23/08/2020 às 00h10min - Atualizada em 23/08/2020 às 00h10min

Alcinéa Cavalcante

Alcinéa Cavalcante. Foto: Arquivo Pessoal.
Pense nisso
É melhor conhecer poucas coisas boas e necessárias do que muitas coisas inúteis e medíocres. (Tolstoi)
 
Os periquitos comem manga na avenida
 
Fernando Canto autografando o livro para Alcy Araujo
 
Há 36 anos Fernando Canto lançou seu primeiro livro: “Os periquitos comem manga na avenida”, uma obra maravilhosa que, inclusive, merece uma segunda edição. O lançamento foi na praça Veiga Cabral e contou com a presença dos mais expressivos poetas, músicos, escritores e demais artistas. Foi um sucesso. De lá pra cá Fernando já publicou mais de 15 livros (poesias, contos e crônicas), participa de importantes antologias nacionais e acumula premiações.
 
Mas, voltando ao primeiro livro. O sucesso foi tanto que Fernando foi chamado para lançar também em outros estados como, por exemplo no Rio Janeiro, a convite do Sindicato dos Escritores daquele Estado. E foi notícia na imprensa carioca.
 
Em artigo publicado no “Jornal do País” em março de 1985 o poeta Ivo Torres escreveu que “Os Periquitos Comem Mangas na Avenida, a partir do saboroso título, é trabalho belo, colorido, seivado de amor”
Do meu baú, resgatei o artigo. Leiam:
 
 
“OS PERIQUITOS COMEM MANGAS NA AVENIDA
Por Ivo Torres (*)
Sereno, lídimo, aparentando timidez, porém vigorosamente desperto – como diz todo bom caboclo da Amazônia – o poeta Fernando Canto desceu no céu cultural do Rio, sobraçando, altaneiro, os “Periquitos Comem mangas na Avenida”, seu primeiro volume de poemas, editado em Macapá, Território do Amapá, e aqui lançado numa bonita e comovente festa promovida pelo Sindicato dos Escritores do Rio de janeiro.
 
Não só desceu como ascendeu. Porque Fernando canto estreia, entretanto não é estreante. Trata-se de valioso poeta: claro, apurado, instigante, esperto inventor. às vezes amargo, amargurado, triste; outras vezes alegre, cordial, amoroso. Mas sempre digno intérprete do chão e da chama da sortilégica região norte brasileira.
 
Os Periquitos Comem Mangas na Avenida, a partir do saboroso título, é trabalho belo, colorido, seivado de amor, perpassado de magias encantadas, decantadas por Fernando, com singelas ilustrações do artista plástico amapaense Manoel Bispo.
 
Mais ainda: o autor mergulha passional, responsável e competente, na temática amazônica, sem atoleimar-se contudo, na pieguice, na empáfia discursiva, tão comuns aos que se aventuram a cantar ou contar o regional.
 
E o poeta atinge outros pontos de fulgor:
 
“o mais difícil
É mastigar o eterno
E engolir a flor”.
 
Pontos de rubor: “É na decisão do nó
Que a corda aperta o laço”.
 
Pontos de sonhador:
“Ainda acredito que o sonho do gato
É pegar o pássaro”.
 
O lugar do poeta é à frente, na vanguarda do acontecer, na pulsação consciente do instante histórico. A poesia continua e continuará sendo o idioma natural e adequado para a compreensão e identidade dos homens.
No momento em que, nós brasileiros, estamos empenhados na construção democrática do nosso País, muito justo, portanto, registrar e louvar, um poeta do Amapá nos trazendo, solidário, sua contribuição ao necessário dever de amarmos a perenidade das nossas coisas e da nossa gente.”
 
 
 
 
Notinhas
 
1. Virou rotina
Operação da Polícia Federal no Amapá já está tão comum como café da manhã. Quase todo dia de manhã cedinho tem. Esta semana foram três. Na segunda-feira,17, foi a segunda fase da Operação Conluio, com objetivo de reprimir organização criminosa especializada em crimes de fraudes à licitação na área de georreferenciamento; na terça-feira, 19, Operação Máscara de Ferro, para combater fraudes em licitação e desvio de recursos públicos federais destinados ao enfrentamento específico ao coronavírus, em Vitória do Jari/AP; e para fechar a semana, na sexta-feira, 21, a segunda fase da Terra do Nunca – operação que visa desarticular organização criminosa que atua na fraudes de processos de regularização fundiária de terras da União.
 
2. Tem bala na agulha
O ex-senador Bala Rocha (PP) será o candidato a prefeito da Frente por Santana. O anúncio foi feito sexta-feira à noite em live na Internet. Bala Rocha terá na vice Isabel Nogueira (PT). A “Frente por Santana” nasceu de um movimento encabeçado pelo ex-prefeito Antônio Nogueira (PT), ex-senador Bala Rocha (PSDB) e o vereador Rarison Santiago e reúne vários partidos, dentre os quais PP, PT, DC, DEM e PSDB e tem total apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
 
3. Patrícia Ferraz
Dizendo que Macapá precisa ser governada por uma mulher, a odontóloga e suplente de deputado federal Patrícia Ferraz (Podemos) lançou no meio da semana sua pré-candidatura a prefeita. Por causa da pandemia, o lançamento foi na Internet em sua página no Facebook (https://www.facebook.com/patricialima.ferraz.12). Patrícia foi candidata a deputada federal em 2018 obtendo 12.950 mil votos. Com essa votação ficou como primeira suplente da sua coligação. Devido o licenciamento do titular, ela assumiu cadeira de deputada no período de 5/12/2019 a 22/6/2020.
 
4. Ele, de novo
O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) foi escolhido pela sexta vez o Melhor Senador do Brasil pelo júri de jornalistas que cobrem o Congresso Nacional. O prêmio é promovido pelo Congresso em Foco. Ele dedicou o prêmio ao Amapá e a sua equipe. “Gratidão pelo reconhecimento de um trabalho que não faço sozinho, tem toda uma equipe dedicada que atua comigo. É uma felicidade sem tamanho levar o nome do Amapá para o Brasil de forma positiva. Resgatar o amor pela nossa história”, disse. “Nosso trabalho só fica completo quando a gente percebe a melhoria direta na vida das pessoas. Não pararemos por aqui”, enfatizou




Alcinéa Cavalcante
Jornalista e escritora
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