23/08/2020 às 00h10min - Atualizada em 23/08/2020 às 00h10min

A SINA

Paulo Rebelo. Foto: Arquivo Pessoal.

(Ou o canteiro de flores-versão reduzida)

Assim vou me acabando.
O tempo desfilando
Diante de meus olhos,
Indiferente,
Insensível
Ao sofrimento
Humano.

Quem me dera
Pudesse pará-lo.
Mas, não há interruptor.
Do tempo,
Nunca fui senhor.

É que o tempo
É inconsequente
Levando tudo consigo,
A dor,
O amor.
Inclemente
Parece ditador.

Assim,
É a minha sina;
Irrefreável,
Que nem águas
À jusante do rio.

Aos poucos,
Escoa minha existência
Por inteiro
Para um dia,
Quem sabe
Como piedade final,
Num jazigo,
Alimentar as frágeis flores
De meu modesto canteiro.



Paulo Rebelo
Médico e poeta
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