19/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 19/07/2020 às 07h00min

BOM DIA, MEU FILHO, DORMISTE BEM?!

Paulo Rebelo. Foto: Arquivo Pessoal.
A coisa mais gostosa num domingo cedo pela manhã é tu escutares a doce voz de tua mãe (84 a), dizendo assim pelo celular: “oi, meu filho querido, dormiste bem?”.

A seguir, em nossa casa, ela, já com certa dificuldade física, necessitar de alguma ajuda e paciência, além de tua gentileza, para tomar café da manhã contigo, servindo-lhe sua tapioquinha na manteiga com café preto quentinho que ela tanto gosta e nós dois conversando, às vezes, reminiscências. Isso tudo se chama GRATIDÃO e carinho que tenho por ela.

A minha mãe, carinhosamente, repete sempre essa frase há muitos anos, pois eu ainda bem menino, com receio de incomodá-la com a algazarra de crianças, ficava horas brincando em silêncio, até que ela despertasse e aí eu corria ao seu encontro ainda deitada e a abraçava e a beijava, perguntando-lhe: “mamãe, tu dormiste bem?”

Não era nada fácil sua vida de dona de casa, com quatro filhos para criar e educar, ainda mais sozinha, pois meu pai passava semanas e até meses, viajando pelos rios da Amazônia de barco, como prático de “gaiolas”.

A minha mãe tinha que exercer a autoridade segura de um pai, contrabalançado com o amor de mãe, em meio a sua lida e eu, no fundo, percebia isso e por isso, temia, um dia perdê-la.

Ainda, hoje, eu, eternamente vigilante, às vezes, receioso de que venha ou tenha lhe ocorrido algo de mal durante a noite, quando ela me liga, curiosamente, essa é a gostosa brincadeira dela para me dizer que está muito bem!

Alegre e com o coração a mil de sentir que ela está bem, eu repito: “sim e tu, mãezinha querida, dormiste bem?”




Paulo Rebelo
Médico e poeta
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