19/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 19/07/2020 às 07h00min

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

Vivian Soares. Foto:Arquivo Pessoal.

Talvez apaixonante seja o epíteto mais adequado a esse filme. Em uma atmosfera de amor, livros e curiosidade crescente, ‘’A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata’’ surpreende e instiga, tanto pelo título peculiar quanto pela forma leve e prazerosa que a história, mesmo repleta de dramas, se desenvolve.

Se passando em 1946, na Inglaterra pós Segunda Guerra, o enredo se desenvolve a partir da jovem escritora Juliet Ashton (Lily James), que publica seus livros com um pseudônimo masculino e, prestes a se casar, recebe uma carta de um desconhecido, morador de Guernsey, uma ilha pequena que, assim como tantas outras, foi invadida pelos nazistas durante a guerra. Ele lhe conta a respeito da Sociedade Literária a Torta de Casca de Batata e, fascinada, ela parte em uma viagem para a ilha, a fim de conhecer melhor a história de seus habitantes e da Sociedade. O que ela não imaginara, é que descobriria neles uma série de traumas provenientes dos cinco anos passados, que ainda assombravam toda a Guernsey.

Apesar de a trama abordar temáticas tão sérias quanto os terrores da guerra e suas marcas, sua desenvoltura conserva-se divertida e romântica do começo a fim, conseguindo equilibrar o drama, a comédia e o romance perfeitamente. Exalando espírito aventureiro e bom humor, com personagens cativantes e arcos coerentes, cada detalhe do filme consegue ser deliciosamente adorável.





O Vazio do Domingo
 
Um drama espanhol brutalmente melancólico e imersivo, que inova ao explorar o lado mais obscuro da relação entre uma mãe e uma filha, e ao fazer isso da maneira mais convidativa e lúgubre possível, oferece ao espectador uma perspectiva pouco convencional, e até mesmo perturbadora da maternidade.

Desde o começo, percebe-se o ar conceitual e soturno no qual a trama se desenvolve. De um lado, temos Chiara (Bárbara Lennie), uma mulher solitária e amargurada que foi abandonada pela mãe com apenas 8 anos de idade, do outro, Anabel (Susi Sánchez), a mãe de Chiara, que é rica e popular, mas tão sozinha e pesarosa quanto a filha. Quando a filha decide encontrar Anabel, lhe faz uma proposta que não pode ser reconsiderada nem por suborno: Passar 10 dias com ela. A partir daí, as duas convivem durante esse pequeno período, e com o tempo, Chiara lhe faz outro pedido, mas dessa vez, um irrevogável e absurdo. 

Com uma fotografia impecável, um suspense eletrizante e personagens repletas de humanidade, ‘’O Vazio do Domingo’’ é um retrato tangível da solidão, do abandono, do trauma e do sofrimento e das cicatrizes que o tempo não pode curar, que aborda essas questões com uma crueza eloquente, compassada e certeira. 

Um filme que choca por sua temática brusca, impressiona por desenvolvê-la de maneira fascinante e controversa.




Vivian Soares
Estudante e crítica de cinema 
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