17/10/2020 às 21h25min - Atualizada em 17/10/2020 às 21h25min

ARBORIZAÇÃO URBANA – PET Veg

Marcelo Creão. Foto: Arquivo Pessoal.
As árvores, no meio urbano, ganharam má reputação ao longo dos anos motivada pelos danos causados por quedas de frutos, galhos ou de árvores inteiras (ROLOFF, 2017), causando interrupção no fornecimento de energia, congestionamentos e mesmo perda de vidas. Também ganharam má reputação pelos danos causados por raízes que invadem galerias de água e esgoto ou levantam o calçamento dos passeios públicos e, não raro, são a causa de desavenças entre vizinhos. Só um Plano de Arborização Urbana para normatizar as desavenças.

Mas como funciona um plano de arborização urbana? Cada município pode ter um plano de arborização urbana criado por especialistas. Nesse documento são especificadas várias recomendações para garantir a segurança, organização e beleza dos espaços arborizados. Por exemplo, quando falamos das características físicas do local, o responsável pelo projeto de arborização urbana deve analisar: largura da calçada, existência de rede elétrica aérea, recuo de imóveis, distanciamento de equipamentos, tipo de uso da rua (se passam mais carros ou ônibus, por exemplo) dentre outros aspectos. Um plano de arborização urbana é fundamental para o bem-estar dos moradores, pois contribui para reduzir a poluição e o excesso de ruídos, presente principalmente nas grandes capitais.

Emissões de veículos são misturas complexas, que incluem gases de efeito estufa da queima de combustíveis fósseis, cuja combustão incompleta pode levar à emissão de poluentes gasosos como óxidos nitrosos, além da emissão de material particulado da própria combustão, mas também do desgaste de peças mecânicas e do atrito dos pneus com o asfalto. A população entra em contato com a poluição principalmente por vias aéreas, mas também ingestão e contato dérmico (KAMPA e CASTANAS, 2008), afetando diversos sistemas como o respiratório, cardiovascular, nervoso e digestivo (KAMPA e CASTANAS, 2008).

Devido a estes serviços, as árvores são, portanto, peça chave no processo de recuperação da qualidade ambiental nos grandes centros urbanos. O uso destas no planejamento urbano pode trazer benefícios comprovados por muitos estudos técnicos e científicos em todo o mundo, e sistematicamente utilizados por governos para promover o bem-estar nas cidades (ESCOBEDO et al., 2011). Por exemplo, sob o ponto de vista climático, Silva et al. (2005 apud FRUEHAUF et al., 2019) sugerem que haja uso de média e alta arborização a fim de atenuar o fenômeno de ilha e calor. 

A presença de adequada arborização urbana tem comprovada eficiência para mitigar as temperaturas nos locais de maior concentração populacional, proporcionando estabilidade microclimática devido à redução das amplitudes térmicas, redução da insolação direta, ampliação das taxas de evapotranspiração e redução da velocidade dos ventos (SILVA, et al., 2011). Assim, as árvores desempenham um importante papel na melhoria da condição ambiental das cidades e, consequentemente, na melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.

Perguntamos: Quantas árvores tem em cada área urbana de cada município do Amapá? Quais são as espécies que a população mais planta? Quais são as espécies que o poder público indica para plantio? Quais os critérios técnicos para o plantio de uma muda em área urbana? Qual o Índice de Sombra Arbórea por Rua Municipal? Como o morador pode ser beneficiado com o plantio e cuidado da árvore perto da sua casa?

Para o cidadão ter uma boa qualidade de vida é necessário CONHECER (saber quais espécies existem na área urbana da cidade), ENVOLVER (ter a população unida assim como os demais serviços públicos com o cuidado da arborização), PLANTAR (fazer novos incrementos de plantas para aumentar a taxa de arborização, CUIDAR (tornar as árvores como um PET Veg (PET Vegetal), INTEGRAR (fazer com que diversas políticas públicas possam ajudar na arborização urbana). Quem quer transformar uma árvore num PET Veg, seu PET de estimação? marcelo_creao@yahoo.com.br.


 Marcelo Creão
Ex-secretário de Estado na SEMA-AP, mestre em Biologia Tropical e Recursos Naturais, professor de Gestão Ambiental na FAMA.
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