19/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 19/07/2020 às 07h00min

Marcos Reatégui

Marcos Reátegui. Foto:Arquivo Pessoal

O AMAPÁ, PROJETADO PARA SER UM PARAÍSO, HOJE NÃO É EXATAMENTE ISSO. MULHERES ASSASSINADAS, ABANDONADAS POR QUEM DEVERIA CRIAR POLÍTICAS PÚBLICAS E APRESENTAR UM PROJETO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL. FALTOU SEQUÊNCIA AO TRABALHO. 

 
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Continuando a tratar desse importante tema que é o enfrentamento à violência praticada contra a mulher, hoje quero me ater à importância de políticas públicas que ofereçam às vítimas, condições para alcançar a liberdade financeira e prover o próprio sustento, possibilitando a saída da situação de abuso.
 
Após mostrar a importância de campanhas educativas e de conscientização, por parte do CNJ e AMB, destaquei que dos políticos o povo espera mais do que aderir a campanhas, espera resolutividade, ações concretas e efetivas para tirar as vítimas da situação em que se encontram. 
 
No domingo passado, falei especificamente da importância da acolhida psicológica e afetiva que as mulheres em situação de violência doméstica precisam encontrar quando se socorrem junto ao Poder Público. Nesse contexto, destaquei que deve ser criada uma rede de apoio à mulher vítima de violência, capaz de integrar órgãos e serviços públicos, oferecendo uma atuação multidisciplinar de profissionais para atender as vítimas, e que esses profissionais já estão no serviço público e precisam apenas de capacitação e organização.
 
Hoje, passo a tratar da necessidade urgente de criar condições das vítimas proverem seus sustentos. Sim, é possível. Com gestão, é simples organizar programas para capacitar as vítimas acolhidas pela rede de apoio à mulher, vítima de violência. Tais programas devem oferecer, para além de estudo formal tradicional, principalmente, capacitação para garantir o ingresso rápido e prioritário no mercado de trabalho, pois a capacidade de se sustentar e crescer profissionalmente é uma porta de saída concreta para quem é vítima de abuso, que precisa substituir a imagem do “provedor do lar” pela realidade do algoz da violência e da opressão.
 
Para isso, necessário fomentar o empreendedorismo, especialmente o feminino, criando e estimulando a criação de redes de cooperação capazes de unir mulheres nas mais diversas situações com potencial econômico. A ideia, com isso, é unir através de laços pessoais e econômicos essa parcela que corresponde a mais de 50% da população brasileira. A força e o poder transformador das mulheres é algo indiscutível e todo gestor público deve atuar fortemente para impulsiona-los.
 
Proponho uma rede de cooperação capaz de unir, por exemplo, a mãe que precisa sair para trabalhar fora - e não tem com quem deixar os filhos, com a mãe que se dispõe a cuidar dessas crianças, gerando uma atividade que renda retorno financeiro e conforto a ambas. Uma rede capaz de unir mulheres que trabalham no preparo de alimentos, de modo que se tornem fornecedoras das refeições para o próprio Poder Público e para empresas parceiras. Uma rede onde mulheres que tiveram a oportunidade de alcançar formação educacional e acadêmica mais avançada possam ser tutoras e instrutoras daquelas que, por terem tido menos oportunidade, precisam agora buscar qualificação. Noutras palavras, incentivos para quem, pessoa física ou jurídica, ajudar na capacitação da mulher vítima da violência.
 
Como se vê, há muito a ser feito. Mas para ter resultados concretos, que mudem as vidas das pessoas, os eleitos pelo povo precisam ir além de ecoar campanhas educativas – que sequer são de sua autoria! Há que se fazer mais, a sociedade espera isso dos governantes. Um governo deve ser facilitador da organização da sociedade civil em todos os espectros, agindo como agente catalizador e capaz de direcionar as energias e recursos para solucionar problemas sociais.
 
As soluções práticas que venho apresentando nesta coluna, evidenciam a falta de gestão que, aliada à corrupção, levou a população ao limite. Todos estão despertando e tomando consciência coletiva de que somos uma sociedade que não aguenta mais ser abandonada, roubada e maltratada. Por isso acompanhamos juntos, cada vez mais, as reações à má gestão e ao desvio de recursos públicos. Os governantes de todos os poderes precisam enxergar que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências… É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!


Marcos Reátegui 
Advogado, ex-procurador geral do estado, ex-deputado federal, atual delegado da Polícia Federal.
 
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