28/06/2020 às 07h00min - Atualizada em 28/06/2020 às 07h00min

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Dra Denise Morelli Foto:Arquivo/Pessoal
“Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.” “Um tapinha não dói.” “Apanha porque merece.” “Antes mal acompanhada do que só.” “Eu não sei porque estou batendo, mas ela sabe porque está apanhando.” “Ruim com ele, pior sem ele.”

 
Você já pensou Por que aceitamos piadas contra as mulheres? Por que reproduzimos a desigualdade entre homens e mulheres na educação? Se todos comem e sujam, por que só as mulheres têm que cozinhar e limpar? Por que os homens não agridem qualquer mulher, mas agridem aquelas que consideram “sua propriedade” ou sobre as quais pensam “ter direitos” por serem (ou terem sido) suas namoradas, companheiras, esposas?
 
Existem diferenças entre o corpo do homem e o corpo da mulher. Estas diferenças são biológicas e estão relacionadas aos sexos masculino e feminino. Contudo, as diferenças entre os sexos não explicam as desigualdades de poder, prestígio e liberdade entre homens e mulheres, como nos exemplos:
 
Educação e Renda*: Uma mulher com ensino superior completo ou mais, recebe 63,4% dos rendimentos de um homem com a mesma escolaridade.
 
Trabalho Doméstico*: As mulheres dedicam 18,1 horas semanais em cuidados de pessoas e/ou afazeres domésticos. Os homens, apenas 10,5 horas.
 
Violência*: 81,8% das vítimas de estupro no Brasil são mulheres. 4 meninas com menos de 13 anos são estupradas por hora. 88,8% dos feminicídios foram cometidos por (ex)parceiros.
 
*Dados adaptados a partir das publicações: “Estatísticas de Gênero”, do IBGE/2018; e “13º Anuário de Segurança Pública”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública/ 2019.
 
Essas desigualdades são fruto das relações de gênero, isto é, do modo como as sociedades vêm construindo, ao longo da história, as ideias, as normas, os comportamentos, etc. sobre o que é masculino e o que é o feminino. Assim, ser homem ou mulher hoje é bastante diferente da época dos nossos avôs e avós e será diferente também para nossos(as) filhos(as) e netos(as). Uma das consequências mais graves da desigualdade de gênero é a persistência da ideia de que homens possam ofender, humilhar e agredir as mulheres porque “podem”, “têm direito” ou “necessidade sexual”. A violência doméstica e familiar contra as mulheres é considerada uma “violência de gênero” porque está embasada numa relação desigual de poder entre o homem e a mulher. Homens e mulheres podem ser diferentes, mas os direitos devem ser iguais!
 
É preciso compreender que a dificuldade de agir ou reagir não é culpa da mulher, mas decorre de um aprendizado emocional criado pela própria situação de violência.
 
FAÇA O TESTE E VEJA SE VOCÊ ESTÁ CORRENDO RISCO MARQUE COM UM X QUANDO A RESPOSTA FOR SIM
1. Ele controla o tipo de roupa que você usa? 
2. Ele tenta lhe afastar de amigos(as), parentes e vizinhos(as)? 
3. Ele diz que você não precisa trabalhar e/ou estudar? 
4. Você já teve ou tem medo de ficar sozinha com ele? 
5. Sente-se isolada e desanimada? 
6. As brigas estão ficando mais frequentes e mais graves? 
7. Durante as brigas ele parece ficar sem controle? 
8. Ele destrói seus objetos, roupas, fotos, documentos, móveis ou seus instrumentos de trabalho? 
9. Ele maltrata ou já matou algum de seus animais de estimação? 
10. Ele faz questão de lhe contar que tem uma arma ou a exibe para você? 
11. Ele ameaça seus parentes e amigos(as)? 
12. Ele tem envolvimento com criminosos e lhe ameaça dizendo que alguém fará o “serviço sujo” por ele? 
13. Quando você tenta se separar ele não aceita e fica lhe telefonando, fazendo “escândalo na porta” da sua casa ou trabalho? 
14. Nas tentativas de término do relacionamento ele lhe persegue e insiste em ter mais uma chance? 
15. Ele diz que se você não for dele não será de mais ninguém? 
Resultado: se você respondeu SIM a pelo menos uma destas questões, procure um serviço da Rede de Atendimento às Mulheres.
 
ONDE PROCURAR AJUDA?
- Delegacia de Defesa da Mulher
- CRAM
- CRAS
- CREAS
- Ministério Público
- UBS




Denise Morelli 
Psicóloga Jurídica na POLITEC, Coordenadora Nacional da Especialização em Criminologia e em Psicologia Jurídica e Inteligência Forense do INFOR, Professora de diversas Universidades em cursos de graduação em Direito e Psicologia, Especializações e Mestrados, Palestrante Nacional e Internacional, Tutora da Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP.
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