01/01/2022 às 15h42min - Atualizada em 01/01/2022 às 15h42min

MADE IN AMAZÔNIA

Marcelo Creão. Foto: Arquivo Pessoal.
Com a chegada no final do ciclo anual, a vida se enche de alegria. É momento de renovar as esperanças e novos sonhos se acendem. Na Amazônia, além dos sentimentos de amor e gratidão ocorre um movimento intenso de idas e vindas nas “ruas” fluviais que mostram a sua pujança.

Nos seus 9 estados (Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), a Amazônia possui 808 municípios, e incalculáveis comunidades, vilas, vilarejos e ou mesmo família que moram isoladas, mas que mesmo assim, tem alguma integração com outros agrupamentos.

Essa região é detentora de uma grande diversidade étnico-cultural com uma população de mais de 24 milhões de habitantes, dos quais mais de 450 mil são indígenas distribuídos em mais de 173 povos reconhecidos.

A Amazônia brasileira é uma das principais regiões produtoras de madeira tropical no Brasil e no mundo. Com as florestas ocupando mais de 3,2 milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia brasileira abriga quase um terço das florestas tropicais do mundo. A sua imensa rede hidrográfica, um quinto das águas doces superficiais do mundo, abriga o maior potencial hidrelétrico do Brasil estimado em mais de 70 Gigawatts. E sobre solos relativamente pobres cresce uma floresta exuberante e com altíssima biodiversidade que desempenha papel chave na regulação do clima regional e global.

Atualmente, a produção mineral na Amazônia brasileira está concentrada no Pará, que responde por 49,2% de participação na produção brasileira, segundo dados do Anuário Mineral Brasileiro de 2020, elaborado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), com destaque para ferro, bauxita, níquel e ouro. A segunda colocação é Minas Gerais, que concentra 40,1% da produção nacional. Para explorar e exportar os minérios de Carajás, foi montado, em 1979, o projeto Grande Carajás, que envolveu a delimitação da área, a construção de uma ferrovia entre a zona mineradora e o porto de Itaqui (Maranhão) para exportar os minérios e a instalação de pólos de desenvolvimento industriais e agropecuários.

Até a década de 1970, a indústria da Região Norte era pouco expressiva e estava ligada ao beneficiamento dos produtos extrativos vegetais (borracha, castanha-do-pará, madeira) e aos ramos tradicionais de bens de consumo (alimentos, bebidas, vestuário). A instalação de indústrias é um processo recente e deve-se principalmente a uma política para integrar a Amazônia ao restante do Território Brasileiro.

A primeira experiência de industrialização da Região ocorreu por meio da criação da Zona Franca de Manaus em 1967. Trata-se de uma área de livre comércio em que não são cobrados impostos de importação sobre os produtos comprados do exterior. Estão instaladas aí mais de quinhentas indústrias, sendo trezentas de grande porte. Em sua maioria, são apenas montadoras de produtos obtidos com tecnologia estrangeira como relógios, material elétrico e de comunicações e outros bens de tecnologia avançada, com destaque para automóveis e computadores. 

Outro centro industrial do Norte está em Belém, que tem uma grande concentração de indústrias produtoras de bens de consumo não só para a população do Pará, mas também para São Paulo e Rio de Janeiro. Destacam-se as indústrias de alimentos, de fumo, de bebidas, de produtos farmacêuticos, de couro, de perfumaria, etc.

Com base nos dados do IBGE, a produção agropecuária dentro do Bioma Amazônia é bastante diversificada. Aves, bovinos e peixes, assim como a soja, o milho e o girassol, dividem espaço com espécies nativas da Amazônia.

O processo de desenvolvimento regional provocou a conversão de 65 milhões de hectares de vegetação nativa para a agropecuária, sendo a maioria, 52 milhões de hectares, utilizada com pastagens, que hoje sustentam um rebanho bovino de 57 milhões de cabeças, ou 31% do rebanho bovino brasileiro.

A outra grande fonte de proteína é produção de pescado que sem sombra de dúvidas é uma oportunidade para a Amazônia produzir uma proteína nobre e gerar milhões de postos de trabalho, emprego e renda e fazer isso de forma sustentável aproveitando o vasto território de águas da região tem condições de ser uma das maiores produtoras de pescado cultivado no mundo.

Quando se fala em proteína alternativa, significa alternativas para as proteínas de origem animal. Assim trabalha-se para promover tecnologias para as proteínas vegetais, ou melhor, feitas de plantas.

Além do que se produz nessa região, há ainda a produção nativa com imensas riquezas. Se preservar, ainda temos produção para os próximos 500 anos. marcelocreao@gmail.com
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