23/08/2020 às 17h23min - Atualizada em 23/08/2020 às 17h23min

O Destino de Uma Nação

Vivian Soares. Foto:Arquivo Pessoal.
 
Esse drama de guerra que estreia na Netflix na terça-feira (25 de Agosto), retrata o horror da Segunda Guerra através da perspectiva de um líder irreverente, e que ao invés de focar na tragédia e destruição que o acontecimento causou, decide elucidar o quão complexa foi a movimentação política nesse período e colocar na balança os prós e os contras da liderança e persona do controverso Winston Churchill, protagonista do filme, que assumiu a liderança do parlamento durante as primeiras semanas da guerra e foi tão odiado quanto amado.

Gary Oldman interpreta brilhantemente e com toda a entrega possível o famigerado Winston Churchill, um homem difícil de lidar, mas que deu seu melhor para salvar seu país de uma catástrofe inerente e assim conseguiu guia-lo da forma mais cautelosa possível em meio ao horror da guerra.

Mesmo com toda uma atmosfera de estresse e pressão constante, a narrativa não se perde nem se torna fatigante em momento algum, e até nas cenas de maior abordagem política consegue capturar a atenção de forma magistral. Tudo nesse filme é bem planejado para representar os fatos da forma mais realista possível, e além disso, estabelecer uma conexão entre o espectador e a história. 

Atingindo a excelência em cada um de seus aspectos, desde o roteiro até os ângulos de câmera estratégicos, ‘’O Destino de Uma Nação’’ é um filme cinco estrelas, que consagra uma perspectiva única da Segunda Guerra com todos os requintes possíveis.



Crimes de Família
 
Uma história que à primeira vista pode parecer muito simples, mas merece todo o crédito por abordar uma série de questões importantes, uma delas recorrente e pouco discutida, inclusive, de maneira concisa. ‘’Crimes de Família’’ narra um caso verídico envolvendo uma família poderosa e tradicional de Buenos Aires.

Nela, a matriarca da família tenta desesperadamente provar a inocência do filho, acusado de agressão verbal, física e sexual contra sua ex-mulher. Repentinamente, um crime cometido pela empregada doméstica da família deixa todos surpresos, e essa prisão pode acabar mudando a concepção dessa mãe sobre seu filho de uma vez por todas.

Cheio de mensagens importantíssimas, o filme guia o espectador pelo universo de invalidez imposto às mulheres, que muitas vezes não tem suas vozes ouvidas, tanto por motivos pessoais quanto sociais. Além disso, o filme levanta um debate muito relevante sobre crime em estado puerperal, que apesar de ser muito recorrente é tratado como tabu e julgado como um, tal como uma das cenas mostra. Sem mencionar o fato de que a trama tece o perfil de um agressor de mulheres, mostrando que muitas vezes, a identificação de um não é exatamente fácil.

Cada detalhe nessa obra a torna necessária, com um conteúdo pesado e exposto sem romantizações baratas.





Vivian Soares
Estudante e crítica de cinema 
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