09/08/2020 às 02h04min - Atualizada em 09/08/2020 às 02h04min

Durante a Tormenta

Vivian Soares. Foto:Arquivo Pessoal.

 
Há tempos, a possibilidade de voltar no tempo mexe com a mente humana. Poder reverter certos acontecimentos no passado ou viver o futuro é uma ideia chamativa por si só. Não é de agora que esse tema é abordado em filmes, mas aqueles que conseguem fazer isso de um modo mais convincente e preciso sempre ganham mais destaque, ‘’Durante a Tormenta’’ é um deles. 

A trama gira em torno de Vera (Adriana Ugarte), uma mulher de 2014 que consegue salvar um garoto de 1989 da morte após uma tempestade elétrica abrir um portal no espaço-tempo, mas ao fazer isso, ela cria uma realidade alternativa totalmente diferente da sua. Apoiando sua narrativa em um suspense estarrecedor e um roteiro conciso e persuasivo, o filme guia o espectador entre uma série conexões, inicialmente desconhecidas, que convergem para um final fantástico.

O filme não se prende a termos técnicos da física por trás da história, o que poderia dificultar a compreensão do espectador, na verdade foca em todo mistério envolvendo a própria Vera, o garoto que ela salvou e os demais personagens que compõem o círculo. Cada minuto é instigante e válido para entender o conjunto, e mesmo com uma série de nuances, o roteiro não se perde, nem comete qualquer furo.

Entre reviravoltas, incógnitas gradualmente resolvidas e uma carga certeira de drama, romance e mistério e (obviamente) problemáticas no espaço-tempo, ‘’Durante a Tormenta’’ vai tecendo a sua teia irresistível de pressão psicológica, angústia e curiosidade. É uma história inteligente, bem construída, que merece muito reconhecimento por parte do público, porque não é todo filme que consegue trabalhar a temática das viagens no tempo de forma tão extraordinária.



A Menina e o Leão
 
O amor de um animal por seu dono é um dos mais puros que existe, e ele é abordado lindamente nessa aventura cativante e necessária sobre o amor recíproco e genuíno entre uma garota e seu leão e a gravidade da questão da caça ilegal.

No filme, a jovem Mia (Daniah De Villiers) tem um vínculo único com um leão branco, chamado Charlie, criado por seu pai na fazenda da família. Ao descobrir que seu pai pretende vende-lo para um grupo de caçadores, Mia foge junto com o animal para tentar levá-lo a um local seguro. Cada detalhe do filme transborda emoção, a proposta de pautar a relação entre uma humana e um felino de grande porte, que também é afetuoso da mesma maneira, é interessante em cada um de seus aspectos, e atuação de Daniah torna essa relação tão verdadeira e tangível que é praticamente impossível não se conectar com os dois.

Além disso, o homem é colocado como maior predador na história, sendo mais perigoso e cruel que um animal selvagem, capaz apenas de seguir seus instintos. De um lado, a cultura doentia de reduzir animais a meros objetos, do outro, o amor imensurável que eles são capazes de dar e receber, em proporções muito maiores que o próprio ser humano. Essa contraposição ajuda a tornar a história reflexiva e dificilmente esquecível. 

Cada detalhe da relação entre Mia e Charlie é linda, e a autenticidade do amor deles é comprovada com um ato de amor tão grande quanto o fato de a garota preferir ver seu leão livre na natureza, longe dela, do que morto. É uma história simplesmente maravilhosa, que apesar da premissa aparentemente simples consegue ser encantador e muito inteligente.



Vivian Soares
Estudante e crítica de cinema 
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