15/11/2020 às 00h24min - Atualizada em 15/11/2020 às 00h24min

A Guerra dos mundos

Gil Reis. Foto:Arquivo Pessoal.

É inegável que no Brasil existem dois mundos bem distintos. O mundo urbano e o mundo rural. O distanciamento e a dicotomia entre esses dois mundos é bastante perceptível. Essa é a grande fragilidade do país. O maior elo de ligação entre o “ruris” e a “urbis” são os caminhoneiros que transportam os produtos para alimentar os cidadãos das cidades.

As populações que integram os dois se desconhecem. Os anseios, objetivos de vida, trabalho e lazer, ou seja o “modus vivendi” é inteiramente diverso nos dois mundos. Os habitantes da “urbis” perderam inteiramente a noção da integração entre os dois, um completa e não pode viver sem o outro. Não percebem que, ao acreditarem e aderirem às campanhas que denigrem o Agro, estão cometendo suicídio lento e gradual. A destruição do Agro tem como consequência a destruição das cidades e o fim do modo de vida como hoje conhecem. 

Essa fragilidade já foi percebida pelos inimigos do Brasil e do Agro que vem incentivando e promovendo um embate, uma verdadeira guerra entre os dois mundos, denegrindo sem nenhum pudor a imagem do Agro e consequentemente do Brasil. Este fato é facilmente identificado nas campanhas milionárias promovidas na grande mídia urbana com a finalidade de denegrir a imagem do mundo rural. Rios de dinheiro são investidos em tais campanhas na contratação de artistas, literatos, cientistas, comerciais de TV, de rádio, propaganda na mídia impressa e alguns articulistas. Tais campanhas são tão eficientes e eficazes que já atingem colégios, educadores e livros didáticos para crianças, começando a incentivar uma nova geração cheia de preconceitos e odiando todo o povo que integra o Agro.

As lideranças do Agro em todo o país se queixam da falta de acesso à mídia urbana e procuram uma maneira de derrubar o muro de comunicação existente entre os dois mundos.  O Agro não está conseguindo enfrentar a “guerra midiática”, apesar dos enormes esforços e ações desenvolvidas. O “ruris”, enquanto área rural, não tem cacife financeiro para enfrentar as campanhas com financiamentos ilimitados feitos por vários países e conglomerados internacionais interessados em promover a saída do Brasil do mercado mundial. Somos calouros, verdadeiros neófitos neste tipo de luta. As ONGs – Organizações Neo Governamentais, com ambição de orientar ou substituir o governo ditando políticas públicas, possuem fundos financeiros ilimitados e um exército de colaboracionista que transitam entre nós. Por favor, não confundi-las com as ONGs – Organizações Não Governamentais, pois, possuem siglas idênticas.

Volta e meia me perguntam – “qual o resultado prático dos teus artigos?” – sempre respondi que os artigos eram destinados ao “despertar de consciência”, como se diz “colocar o elefante e não o bode na sala”. Começo a chegar à conclusão que tal estratégia, aparentemente, não tem funcionado, assim hoje vou me atrever a dar sugestões, esperando que outros articulistas, com os “pés no chão” também as apresentem. Alguns vão diagnosticar as minhas sugestões de “utópicas”, todavia, se são ou não independe de avaliações e sim de ações efetivas. Não se pode construir um muro de “nãos” baseado em “achismo”. Creio que o processo é cientifico e envolve tentativas e erros. Uma coisa é certa – a eficácia das ações depende da união de todo o Agro.

Vamos raciocinar em conjunto, vez por outra ouço alguém afirmar que o Agro no meio urbano se equipara ao Agro no campo. Vejamos, são centenas de fornecedores de vacinas, defensivos e outros insumos. São centenas de Indústrias que beneficiam o que produzimos. São milhares de comerciantes de todas as dimensões que comercializam produtos agropecuários, desde os grandes supermercados até o pequeno açougue da periferia, assim por diante. Creio que é chegada a hora de convoca-los para a luta. Será preciso lembrar a todos eles que a redução da nossa produção, em função das campanhas dos inimigos, colocará em risco a saúde dos seus negócios. Não podemos esquecer as montadoras de automóveis, os grandes bancos que lucram com o financiamento das safras, as fábricas de sapatos, os fabricantes de roupas, as panificadoras etc. Caso fosse enumerar todas as empresas urbanas que vivem do Agro precisaria escrever uma obra maior que a enciclopédia Britânica. É preciso convocar até mesmo o governo cuja estabilidade depende da estabilidade do Agro, a história nos mostra o que a fome causou a diversos países. A participação do governo é importantíssima, não através de propaganda e sim disponibilizando seus canais de comunicação.

Realmente o tempo urge, os inimigos estão vencendo a luta midiática jogando os habitantes das cidades contra os habitantes e as atividades da área rural. Precisamos correr contra o tempo para evitar que cheguemos ao ponto que não será mais possível reverter a ação danosa contra o Agro, com a ruptura definitiva entre o “ruris” e a “urbis”. Quando isso ocorrerá? Não tenho a mínima ideia, porém, pelo andar da carruagem e por ações desesperadas de alguns grupos negociando com os inimigos, acredito que o momento se aproxima rapidamente.

O outro viés é a ação política como está fazendo o General Mourão, levando os Embaixadores de vários países para visitar a Amazônia na tentativa de desmistificar e desmentir tudo o que vem se apregoando contra a região.

Espero que as pessoas convidadas ainda não tenham sido contaminadas pelas campanhas da grande mídia nacional que alimenta a internacional e vice versa, caso contrário somente atenderão ao convite para identificar e anotar qualquer coisa, que no seu conceito pessoal, esteja errada. 

Paralelamente existem outras ações, através dos pronunciamentos corretos e com números verdadeiros do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, e da Ministra da Agricultura, Teresa Cristina, que são descartados de plano pelos ativistas colaboracionistas, por ambos serem considerados porta vozes de um Governo que consideram antiambientalista, por não rezar na cartilha do ambientalismo extremista que vem sendo implantado e implementado pela grande mídia planetária com o “amém” da ONU. O que vale mesmo é o discurso orientado da jovem Greta.

O Congresso Nacional precisa, também, agir seriamente contra o movimento desmoralizante de algumas minorias das duas casas que recorrem ao judiciário para tornar sem efeito e desmoralizar o Código Florestal, uma Lei votada e aprovada por aquela casa legislativa. 

É isso aí, me pediram solução e fiz a sugestão, como puderam perceber não é uma solução simples, pelo contrário, é trabalhosa e dependerá de muito esforço das lideranças do Agro. Negociar com os inimigos não é uma opção sensata, nessa guerra eles são mais hábeis que nós, que somos ingênuos compulsivos, e nos enrolarão facilmente, principalmente porque possuem o apoio de grandes grupos econômicos e grandes bancos, cooptados com a ameaça de provocar prejuízos financeiros A desculpa da adesão colaboracionista é a alegação que o envolvimento não é contra o Agro e sim a favor. 

É preciso unir o Agro do campo ao da cidade, o processo de conscientizar os setores fora do campo não será fácil, entretanto, é uma das soluções mais factíveis. Vamos aguardar outras propostas de soluções. Lembrando sempre que o único registro de solução caindo do céu está na Bíblia, quando na saída do Egito, caiu “maná do céu” para alimentar o povo hebreu em fuga.

Gil Reis
Consultor em Agronegócio
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