26/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 26/07/2020 às 07h00min

A Gente Se Vê Ontem

Vivian Soares. Foto:Arquivo Pessoal.

 
O que inicialmente poderia ser apenas mais um mero filme sobre viagem no tempo, inova ao usar a ficção científica como um pano de fundo para criticar algo muito maior, mais dramático e mais sério: O genocídio do povo negro.

A história gira em torno de CJ (Eden Duncan-Smith) e Sebastian (Danté Crichlow), dois amigos que são obcecados por viagens no tempo e, por conta disso, decidem criar uma máquina que possibilite essas viagens. No entanto, quando o irmão de CJ, Calvin (Brian Bradley), é assassinado injustamente por um policial, ela decide voltar ao passado para tentar salvá-lo, ignorando todas as regras sobre esse tipo de viagem. Apesar de abordar um tema sci-fi, é no cunho sociopolítico que o filme se destaca, produzido pelo renomado diretor Spike Lee (Infiltrado na Klan), cada detalhe da obra foca em retratar a real situação dos negros nos EUA, desde olhares preconceituosos até atos de extremo racismo e intolerância. 

A ideia de viagem no tempo é bem desenvolvida ao longo da trama, apesar de todos os clichês envolvidos. Possui claras referências a filmes do mesmo estilo, como ‘’De Volta Para o Futuro’’, fazendo uma ode ao gênero, e tendo em vista a premissa incrível do filme, apesar de os efeitos especiais serem ruins, vale muito a pena assistir.

Recheado de drama, humor e resistência, ‘’A Gente Se Vê Ontem’’ cativa por sua atualidade gritante e semelhança infeliz com a realidade. Além disso, o final é chocante, do tipo que indigna e faz o espectador querer mais. Não é exatamente um filme espetacular, mas não deixa de ser bom.


Jadotville
 
A quase inacreditável história real por trás do cerco de Jadotville é narrada nesse drama de guerra fascinante. Em 1961, no auge da Guerra Fria, o Congo colapsava em uma crise política, o líder golpista Moise Tshombe conseguiu tomar a província de Katanga e criar uma Frente Nacional de Libertação. Um grupo pequeno e inexperiente de soldados irlandeses foi enviado pela ONU para tentar instituir a paz na cidade de Jadotville (atual Likasi).

Diante disso, o filme acompanha o conflito entre a tropa irlandesa e Frente Nacional de Libertação, que durante o período de seis dias, travaram uma árdua batalha. Sem experiência, nem apoio da ONU, a tropa irlandesa teve que resistir sozinha a todas as investidas do inimigo. Talvez possa parecer previsível, mas a menos que se conheça a história verdadeira por trás da obra, não há como prever o que acontece ao longo da trama.

As cenas, em sua maioria, focam nos soldados do cerco, mas também se alternam entre os líderes das grandes nações que tiveram influência nesse processo, o que facilita a compreensão de todo o contexto histórico por trás da ficção. Além de uma bela dose de ação, comum a filmes de guerra, a atmosfera da narrativa também te envolve entre oscilações de suspense e alívios cômicos. 

É um filme admirável sobre uma façanha quase impossível.



Vivian Soares
Estudante e crítica de cinema 
Relacionadas »
Comentários »