27/11/2021 às 18h20min - Atualizada em 27/11/2021 às 18h20min

A Estrela da Sorte

José Altino Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas. Foto:Arquivo/Pesssoal.]
 
 
A descoberta no setor mineral é caprichosa e muitas ocorrem de maneira até bizarra. 
 
Nossa avançada geologia, na maioria das vezes, acaba surpreendida por episódios desconcertantes. 
 
Salomão Cruz, geólogo dos bons, com fama de mateiro e pesquisador, teve na vida sua grande oportunidade de acrescentar ao seu currículo profissional um sensacional achado mineral por acontecimento insólito e até besta. Meses a fio na mata, procurava ele o que seria mais tarde a grande Mina de Pitinga. 
 
Toda aquela região apresentava indícios do mineral, sem, no entanto, mostrar sua maior e principal ocorrência. Os serviços eram contratados pela estatal CPRM - Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais, na época, proprietária da área. 
 
Já cansado e até um pouco desiludido com tanto conhecimento e planejamento acadêmico resultando em nada, arranchou numa tarde e quedou-se em sua rede de garimpo. Todo o acampamento já se preparava para o anoitecer e o cozinheiro recolhia as tralhas para lavar em córrego próximo, o que se fazia usando suas areias como sabão. 
 
Não tardou nada o cozinheiro incomodar o doutor Salomão em seu descanso: 
 
–- Douto, veja, aqui, no prato que fui lavar, não é este o minério que nós estamos procurando”? 
 
Salomão ficou puto!
 
Aquele “nós”, usado na linguagem do mestre cuca, o incomodou e agrediu seu diploma. Mas ali estava o procurado e num prato de comida, que, longe de ser bateia, só trazia fama ao cozinheiro. 
 
Dizem que esse prato existe até hoje nalgum museu, prateleira ou algo parecido da CPRM. Salomão, apesar de contraditar toda esta história, aguarda até hoje o que julga de justiça:  reconhecimento.
 
Sempre foi assim. Ele mesmo jamais creditou a si os méritos. 
 
Quem fez, por que fez, nunca interessa. 
 
O país nunca se preocupa em entender quem são essas pessoas que se embrenham no mato e o que as move, mas, se algo de negativo surgir, essas pessoas serão sempre e tão somente as únicas vistas, lembradas e culpadas.
 
Desde os bancos escolares reverenciamos, dentre outros bandeirantes, Raposo Tavares, que dá nome até para estrada importante em São Paulo, mas o País nunca se interessou em saber quem foi esse homem e sua estirpe. E olha que ele saiu das terras de Piratininga com cerca de dez mil homens, foi até Porto Velho (Rondônia) e chegou até Belém do Pará, com, apenas, um só companheiro! 
 
Sua notoriedade prendeu-se mais ao seu retorno: a mulher estava casada e gorda... 
 
Nos tempos atuais, imaginar uma viagem como fez e o custo, dá para assustar. Com certeza, porém, o decepcionante seria verificar que hoje não se encontrariam homens para a empreitada; indiscutivelmente, o artigo mais em falta para qualquer coisa.
 
Aí está uma lacuna na formação da personalidade nacional e de sua afirmação; jamais se procura entender, estudar e até aprender com essas pessoas que foram capazes de promover empreitadas de tamanha envergadura. Em nosso País, no mais das vezes, apenas registra-se o que o homem fez, sem nenhum aprofundamento de quem é ele, seu valor, personalidade e mesmo força de liderança. E acabamos criando mitos do tipo Fernão Dias e mais nada. 
 
O Brasil abandonou na história homens como, por exemplo, Bartolomeu Dias e Diogo Jorge, o Velho, os quais, com a simples leitura de suas sagas, nossas mentes trabalham febrilmente para formar ideia do tipo ou do que, no íntimo, movia esses homens: força, coragem, determinação e, principalmente, capacidade de liderança. 
 
Lamentavelmente, para a nação não importou a grandeza de suas realizações e, muito menos, o tipo de gente que deixava o convívio social, seu habitat e ia para o desconhecido e arriscado lugar algum e todo lugar.
 
Acredito que certas pessoas têm grande agressividade íntima de viver; não querendo perturbar ninguém, mas desejando levar vida plena e útil, com objetivo. Essas pessoas não se acomodam; querem ter volume no viver. Por isso, não se permitem ficar e se tornarem, apenas, reivindicantes sem espaço. Eles o procuram e o fazem, sem nada exigir nem mesmo como sem-terras. Cada um age dono de confiança individual notável. Personalidades ímpares que construíram praticamente tudo o que temos e de que nos orgulhamos.
 
Assim como nos orgulhamos e muito, dos balseiros do rio madeira que acabam de mostrar ao país, a imensa riqueza em solo de nossa nação. Mesmo que nela estejam escondidos debaixo de tanta água como aquele rio possui.
 
Com certeza, nosso governo vai desconhecer o valor e o tamanho da descoberta pondo de lado a fortuna e o interesse nacional e ouvindo Ong’s devera escorraçar aqueles trabalhadores. Uma pena...
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