19/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 19/07/2020 às 07h00min

Tapa no bumbum é educar?

Dra Denise Morelli Foto:Arquivo/Pessoal
Em um mundo que os valores andam invertidos e o respeito se tornou peça rara, uma tática de educação tão antiga entra em discussão e ganha até uma lei para se fortalecer. Se existe um assunto que gera controvérsias é esse: palmada educa ou deseduca?
Para alguns, a palmada é uma correção, uma forma do pai ou mãe educar e mostrar que a criança está fazendo algo de errado. Para outros é uma maneira pré-histórica de ensinar e tudo que conseguem é ensinar a violência para o pequeno em formação. A polêmica se divide em opiniões totalmente diversificadas, que vão daqueles que são totalmente contra qualquer tipo de agressão física, seja uma palmada nas nádegas até mesmo um puxão de orelha até aqueles que são a favor da correção com “um tapa no bumbum”.

Enquanto a solução tradicional, a palmada não desapareceu completamente ainda do repertório educativo, é nítido que os tempos mudaram. A preferência de resolver este tipo de situação é nas formas não violentas. A favorita delas é a alteração do tom de voz. Mostrar um tom mais firme sinaliza à criança que tem alguma coisa errada. A conversa mais tranquila e explicativa, que pode inclusive seguir uma mudança de vez, também é uma das formas de solução mais escolhida. O diálogo é importante para mostrar certo e errado e também exemplificar situações. Na maioria das vezes, esse processo é mais bem recebido por crianças maiores. Porém com os menores pode haver dificuldades de compreensão. Independente disso surtiria algum efeito, ao menos mostra uma ternura no momento de corrigir uma falha.

O famoso “castigo” hoje não tem mais vez em famílias com crianças pequenas. Os pais adotaram outras formas de ensinar às crianças. Realmente tirar benefícios e objetos, que as crianças gostam muito, pode ajudar na educação pois assim ela teria um bom motivo para pensar no que fez de “errado”. Em vez de privar o filho de alguma coisa, poderia até oferecer outro. Para muitos pais, isso significaria uma derrota educativa porque precisam “comprar” a criança para fazer o que eles querem. Isso pode ocasionar outros problemas futuramente quando o benefício precisa ser cada vez maior.

Por fim a palmada! Ela, que por muitos é abominada, ainda tem vez nas famílias brasileiras. Não é que palmada para esses pais signifique espancamento, mas uma forma de chamar a atenção aplicada como último recurso. Alguns psicólogos defendem a tese de que crianças que sofrem correção através da palmada não aprendem a lição, conseguindo entender que fez algo de errado e sim ficam receosas com seus pais, com medo da situação se repetir, por isso não voltam a cometer o ato novamente. O que deveria ser respeito acaba virando medo, será mesmo?

Atualmente, o método de se educar filhos é a base da conversa, do bom diálogo e se mesmo assim não se ver resultados, o castigo é aplicado. Crianças perdem momentaneamente seu vídeo game, celulares, jogos e afins em troca de seu mau comportamento, visando que enxerguem o erro cometido. Alguns pais utilizam do argumento de terem sido criados a base de palmadas e seriam muito gratos pela educação. Por isso querem passar o mesmo ensinamento para seus filhos. Já outros tiram suas conclusões e mudam seus métodos educacionais justamente por não aceitarem a forma que foram corrigidos e punidos na infância, alegando que se traumatizaram com isso.

O Que Diz a Lei com Respeito a Palmadas
Outra grande discussão relacionada ao assunto é sobre limites da palmada. Um tapa no bumbum é menos agressivo do que um puxão de orelha ou de um surra de cinta? Visando a falta de controle dessas palmadas corretivas e enxergando um grande número de crianças sendo agredidas fisicamente todos os dias, um projeto protegendo e proibindo a palmada educativa e qualquer outro tipo de correção física ou de tratamento cruel foi criada.

A lei 13010/14 do Estatuto da Criança e do Adolescente aprovada recentemente pelo senado visa punir pais ou responsáveis que usarem da força física para educar seus filhos a sofrer advertência, passar por cursos de orientação e passar por acompanhamento psicológico. Muitos senadores se opuseram à lei, acreditando que os pais ficarão vulneráveis a denúncias e acusações falsas, obrigatoriamente pagando por um erro sem fundamento.

Especialistas em comportamento infantil alegam que a conversa e a explicação do erro cometido é muito mais válido do que uma chinelada ou uma palmada. A psicóloga Super Nanny aconselha o método do “cantinho da disciplina”, onde a criança deve ser colocada em um espaço reservado para que pense no que fez de errado, mas nem todos os pais veem benefícios nesse método acreditando que a criança só tende a ficar ainda mais nervosa no tempo que deveria pensar.

É considerada violência infantil quando pais ou adultos responsáveis por aquela criança ou qualquer adulto do convívio do menor seja babá, professor, tios ou parentes pratique agressões psicológicas, físicas ou até mesmo sexuais abalando e causando danos não só físicos, mas psicológicos na criança. Grande maioria dos casos ocorre em lares de pais alcoólatras, viciados em drogas ou com transtornos psicológicos, que costumam causar negligencias ou imprudências no agir com seus filhos ou criança, cometendo atrocidades como se fosse algo natural.

O grande problema é estabelecer o limite, não existe uma medida técnica, porém sabemos que se inicia com uma palmada e evolui para a agressão.

Se bater em um adulto ou em um animal é crime, porque bater numa criança é educação?

https://www.trocandofraldas.com.br/palmada-educa-ou-deseduca/





Denise Morelli 
Psicóloga Jurídica na POLITEC, Coordenadora Nacional da Especialização em Criminologia e em Psicologia Jurídica e Inteligência Forense do INFOR, Professora de diversas Universidades em cursos de graduação em Direito e Psicologia, Especializações e Mestrados, Palestrante Nacional e Internacional, Tutora da Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP.
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