09/08/2020 às 02h55min - Atualizada em 09/08/2020 às 02h55min

Marcos Reatégui

Marcos Reátegui. Foto:Arquivo Pessoal
 
 
 
O AMAPÁ, PROJETADO PARA SER UM PARAÍSO, HOJE NÃO É EXATAMENTE ISSO. O POVO SEM PERSPECTIVA DE VIDA E ABANDONADO, COMEÇA A PERCEBER QUE VENDER O VOTO GERA A MORTE EM SUA PRÓPRIA CASA. FALTOU SEQUÊNCIA AO TRABALHO. 
 
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• Nos artigos que publiquei neste espaço ao longo dos últimos meses, o denominador comum foi o legado desastroso que a corrupção e a má gestão dos eleitos para administrar deixaram para nossa gente. Décadas de administrações improdutivas, sem sequer projeto de desenvolvimento, condenaram o Amapá à situação calamitosa que pune nossa gente.
 
• A incapacidade dos gestores do Amapá que sequer elaboraram - e, por isso, não podiam implementar, um programa para desenvolver nosso estado ficou impune, porque os eleitos com a missão de fiscalizar o Poder Executivo – vereadores e deputados estaduais, federais e senadores, vem sendo coniventes, ao não exercerem a missão para a qual foram eleitos. 
 
• Essa realidade horrorosa existe porque cidadãos e cidadãs amapaenses trocam seus votos por materiais, cargos e dinheiro. Vender algo que tem valor, e não preço, custa vida, seja através da falta de segurança pública, da falta de oferta de saúde ou de educação, que mata o futuro. O eleitor nada pode cobrar, porque recebeu um preço para entregar seu voto.
 
• Tomando como exemplo a área da saúde, a pandemia de coronavirus escancarou o colapso do sistema no Amapá. Não foi surpresa para ninguém as carências da rede de saúde pública do nosso estado. A pandemia deixou mais evidente a falta de planejamento e capacidade de execução dos gestores e fiscalizadores, escolhidos pelo sistema de compra de votos.
 
• Em pleno 2020, o Amapá não conta com uma central de regulação de leitos informatizada, integrando informações de todas as unidades da rede pública de saúde. A falta de um sistema dessa natureza atrasa os processos de internação, faz com que profissionais da saúde trabalhem às cegas e deixa desprotegidos os pacientes graves, que se descobrem sem assistência nas horas de maior necessidade, principalmente, porque não tem informação (controle) sobre a utilização de leitos em enfermarias e UTI’s, o facilita a proteção aos “amigos”, a desigualdade.
 
• Nenhum prefeito ou governador no Amapá se preocupou em projetar, de forma objetiva e eficiente, um sistema integrado de administração dos leitos. Na mesma esteira de despreparo e descompromisso, vereadores, deputados estaduais, federais e senadores se omitiram em cobrar os chefes dos Poderes Executivos, e de responsabiliza-los pelas consequências. E, nesta pandemia, não foram poucas, haja vista os sofrimentos e mortes notificados.
 
• Isso acontece porque há interesses escusos que se sobrepõem aos da sociedade. Décadas de escândalos de corrupção, operações da polícia e prisões já nos mostraram o mal que a mentalidade egoísta dos gestores locais causa a nossa sociedade.
 
• As gestões incompetentes se sucedem: pessoas sem preparo algum, colocadas, como jabutis, nos altos galhos das árvores, ou seja, nos altos cargos da administração, cuja função se resume em atender as vontades daqueles que fingem administrar ou fiscalizar os gastos públicos.
 
• Não há no Amapá políticas de Estado, aquelas que se perpetuam independentemente da mudança de Gestor. Nosso estado é riquíssimo e perfeitamente capaz de ser desenvolvido de forma sustentável. Precisa, para isso, de uma MATRIZ ECONÔMICA, que propicie a exploração racional, e sustentável, de nossas riquezas naturais, gerando oportunidades de trabalho e receitas públicas. Mas, para termos uma boa gestão, a sociedade precisa aprender a escolher representantes qualificados e comprometidos com projetos de desenvolvimento e – o que é mais importante – cobrar, depois da eleição, que os projetos sejam executados.
 
• A boa notícia é que a indignação do povo é cada vez mais visível, uma revolta que pode ser um catalizador para mudar as pérfidas estruturas de poder que nos governam. Por isso acompanhamos juntos, cada vez mais, as reações à má gestão e ao desvio de recursos públicos. Os governantes de todos os poderes começam a enxergar que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências… É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!



Marcos Reátegui 
Advogado, ex-procurador geral do estado, ex-deputado federal, atual delegado da Polícia Federal.
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