26/06/2022 às 06h20min - Atualizada em 26/06/2022 às 06h20min

Saiba mais sobre transtornos psiquiátricos na pandemia.

Dr. Achiles Médico Radiologista; Professor da Unifap; Mestre em Ciências da Saúde. Foto: Arquivo Pessoal
Hoje no #vemcomigofalardesaúde recebemos o médico psiquiatra Rafael Luna CRM 1439 AP  RQE 946, para nos falar sobre transtornos psiquiátricos na pandemia.

Saiba mais sobre transtornos psiquiátricos na pandemia.

1. Quais os transtornos que mais afetaram a saúde mental da população na pandemia? 

Muitos transtornos se tornaram mais frequentes com a pandemia, com destaque para os quadros ansiosos,  depressivos e os de estresse pós-traumatico. Também muitas pessoas que já sofriam previamente com o Transtorno Obsessivo Compulsivo tiveram seu quadro piorado, principalmente aquelas nas quais os sintomas estavam relacionados com questões de limpeza e contaminação 


2. O que as pessoas com ansiedade e depressão sentem? 

Os quadros ansiosos são muito diversos e podem ocasionar sintomas físicos como  sensação do coração batendo rápido,  tremores,  ficar pálido, suar muito, ocorrendo em "crises" que aparecem subitamente e sem motivo aparente. Mas também podem se apresentar como preocupação excessiva, dificuldade em controlar as próprias preocupações,  insônia,  tensão muscular , irritabilidade, etc..

Os quadros depressivos tendem a apresentar tristeza frequente, alteração de sono, apetite, energia/disposição,  perda do prazer em atividades que antes eram prazerosas.

3. De que forma o coronavírus  potencializou o surgimento de doenças psiquiátricas na população? 

Primeiramente pelo grande estímulo de ansiedade que a possibilidade de adoecimento grave gerou na população. Para além disso, ainda tivemos situações críticas de pessoas perdendo vários entes queridos, sem possibilidade de vivenciar adequadamente o luto, sem poder realizar os devidos rituais de sepultamento pelo risco de transmissão da doença. Também houve  insegurança financeira, que muitos passaram por conta do fechamento do comércio, perda de empregos. Outra questão foi o próprio isolamento social, que gerou em muitos um sofrimento importante relacionado à solidão 

4. Como podemos prevenir de forma não medicamentosa o aparecimento da doença mental neste momento difícil? 

Técnicas de atenção plena, meditação,  controle de respiração, prática de atividades físicas.  Com a gradativa redução das restrições que vem ocorrendo , a prática de atividades físicas ao ar livre, inclusive, voltou a ser uma excelente possibilidade. Realizar psicoterapia também  é bastante recomendável , sempre importante lembrar que ela não se destina apenas a pessoas que tem algum adoecimento, qualquer pessoa pode realizar para auxiliar em diversas questões que se possa estar passando na vida. A psicoterapia consiste em um conjunto de técnicas que ajudam a lidar melhor com os pensamentos e emoções, sendo realizada principalmente por psicólogos. 

5. Como a sociedade e os gestores podem amenizar o sofrimento da população? 

Sobretudo combatendo o estigma ainda muito fortemente relacionado aos transtornos mentais, os quais nada mais são do que um adoecimento que, como qualquer outro, é passível de diagnóstico e tratamento, sendo que quanto mais precocemente o fizermos melhores são as chances de recuperação e ganho de qualidade de vida. Também a ampliação e consolidação dos serviços de atendimento público as pessoas em sofrimento mental cumpre papel fundamental  para promoção, prevenção e recuperação da saúde. 

6. Faça suas considerações finais. 

Caso você esteja encontrando dificuldades em lidar com seus pensamentos e emoções, não tenha medo ou vergonha em pedir ajuda. Você pode procurar um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que são unidades públicas destinadas ao atendimento de pessoas que encontram-se em sofrimento mental, para ter o adequado tratamento.  Lembre-se: quadros ansiosos, depressivos, traumáticos e outros são adoecimentos como quaisquer outros e podem ser tratados.



Rafael Luna 
Médico Psiquiatra (CRM-AP 1439 /RQE 946)
Residência Médica em Psiquiatria pelo Hospital de Clínicas Gaspar Viana. 
Residência Médica em Psicoterapia pela Universidade Federal de São Paulo.
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