16/08/2020 às 00h30min - Atualizada em 16/08/2020 às 00h30min

Os evangélicos e a política no Brasil

Besaliel Rodrigues. Foto:Arquivo Pessoal
 

O Brasil ainda continua sendo um país de matriz religiosa predominantemente católica. Desde o descobrimento, no ano de 1500 até a Constituição Federal de 1891, o catolicismo foi a religião oficial brasileira. A liberdade religiosa somente se estabeleceu no país com o Decreto Republicano nº 190-A, de 1890. Então foram 390 anos de hegemonia religiosa.
 
  Mas, a partir da instalação de República, os evangélicos começaram a ter espaço no conjunto de valores sociais e éticos do país. Com o crescimento no decorrer do tempo passaram também a compreender melhor seu papel político dentro da Nação.
 
  Nas últimas décadas saíram das quatro paredes e passaram a promover, de forma mais efetiva, a conscientização política e a mobilização positiva de seus integrantes. Resultado: Hoje os evangélicos são uma das principais forças políticas do país.
 
Quando “descobriu” o Brasil, Portugal era uma nação católica. Naquela época, na Europa, em 1517, eclodiu a Reforma Protestante. Tudo contribuiu para que o Brasil ficasse fechado para o protestantismo por longos séculos, pois Portugal estava comprometido com a contrarreforma. Somente no final do século XIX os protestantes se estabeleceram por aqui.
 
  Vale registrar que o primeiro culto evangélico em terras brasileiras aconteceu em 10 de março de 1557, no Rio de Janeiro. Existe também notícia de outro culto no Recife em 14 de fevereiro de 1630, tudo muito escondido. Mas, a partir de 1810 os evangélicos passaram a ser tolerados no Brasil. 
 
  Por que no início os evangélicos não se envolviam em política no Brasil? Vários são os motivos: a) O fato de o Brasil ser um país hegemonicamente católico; b) Os evangélicos terem se estabelecido aqui de fato somente quase quatro séculos depois do descobrimento; c) Os evangélicos serem no início minoritários; d) Os missionários que trouxeram a fé evangélica para o Brasil serem estrangeiros e temerem possíveis problemas com autoridades brasileiras totalmente influenciadas pela Igreja Católica etc. Tudo isso retardou o envolvimento efetivo dos evangélicos brasileiros na política nacional.
 
É por isso que somente a partir da metade do século XX que começou a aparecer, de forma isolada, algumas candidaturas evangélicas avulsas vitoriosas em nível municipal, estadual e federal. De regra eram membros de igrejas protestantes tradicionais (presbiterianos, batistas), por terem uma compreensão mais avançada de cidadania. Mas, tais candidatos não eram necessariamente eleitos com o apoio das igrejas. Elegiam-se com estratégias e méritos próprios, individuais. 
 
Em meados da década de 1980, com o processo de reabertura política e democrática do país e com a necessidade de eleição de uma Constituinte, ou seja, eleição de um grupo de parlamentares para a elaboração de uma nova Constituição Federal, os evangélicos brasileiros, principalmente os pentecostais (Assembleia de Deus e outras) despertaram o interesse com o objetivo de elegerem representantes que pudessem defender seus interesses na citada Constituinte. Pronto, a partir daí as igrejas evangélicas começaram a apoiar oficialmente candidaturas e conseguiram eleger um número expressivo de parlamentares no Congresso Nacional.  
 
A partir da década de 1990, com a atuação incisiva dos evangélicos neopentecostais (IURD, Comunidades etc.) que, somando-se à força dos pentecostais (Assembleia de Deus e Cia) que a Bancada Evangélica se expandiu exponencialmente no parlamento brasileiro. As igrejas passaram a esclarecer melhor suas membresias e a estabelecer projetos políticos claros e objetivos com suas lideranças. A compreensão evangélica sobre cidadania passou a ser uma regra em todo o país.
 
Com o crescimento da quantidade de parlamentares evangélicos, principalmente em nível federal (deputados federais e senadores da República), tornou-se inevitável a criação de uma Frente Parlamentar Evangélica – FPE, órgão que passou a defender em bloco todos os interesses do povo evangélico em todo o território nacional. 
 
Depois que as igrejas passaram a entender melhor sua função social, o exercício de cidadania e passou a eleger seus representantes políticos, foram várias as vitórias contra os opositores da Obra de Deus. Mas, vale ressaltar que foram apenas algumas batalhas (parciais) vencidas. A guerra continua. A cada eleição, os evangélicos necessitam eleger mais “soldados” que façam frente na guerra contra o mal, nesta área específica da política. Óbvio que existem muitas frentes de batalha, mas a política é uma das principais.
Por fim, não devemos ficar nos gabando de que já temos uma igreja que cresceu na compreensão de seu papel social e político, que já temos bancada evangélica etc. Diz Provérbios 16.18 que “a soberba precede a queda”. Vigiemos! Continuaremos na próxima oportunidade.
 
