazônia como se ela fizesse parte de algum planeta longínquo e não do Brasil. O que a maioria dos brasileiros ainda não percebeu é que o nosso país possui a mais rica área do mundo e que se for perdida restará ao Brasil menos de 50% de seu território.  

Nos idos de 31 de dezembro de 2005, na Revista Justiça & Cidadania, Bernardo Cabral, à época presidente do Conselho Editorial e Consultor da Presidência da CNC, publicou o artigo “A Amazônia e a cobiça internacional”, no qual chama a atenção de todos sobre o comportamento internacional em relação à Amazônia. Transcrevo alguns trechos:

“O interesse pela grande região amazônica remonta há mais de 300 anos. Desde o início do séc. XVII (1637) que os portugueses se lançaram na conquista e ocupação da Amazônica brasileira, preocupados com o interesse demonstrado pela Inglaterra, França e Holanda. No século XVIII, tímidas providências foram tomadas em relação àquela área, como a construção de mais fortalezas e tentativa de colonização sob a inspiração do Marquês de Pombal. 

No século passado, França, Inglaterra e Alemanha estudaram a livre navegação dos rios amazônicos, com o intuito de facilitar o seu comércio, seja no lado brasileiro, seja com os outros países nela incluídos.  Também os Estados Unidos, em 1850, queriam, com a The Amazon Steam Navigation Company, ter facilidades de navegação pelo Amazonas.  As Chartered Companies, também norte-americanas, alegavam, no início deste século, imperativos científicos de desenvolvimento das terras incultas da Amazônia para justificarem uma possível ocupação dessa região.

A cobiça internacional encontrou ecos diante de temas que se tornaram universais, como o meio ambiente, missões indígenas, clima, narcotráfico e desflorestamento.  Brevemente o problema de escassez de água levará o mundo a se voltar ainda mais para Amazônia. Nos anos 30, até o Japão resolveu dar a sua contribuição para a ocupação da região, propondo que se fizesse uma redistribuição da população mundial, instalando-se aí os excedentes de outros locais.

Em 1948, a ONU, por intermédio da Unesco, foi muito além, ao propor a criação do Instituto Internacional da Hiléia Amazônica, um órgão de pesquisas científicas.  Na realidade, o objetivo final do projeto era a desapropriação da Amazônia com a consequente perda da jurisdição territorial do Brasil sobre ela.  Esse projeto concedia atribuições executivas a uma entidade internacional criada especialmente com essa finalidade e criava imunidades para pessoas e bens. O mais revoltante disso tudo é que esse projeto foi incluído no Tratado de Iquitos, celebrado em 1948, e assinado também pelo Brasil.  Só não foi avante porque o Congresso Nacional não o aprovou.

Nos anos 60, coube ao Instituto Hudson dos Estados Unidos nova investida contra a soberania brasileira sobre a Amazônia, com o projeto dos Grandes Lagos ou Plano do Mar Mediterrâneo Amazônico, que previa a construção de sete grandes lagos na Amazônia, o maior dos quais produziria de 30 a 50 milhões de quilowatts de eletricidade.  Segundo Robert Panero, técnico desse instituto, esses lagos serviriam de ligação entre as bacias dos rios, melhorariam seu potencial de navegação e estimulariam o desenvolvimento regional.  Iniciativa idêntica seria implementada em Chocó, na Colômbia, com saída para o Pacífico.  Em resumo, essa seria uma nova variante do Canal do Panamá de que especialmente os Estados Unidos se serviriam para facilitar o seu comércio.”

Revelações espantosas não é verdade? Mais espantoso ainda foi o descaso em relação ao que foi publicado. Todavia, não se iludam, tal descaso continua até os dias de hoje favorecendo toda a estratégia de ataques internacionais ao Brasil e à Amazônia.

Hoje quem está no comando de tais ataques são os ecologistas travestidos em ambientalistas, que integram milhares de ONGs internacionais que infestam o Brasil e que no passado, em sua grande maioria, eram bancadas pelo nosso próprio dinheiro. Fazem parte dos argumentos emissões de GEE; incêndios florestais no nosso país enquanto não consideram que, em determinadas estações do ano, o mundo inteiro se incendeia, a única diferença é que em outros países os incêndios são causados por “combustão espontânea” e aqui são creditados às ações dos brasileiros; desmatamentos ilegais (uma definição criada por nós por descumprimento do Código Florestal que, em ataque direto ao conceito de propriedade privada, impede que os proprietários das terras produzam nas áreas que são suas, adquiridas de forma totalmente lícita e com seu “suado” dinheirinho, além de certos limites, legislação típica de um estado intervencionista). O que nos leva a raciocinar: Se não existisse o Código Florestal, todo e qualquer desmatamento seria legal como ocorre na maioria dos países. 

Quando me refiro ao Código Florestal, não significa contestação a ele, sim para demonstrar a todos que as afirmativas de que os brasileiros não têm consciência ambiental é uma “deslavada mentira”, uma vez que a nossa legislação de proteção à natureza é uma das mais antigas, talvez a mais antiga, e data da época do Império.

A consciência brasileira que deu origem ao Código Florestal criou a pior arma que os ambientalistas hoje usam contra nós: o desmatamento ilegal. Fica aqui uma advertência: todos têm que lutar e defender a Amazônia da cobiça internacional, sem importar os argumentos usados. Afinal, não se pode ser patriota pela metade.
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