05/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 05/07/2020 às 07h00min

Paraíso Perdido

Vivian Soares. Foto:Arquivo Pessoal.


Com muito brega, vividez e intensidade, esse filme escrito e dirigido por Monique Gardenberg (Ó Paí, ó) retrata questões sérias como sexualidade, homofobia, violência contra a mulher e deficiência, ao mesmo tempo em que faz uma ode aos grandes nomes da música brega, com muito fervor, do começo ao fim.

A trama gira em torno da boate ‘’Paraíso Perdido’’, administrada por José (Erasmo Carlos), que após um episódio de agressão a uma de suas cantoras travestis resolve contratar um policial como segurança. Não demora muito para que Odair (Lee Taylor), se aproxime da família que gerencia a boate ao longo de seu trabalho como segurança, conhecendo as dores e as alegrias de cada um deles. 

A trilha sonora é impecável, e se correlaciona a cada momento do filme de acordo com o que está acontecendo. O elenco de peso, composto também por Marjorie Estiano, Júlio Andrade, Malu Galli e Humberto Carrão, consegue transmitir com louvor a essência de cada personagem. Extremamente cativante, a história consegue fisgar o espectador poucos minutos após o começo e manter o interesse até os minutos finais.

Uma joia do cinema nacional, ‘’Paraíso Perdido’’ é perfeito para um fim de noite em quarentena. Repleto de vertentes e para conhecer, cores para ver e emoções imprevisíveis para sentir.




Eu Não Sou Um Homem Fácil
 
Uma comédia francesa que trata da desigualdade de gênero de um modo inventivo, curioso e reflexivo, sem perder o humor ou tirar a seriedade dos temas trabalhados em momento algum.

Nela, Damien (Vincent Elbaz), um homem extremamente machista, vai parar em um mundo paralelo após bater a cabeça em um poste, no qual o sexo dominante é o feminino, e o ‘’sexo frágil’’ passa a ser considerado o masculino. Nesse sentido, os homens são sexualizados, objetificados e estereotipados a todo momento, da mesma forma que um homem machista costuma fazer com mulheres. Ao viver essa realidade de opressão, Damien finalmente começa a repensar suas atitudes.

Extremamente sarcástico e baseado em uma série de estereótipos, o filme da diretora Éléonore Pourriat consegue tecer sua crítica entre boas risadas e situações que fazem refletir acerca do quão cruel e injusta é a questão da opressão feminina na sociedade. Se valendo da tentativa de estabelecer empatia, há cenas em que homens são obrigados a se depilar e usar roupas curtas somente para o prazer feminino. Parece muito absurdo? Pois é. 

Exalando originalidade, polêmica e bom humor, essa é uma comédia para rir e refletir no quão importante e urgente é se estabelecer a igualdade de gênero na sociedade atual.




Vivian Soares 
Crítica de cinema e estudante
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