 
DESTAQUES DA SEMANA
- Incompetência dos políticos provoca cada vez mais o interesse dos evangélicos por cargos políticos no Brasil. 
- Cansados de tanta corrupção no país, cristãos brasileiros respaldam na Bíblia maior atuação na política. 
- Programa Ufiadap Web TV. Todo sábado no YouTube e no Facebook transmitindo conhecimento.
 
 
LIDERANÇAS
A Igreja Assembleia de Deus – A Pioneira do Amapá, presidida pelo Reverendo Pastor Oton Alencar, em parceria com a Convenção Estadual UFIADAP, está promovendo nos Cultos de Oração e de Ensino em todas as suas igrejas uma série de estudos com o tema “Igreja, política e cidadania”, em forma de revista.
 
  A referida Revista de Estudos contém 13 (treze) lições semanais assim intituladas: 1- Deus criou a política; 2- A política em mãos erradas; 3- O verdadeiro sentido da política; 4- Conceitos básicos sobre o exercício da cidadania; 5- Governos bons e governos maus; 6- Os evangélicos e a política no Brasil; 7- Os evangélicos e a política local; 8- Quem não nos quer no poder?; 9- Cidadania e o Evangelho Pleno; 10- Nossos inimigos internos; 11- Coerência e estratégias cristãs; 12- Os cuidados que devemos ter; 13- Obedecer é melhor que sacrificar. 
 
  Solicite o seu exemplar da Revista em pdf pelo zap (96) 99110-5167. A cessão do material é totalmente gratuita.
 
 
ESPECIAL
NEWS: 01- O presidente da Convenção UFIADAP iniciou visitas pontuais aos/às pastores/as jubilados/as, levando sempre alguma coisa para ajudar os/as mesmos/as. Na foto visita o Pastor jubilado José Maria de Brito; 02- Também, o presidente da Convenção doou, em nome da UFIADAP, material impresso para ser utilizado nas escolas dominicais de seis aldeias indígenas brasileiras na fronteira com a Guiana Francesa, no município de Oiapoque. A Evangelista Conceição Martins recebeu o 1° Lote de Livretos diretamente do Presidente da Convenção; 03- TV Aberta: O Pastor Besaliel Rodrigues, que é também professor universitário de Direito Constitucional, está apresentando o quadro “Direito do Cidadão” todas as sextas-feiras, depois do meio dia, no Programa “Balanço Geral” da TV Equinócio da Rede Record Canal 10 – Macapá/AP. Divulgue e assista; 04- A Associação “Missão Social Mãos Que Ajudam” está precisando de você. Doe cestas básicas. Contato: Maria do Livramento (99135-5661) e Leônidas Viegas (99139-7388).
 
 
ESTUDOS BIBLICOS
Tema: O pastor como agente de transformação social. De forma equivocada e distorcida, a maioria das pessoas pensa que o papel de um sacerdote (pastor ou padre) no seio da sociedade se resume a dirigir o culto/missa e ministrar a palavra de Deus. É só olhar na Bíblia a vida de Jesus, o Bom Pastor, para verificar a enorme função social que exerceu em seu ministério.
 
  O pastor não prega somente a palavra de Deus. Deve, como Cristo, preocupar-se com a situação social e econômica real das pessoas, do povo, pois, quando é omisso nesta matéria, falha no exercício do sacerdócio e, muitas vezes, deixa o povo ao bel prazer dos políticos corruptos e dos efeitos das leis injustas etc.
 
  O Pastor Martin Luther King, por exemplo, foi um ativista norte-americano que lutou contra a discriminação racial e tornou-se um dos mais importantes líderes dos movimentos pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1964. Pense nisso!
 
 
FIQUE LIGADO
Evento. Estão se aproximando os dois maiores eventos sobre liderança eclesiástica do Estado do Amapá, promovidos pela UFIADAP – União Fraternal das Igrejas Assembleias de Deus no Estado do Amapá. Reserve sua vaga com antecedência. 
 
  Vem aí a EBO – Escola Bíblica de Obreiros 2020 da referida Convenção. Será totalmente on line (pelas redes sociais) nos dias 18 e 19 de mês de setembro, com o tema: “Gestão de igrejas em tempos de pós-pandemia”. As inscrições já estão abertas e será cobrada uma taxa de R$ 20 reais somente para aqueles que quiserem receber o material impresso e o certificado. Quem quiser somente assistir, o evento será de graça.
 
  Na segunda quinzena de novembro está previsto acontecer a 12ª AGO – Assembleia Geral Ordinária Anual da citada Convenção UFIADAP. Está previsto um tema voltado para tecnologia eclesiástica. O evento será misto (presencial e on line). Entretanto, as plenárias serão restritas aos convencionais que estiverem em dia com suas anuidades


Besaliel Rodrigues
Pastor e é licenciado em História e bacharel em Direito, com mestrado e doutorado em Direito Constitucional. É professor concursado do Curso de Direito da Unifap e escritor autor da 1ª Constituição Federal comentada à luz da Bíblia.
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