23/08/2020 às 01h11min - Atualizada em 23/08/2020 às 01h11min

PLACEBO RUSSO

Edinho Duarte. Foto:Arquivo Pessoal.

Esta semana o Brasil passou da triste marca de mais de 112 mil mortes por COVID-19 e mais de 3,5 milhões de pessoas infectadas. E no mundo inteiro a pandemia já matou mais de 800 mil, provocando dor e sofrimento em todos os segmentos da sociedade. Em polvorosa, a humanidade aguarda por uma solução científica que possa conter o novo Coronavírus.

Após quase oito meses de investigação, a ciência finalmente deu um salto importante nas últimas semanas. Pelo menos 3 vacinas tiveram resultados positivos sobre a eficácia no combate ao inimigo invisível que mudou o ritmo de vida humana no mundo inteiro. Elas vieram do Reino Unido, da China e dos Estados Unidos, e representam agora a grande esperança de uma solução para uma situação dramática que assola a humanidade em pleno século XXI.

Mas, foi da Rússia que chegou a notícia mais aguardada por todos, nesta disputa tecnológica da ciência pós-moderna. O presidente Vladimir Putin anunciou que a Rússia é o primeiro país a registrar a vacina contra o coronavírus. Mas a comunidade internacional coloca a vacina Russa sob suspeita e a chamada Sputnik V, assim batizada numa alusão a corrida espacial da guerra fria entre União Soviética e Estados Unidos, é vista com ceticismo por cientistas do mundo inteiro. Essa descoberta, seria mesmo um remédio para a cura ou um placebo russo?

A Organização Mundial da Saúde tem um protocolo rígido para o desenvolvimento de uma vacina: a primeira fase é marcada pela “avaliação preliminar” da segurança do imunizante, feita com número reduzido de voluntários. 

A segunda fase é o “estudo clínico ampliado” e conta com centenas de voluntários. Nesta fase, a vacina é administrada a pessoas com características como - idade e saúde física, semelhantes aquelas, para as quais a nova vacina é destinada. 

E na terceira e última fase acontece o “ensaio em larga escala” , com milhares de indivíduos. Neste estágio final, é preciso fornecer uma avaliação definitiva da sua eficácia e segurança em maiores populações. Além disso, experiências são feitas para prever eventos adversos e garantir a durabilidade da proteção. Apenas depois de todas essas fases é que se pode fazer um registro sanitário de uma vacina.

A Organização Mundial da Saúde considera a possibilidade da Rússia não ter passado da primeira fase de testes. Eis porque, aumenta a desconfiança da comunidade científica com relação a eficácia da vacina; e o receio de um “efeito nocebo”.

A proteção definitiva contra o novo coronavírus está cada vez mais perto. Mas, enquanto a vacina não chega, distanciamento social, o uso de máscara e álcool em gel, continuam sendo as principais armas para combater o inimigo invisível. Cuide-se bem, porque o perigo ainda está por toda parte!




Edinho Duarte 
Jornalista, Pedagogo e ex-deputado estadual.
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