05/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 05/07/2020 às 07h00min

A MÁSCARA, O PODER E A VERDADE

Eduardo Tavares. Foto:Arquivo Pessoal.


Ninguém consegue esconder por muito tempo quem realmente é. Palavras doces, voz mansa, porém com pensamentos destrutivos. Uma hora toda máscara cai. Na pandemia ou fora dela.

Não é de hoje que ouvimos dizer sobre o efeito colateral do “uso” do “poder” pelas pessoas. Há alguns o efeito é tão nocivo que dizem ver clara mudança de personalidade.

Noutros, é tão letal que faz morrer a pessoa e dá vida a um robô, sem sentimentos, sem sensibilidade, sem amor. Apenas interessado na disputa do poder pelo poder.

Não por outro motivo Michel Foucault entendeu que o poder reprime e ao mesmo tempo tem a capacidade de produzir efeitos de saber e verdade.

Poder pode ser antídoto e bálsamo. Pode ser cálice de desgraça e opróbio. Pode ser veneno e anticorpo. Tudo a depender da intenção de quem o “usa”, ou o “tem”!

A palavra poder, vem do latim vulgar potere, trauduzido ao latim clássico posse, que vem a ser a contração de potis esse, "ser capaz"; "autoridade". 

Falando em autoridade, lembro-me das aulas de Direito Penal com o Professor Raul Livino Ventim, que dizia “poder é a capacidade de submeter”. E me remeto aos ensinamentos de Maquiavel em “ O Príncipe”. 

Penso que é preciso que algumas autoridades passem a repensar suas atitudes, principalmente nesse período tão triste e sombrio que estamos vivendo. A única coisa que a nação não precisa nessa hora é de disputas políticas ou conchavo de poder.

As atitudes de gestores, autoridades em si, refletem sem sombra de dúvidas no dia-a-dia de cada cidade desse imenso Brasil de meu Deus. É preciso senso de civilidade para que sejam exemplos no trato da pandemia. Do uso da máscara aos discursos inflamados contra as medidas governamentais e sanitárias indicadas para conter o avanço da peste que assola a humanidade.

Isso é prova do correto uso do poder! Isso é prova do sentimento de brasilidade e amapalidade que precisamos. E será mais ainda, prova de respeito aos milhares de brasileiras e brasileiros que perderam suas vidas.

Se for para falar besteiras, é melhor que cale. Se for para dar exemplo péssimo, é melhor que se oculte.

A hora é de lutar pela vida. Não é só pensar no presente. Antes, porém, é de construir o amnhã, firmar o futuro com serenidade e garantias de saúde. 

E me volto a Maquiavel lembrando que [...]“nada faz um príncipe seja mais estimado que os altos exemplos que dá”[...] .  Há inclusive uma frase de efeito afirmando que os exemplos arrastam. Uns para o pódium, outros ao buraco. É preciso saber para onde se vai...

Estaríamos então a viver a confusão demoníaca? Ou será que o Poder passou a produzir seus efeitos de saber e de verdade. E a verdade nua e crua, que nos mostra o quanto nos enganos quando “idolatrávamos” algumas figuras e personalidades que estavam acima e qualquer suspeita?

A lição presente é que as máscaras dos traiçoeiros caem perante a verdade. É quando então tomamos ciência e temos consciência de quem realmente eram.

Lado outro, é bem verdade que a máscara pode até impedir que vejamos como estão usando o poder. Porém, quando a verdade chega, não tem máscara que fique em pé.

Para bom entendedor?...





Eduardo Tavares
Advogado criminalista e eleitoralista, membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político- ABRADEP.
Relacionadas »
Comentários »