26/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 26/07/2020 às 07h00min

​SOLO: CONSERVAR OU NÃO?

Marcelo Creão. Foto: Arquivo Pessoal.

Os solos do Brasil são tão importantes que são citados na Constituição Federal, em seu Art. 24, no qual diz: Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre, inciso VI, dentre outros, a “defesa do solo”. 

A conservação do solo, é um capítulo muito importante no estudo das ciências da terra. Na engenharia agronômica, florestal, ambiental, sanitária, de pesca, na biologia, dentre outras ciências. O solo é um recurso natural que deve ser utilizado como patrimônio da coletividade, independente do seu uso ou posse. É um dos componentes vitais do meio ambiente e constitui o substrato natural para o desenvolvimento das plantas.

O processo de contaminação, pode ser definido como a adição no solo de compostos, que qualitativa e/ou quantitativamente podem modificar as suas características naturais e utilizações, produzindo então efeitos negativos. O mesmo é constituindo por 1) Componente fundamental dos ecossistemas e dos ciclos naturais; 2) Reservatório de água; 3) Suporte essencial do sistema agrícola; e 4) Espaço para as atividades humanas e para os resíduos produzidos. 

Um dos principais problemas evidenciados pela falta de conservação do solo é a erosão, que Essencialmente é um processo de desgaste da superfície e/ou arrastamento das partículas do solo por agentes, tais como a água das chuvas (hídrica), ventos (eólica), gelo (mudanças de temperatura), ou outro agente geológico, incluindo processos como o arraste gravitacional.

O solo pode ser medido através de indicadores dentro do tema Terra e Solos: Índice de Manejo do Solo, Índice de Restauração da Ocupação, Índice de Ocupação do Solo, Índice de Área Desertificada, Índice de Qualidade da Estrutura Física do Solo, Índice de Erosão do Solo, Índice de Aumento de Sedimentos e Índice de Qualidade da Estrutura Biológica do Solo.

No Amapá temos um solo muito requerido ultimamente, pela necessidade mundial na produção de alimentos. Segundo o Zoneamento Socioambiental do Cerrado do Estado Amapá, o cerrado do Amapá desponta com grande potencial de produção de grãos, silvicultura e pecuária. Além desse fato, é interessante ressaltar a localização geográfica estratégica do Amapá quanto a sua proximidade com os mercados importadores o qual permitirá redução dos custos de transporte e, portanto, tornando esse ecossistema competitivo no mercado internacional. O conhecimento dos atributos do solo e de sua aptidão agrícola são requisitos básicos para subsidiar o zoneamento e ordenamento territorial desse ecossistema de modo a orientar seu uso produtivo respeitando suas aptidões e condições naturais presentes.

Os solos devem ser vistos com olhar de uso com base conservacionista, pois existem as recomendações, diretrizes das categorias de uso, zonas e subzonas. Ainda o ZSAC define que no Amapá há a 1) Categoria de Consolidação de áreas que concentram maior dinamismo socioeconômico, 2) Categoria de Expansão de bases produtivas, 3) Categoria de Manejo específico / Readequação de uso e 4) Categoria de Uso Especial. 

Como vantagens da conservação do solo podem ser distinguidas (evita e controla a degradação do solo; aumenta a produção; mantém níveis de fertilidade natural mais elevado; reduz o consumo de fertilizantes e corretivos, logo possibilita a produção econômica com menos custos; conserva os recursos naturais (flora e fauna) em áreas impróprias à agricultura; concorre para melhorar o nível de vida rural e, consequentemente, a fixação do homem à terra, evitando o êxodo rural; contribui para melhor conservação das águas armazenadas; evita a poluição dos recursos hídricos; concorre para a melhor manutenção da umidade do solo, reduzindo os danos causados pelas secas; evita o assoreamento de represas e obras hidráulicas; e proporciona as gerações futuras condições de vida mais condigna e agradável. 

O que a sociedade quer para os solos? Apenas usar agora ousar para sempre? marcelo_creao@yahoo.com.br





Marcelo Creão
Ex-secretário de Estado na SEMA-AP, mestre em Biologia Tropical e Recursos Naturais, professor de Gestão Ambiental na FAMA.
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