18/12/2021 às 12h18min - Atualizada em 18/12/2021 às 12h18min

FESTAS DE FINAL DE ANO ENTRE MÁSCARAS E ESPERANÇAS.

Rogerio Reis Devisate Advogado. Defensor Público/RJ junto ao STF, STJ e TJ/RJ. Palestrante. Escritor. Foto:Arquivo Pessoal.
O fim do ano se aproxima e o Natal já espalha o seu brilho de luz.

Para grande parte do mundo, chega o tempo da mistura de uma profusão de emoções.

É a época em que alguns familiares e conhecidos se cumprimentam com o entusiasmo que, ao longo do ano, esteve ausente ou nem sempre foi revelado. Parece uma corrida para tentar recuperar o tempo perdido.

Um dos milagres da mágica noite é a de catalisar um processo que, uma vez iniciado, parece não ter fim... O milagre de fazer brotar a vontade de falar com gente que também esqueceu da gente e superar esse vazio com palavras e sentimentos realmente hábeis a ecoar além de um dia ou uma noite e se espraiar com tanta intensidade que o espaço-tempo de um ano parece ser preenchido.

Do mais elevado sentido do Natal à mera troca de presentes, inegavelmente é um tempo no qual ficamos mais propensos a entusiasmados abraços e saudações.

Este é mais um ano atípico. Como o Natal passado, as grandes comemorações familiares dará lugar a festas com menos gente e, como linguagem corrente, sem aglomeração.

Já estamos voltando a viagens e a um quase normal, mas a Epidemia ainda não terminou e ignorá-la por completo ainda pode gerar um indesejado intruso junto com os encontros de Natal...

Capitais e cidades cancelaram os grandes festejos de Réveillon. A promessa de risco de agravamento dos casos de Pandemia alimenta a prudência e leva governantes a assim decidir, tanto por cuidado com a população quanto por preocupação com os eleitores, diante do ano eleitoral de 2022. Ninguém quer a pecha de despreocupado com o povo ou de “genocida” e muitos habituais patrocinadores também devem ter sentido esse risco e se afastado, por prudência e exercício de compliance político-gerencial.

Em tempos em que a imagem é tão valorizada, marcas, empresas e políticos se dividem entre fazer o que a técnica pode considerar correta e o que o dano à imagem pode produzir. O cotejo entre essas forças deve ser alimentado pela consciência de que grave dano à imagem pode ser incorrigível.

No próximo Réveillon a comemoração terá duas razões inequívocas: o fato de chegar ao fim mais um ano com graves questões ligadas à Pandemia e o sonho de que 2022 nos permita uma vida normal e não – de novo e ainda – o “novo normal” que não passa de uma intenção de retomada das nossas vidas e que de “normal” ainda nada tem. 

Ademais, à Pandemia do Covid se soma a Epidemia da Gripe. Curioso que o que de normal voltou são doenças que pareciam também contidas no mais rígido período de isolamento ou de lockdown (como gripes tradicionais, dengue, etc.).

Se 2020 introduziu as máscaras em nossas faces, com qualidade de acessório temporário, 2021 deixa claro que as máscaras ainda estarão em nosso convívio por longo tempo. Mudaram as rotinas de vida familiar e no trabalho, já que o home office veio para ficar em alguns setores, nos  proporcionando meios para realizar atividades profissionais, agora percebendo o quanto de tempo desperdiçávamos com o deslocamento nas grandes cidades, percorrendo ruas congestionadas e nos expondo a riscos com acidentes e assaltos e gasto de tempo e dinheiro.

Também percebemos o abandono dos sorrisos e como visualmente nos fazem falta. Aliás, deixaram de ser transparentes os sorrisos, já que as máscaras os ocultam. As vozes também não soam com tanta clareza, sob o efeito do abafamento que as máscaras ocasionam. Da linguagem facial, apenas o olhar fica a nos revelar, com clareza solar, o que vai em nossas intenções. 

O sorriso do Coringa pode esconder o mal, que habita o seu coração transtornado. Como o sorriso e o riso nos contagiam com facilidade, têm a habilidade de atrativa ferramenta ilusória, capaz de distrair a nossa prudência e razão e nos levar ao abismo.

Os olhos, não! As máscaras não os escondem e, como espelhos da alma, refletem o que vai em nosso interior. O olhar revela o estado do ser: triste, falso, egoísta, vingativo, feliz, aliviado, melancólico, transparente e até dá para se perceber quando algo é disfarçado. Desviado, o olhar indica timidez ou mentira.

Que tenhamos um Natal onde a verdade em nossos corações seja o que os olhos demonstrem. Que os sonhos se realizem em 2022 e que sonhemos com liberdade plena tendo o mesmo vigor para agir e realidade o que vai em nossa mente.

Do mesmo modo que a vaca não dá leite (sendo necessário que alguém a ordenhe) o sonho não se realizará por si só e muitos dependerão de como agirmos para que a sua concretização. Seja qual for o sonho, é preciso compromisso e foco, senão o novo ano terminará antes que qualquer coisa seja feita pela realização do sonho e este ficará como frustração ou uma abandonada intenção.

Sonhar não tem relação com o devaneio de achar que merecemos um presente fantástico que “caia do Céu”...

Que não nos esqueçamos do que tantos falaram e vaticinaram, sobre empatia e transformações da humanidade, quando a Pandemia começou no mundo, com as medidas de restrição e lockdown. Parece que já nos esquecemos dessa promessa de mudança coletiva.
Para muitos é mais fácil esperar pela transformação da humanidade do que pela própria autotransformação.

Que nesses tempos de festejos de final de ano possamos avançar em nossos planos e propósitos e ter, no ano vindouro, tudo o que desejamos.

Feliz Natal e próspero 2022!
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