26/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 26/07/2020 às 07h00min

Coração de vidro


Em tempos de medo a fragilidade impera, e na educação não é diferente. Nunca houve momentos tão melindrosos na qual a educação vivenciou.

O coração da educação está temeroso ao retorno presencial, batendo tão forte que não consegue se acalmar quase tendo um infarto a cada batida acelerada. A educação tem um coração de vidro forte se for manuseado por mãos cuidadosas, mas frágil se as mãos o deixarem cair.

O coração de vidro poderá se estilhaçar ou apenas trincar depende de como as mãos responsáveis o manusear. Se deixarem cair, será que o coração será o mesmo? Vidro quando cai geralmente se estilhaça e a única forma de juntar é colando, mas nunca mais será o mesmo, porém também nesta queda o coração de vidro poderá ter apenas um trincar, ainda assim jamais será o mesmo, sempre haverá um ferimento.

Estamos com o coração machucado há muito tempo, a educação sofre com esses ferimentos, sendo arrastados por décadas, mas como o coração é de vidro ele era blindado para que não fosse evidenciado seus ferimentos. Hoje não há cobertas e o vidro que é tão clarividente e transparente surgiu mostrando sua fragilidade.

Esta fragilidade já era familiar aos envolvidos diretamente com a educação, mas enfim foi evidenciado aos demais da sociedade. Com o coração de vidro continuaremos fazendo o possível para que ele não adoeça mais. 

Vidro é feito de areia com muitos grãos minúsculo que formam esta composição e fogo em temperaturas exorbitantemente alta, por isso é delicado ao ser manuseado, qualquer semelhança com a educação é mera coincidência.

 Se a educação está frágil hoje não é somente pelo que toda sociedade está passando neste momento, há muito tempo ela está doente, porém ficou evidente como tratam a educação de forma obsoleta. Os fundamentos de uma sociedade despreparada educacionalmente são facilmente melindrosos, e de fácil influência, mas a educação continua de pé   pois ainda há profissionais trabalhando, buscando fazer remotamente o seu papel.

O retorno é que está causando esta ansiedade, euforia, ou até mesmo taquicardia neste coração de vidro frágil que a educação possui. A saúde da educação depende de quem coordena suas ações. Através de apoio de um retorno de protocolos de segurança com a devida responsabilidade para que seja dado a verdadeira segurança.

A única certeza é que fazer educação não é para qualquer um. Independente se presencial ou remotamente a escolarização será executada. Infelizmente a cura para este problema está longe de ser sanada, haja visto que a educação não foi tratada com o devido respeito e essencialidade, pois foi colocada em segundo plano.

Há muitos profissionais batalhando para que a educação seja plenamente recuperada. Quando se trata de educação, não quer dizer a restrita de sala de aula, mas educação da sociedade, pois é evidente que ela demonstra uma falta de conhecimento e torna- se visivelmente que vai além das quatro paredes de uma sala de aula. 

Para que as pessoas possam assumir a sua própria opinião e passar a fazer o correto, pois um ser agente da sociedade bem informado é capaz de ser educado sem ser inflado por questões de cunho politizados. Os heróis da humanidade que protegem o coração de vidro e o fazem bater forte pelo conhecimento da população São agentes formadores de opinião e transformam ideias em ações puramente concretas.

Em tempos de descobertas a educação não foi tão essencial e não serviu como palanque para poucos que sempre a usaram como moeda de barganha. No entanto ela continua sobrevivendo mesmo com seu coração de vidro batendo forte, com os medicamentos receitados pelos melhores médicos que realmente cuidam com carinho de algo muito valioso para o mundo que são os professores.
Em momento que gritaram aos quatros cantos que a educação não era essencial, as máscaras não são usadas para proteger e sim para sufocar o grito de quem é educado e busca conhecimento para livrar-se de qualquer algemas meramente ilustrativo.

Educação é essencial mesmo ferida, ela não se cala, doa a quem doer, presencial, ou remota o que não podemos é deixar seu coração mesmo que hipoteticamente frágil parar.



Elielma Neri 
Professora
 
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