04/12/2021 às 00h36min - Atualizada em 04/12/2021 às 00h36min

A LEI QUE MUDA A VIDA DE TODOS: A LEI -TURA

Jorge A. M. Maia. Foto: Arquivo Pessoal
Sempre que começa o ano letivo, em minhas primeiras aulas, eu gosto de iniciar falando de uma LEI que muda a vida de todos. E é muito comum que meus alunos fiquem curiosos por saber qual é essa lei. Sendo assim, vou criando uma atmosfera muito propicia para conversar com eles sobre essa tal lei, na qual, ao passar das horas, faz aumentar cada vez mais o desejo de eles saberem sobre o que se trata. Então, quando percebo que eles já atingiram o ápice da curiosidade, eu lhes digo que é a LEI – TURA. 

Logo vejo o sorriso em seus rostos e a satisfação de falarmos de um assunto tão importante para eles como alunos ou indivíduos. Porém, os indago: O que é leitura? Qual é a sua importância para a nossa vida e crescimento pessoal?

Comumente se acredita que ler é a habilidade de interpretar os sinais gráficos convencionados da língua falada. Mas não é apenas isso. Mais do que interpretar, ler é compreender a mensagem que estes sinais nos transmitem. Para Moacir Gadotti: “ler é ver o que está escrito, interpretar por meio da leitura, decifrar, compreender o que está escondido por um sinal exterior, descobrir, tomar conhecimento do texto da leitura. Todas estas definições, finalmente, implicam na existência de um leitor, de um código e de um autor”.

Observa-se que o mundo lê desde o momento em que abre os olhos, de manhã. O relógio diz se é tarde ou se é cedo para os compromissos do dia. Pela cara do tempo a gente pode avaliar se o dia vai ser de tempo bom ou se vai ser preciso agasalho. Tudo isso é leitura, e prosseguimos lendo o dia inteiro, a vida inteira, sem nos darmos conta. E da realidade cotidiana nasce, naturalmente, o conhecimento do mundo das palavras e das frases escritas. A leitura é um dado cultural.

Para Leonardo Boff, ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. 

A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.  

Sendo assim, fica evidente que cada leitor é coautor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita. Com estes pressupostos vamos lendo livros de gêneros e histórias variados. Essas histórias serão lidas e compreendidas de forma particular, pois cada um lerá e relerá conforme forem seus olhos. Compreenderá e interpretará conforme for o chão que seus pés pisam. 

Os livros têm seu próprio destino, pois o destino dos livros está ligado ao destino dos leitores, pois leitura, também, é uma busca humana por integração e por equilíbrio dinâmico.

Neste texto é proposto uma leitura mais ampla, uma leitura de mundo. Sendo assim, a poesia pode ser um objeto de leitura ampla, pois nela contém um mundo amplo de sentidos e significados. Para ler poesia, é preciso estar preparado para pensar criticamente, é preciso ter a mente aberta e criativa. Imaginar cenários. Ler um poema é ler um contexto. O poema diz mais do que as palavras exprimem à primeira vista. Não à toa, diz-se que a poesia é o lar das metáforas, do sentido figurado e extensos significados. Poesia é um mundo a ser percorrido.

“Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam” (Leonardo Boff)

ENIGMA 

No cerne do silêncio 
Nada sabemos 
Ou ouvimos, e
Tudo que vemos
Não nos diz o que 
somos 
Nem o que seremos.

Jorge A. M. Maia

BORBOLETAS.

Voam assim as borboletas 
Sobre guirlandas de flores
Libertas de seus casulos
Vestidas de todas as cores.

Voam assim as borboletas 
Pelas gramas verdes pairando
Colhendo, de tantos, a alegria
Sobre os olhos nus do campo.

Voam assim as borboletas.
Sobre a minha pouca alegria 
Exuberantes, voam exibidas 
Enchendo de cores meus dias.

Jorge A. M. Maia
Jorge A. M. Maia

Jorge A. M. Maia

Jorge A. M. Maia é paraense, Professor formado em Letras com Inglês, Especialista em Educação Especial, é escritor, compositor e poeta

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