30/10/2021 às 19h13min - Atualizada em 30/10/2021 às 19h13min

A boçalidade sem virtude de Paulo Guedes

Vicente Cruz Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia) Foto:Arquivo/Pessoal
O Ministro da Economia Paulo Guedes, mais uma vez, protagoniza uma cena bisonha, desrespeitosa e arrogante, desta vez contra o seu colega, Ministro Marcos Pontes, da Ciência, Tecnologia e Inovações. Chamou-o publicamente de burro e arrematou dizendo que “não sabia o que estava fazendo no governo” dado a mediocridade que o cerca. Tudo porque Marcos Pontes resmungou contra o corte no orçamento de sua pasta que quase o reduziu à nulidade. Paulo Guedes, desde a campanha política para eleger Bolsonaro, revelou um comportamento avesso à ética, à humildade e ao respeito com seus semelhantes. Achava-se o homem impecavelmente virtuoso que consertaria o Brasil com suas “sacadas na economia” e jogaria no lixo tudo o que, até então, havia sido produzido para solucionar os problemas que afetavam a economia do país. Era o que no futebol se chama de “jogador bocão”, aquele que se julga o tal para resolver a parada.

Sucede que, na prática, Paulo Guedes joga um futebolzinho que mal dá para ser titular em um treino. É o jogador que só está no time porque compõe a panelinha do presidente do clube. Não tem nada que o faça merecer destaque na pasta que dirige. Até agora só se viu arrogância, prepotência e maus resultados. Seu desempenho é pífio e, caso não compusesse a panelinha do presidente,  estaria merecidamente no olho da rua. Paulo Guedes não admite ser contraditado e seus assessores não são ouvidos. É aquele chefe que arrasa na reunião, mas não traz nenhuma solução prática para os problemas. Sua condução na economia irrita até aqueles mais complacentes e éticos com desempenhos pífios, como é o caso de Henrique Meirelles, ex-ministro da economia, que já operou em cenários bem mais sombrios.

A boçalidade de Paulo Guedes se assemelha ao valentão da periferia que na hora do fight não aguenta o primeiro sopapo. Todas as suas promessas de campanha para colocar a economia nos trilhos não se concretizaram. O pior, é que seus assessores, em recente debandada do Ministério, disseram que a economia do país vive de improvisos e de irresponsabilidade fiscal. Paulo Guedes já provocou frenéticos movimentos no mercado financeiro capaz que tornar o país a temível Venezuela. Não há um projeto para o país em sua gaveta e nenhuma orientação que caminhe nesse sentido. A crueldade se desenha quando o presidente, zerado em economia e responsabilidade fiscal, dito por ele próprio, deixa tudo na mão do boçal da república.

Paulo Guedes, com sua boçalidade sem virtude, vai afundando o país com seus improvisos estratégicos. Seria a hora de o presidente tomar um chá de humildade e recorrer à mentes bem mais profícuas, capazes de amenizar a tragédia perpetrada pelo seu queridinho da economia. O valentão da economia é um atraso para o país e um bocão que não traz “bicho” para o elenco. Como disse o ponderado e técnico Henrique Meirelles: “a situação não é fácil. Mas há como resolver os problemas e voltar a crescer e gerar empregos. Precisamos de diálogo, austeridade fiscal, e aprovar as reformas administrativa e tributária e principalmente respeitar o teto de gastos para controlar a inflação.” Respeito e diálogo são virtudes que o boçal da república repugna. Para ele tudo se resolve no grito e na arrogância. Pobre dos brasileiros!
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