15/11/2020 às 00h23min - Atualizada em 15/11/2020 às 00h23min

La se foram 50 e poucos ou tantos anos.

Foto: Arquivo Pessoal
Úteis? Não sei... 

Ha pouco, em solenidade na Câmara dos Vereadores de minha cidade natal, um deles, ao discursar fez referência a minha pessoa, dizendo saber que também eu teria sido vereador em nosso município. Disse mais, conhecia por casos contados algumas realizações minhas consolidadas na cidade, mas lamentavelmente não sabia precisar, em que época eu o teria sido.
Já como pessoa tratada em contagem de épocas, apequenei-me silencioso, sentindo-me solitário no recinto; fazendo contas, percebi que exatamente neste ano de novas eleições municipais, se completam 57 anos em que fui eleito para uma única legislatura, pois nunca mais tornei a candidatar-me. 

Os tempos eram outros ... bem outros...

Vereador algum recebia salário, ajuda de custo ou proventos em qualquer espécie para representar seus eleitores. Funcionários a disposição a Casa os tinha. Dois...isto aí, dois!! Um secretário e uma escrevente datilografa. Mais ninguém. Acho mesmo que nem cafezinho comparecia às sessões, sendo ele o único ausente, pois no mais não se registrava falta de ninguém a elas. Éramos 15.  As diferenças políticas estavam sempre voltadas unicamente aos interesses do que representávamos. Não fomos nunca melhores que ninguém, mas, mais sérios quanto a servir o que era público, com certeza, o éramos.

Ainda outro dia, assisti pela internet um curioso e bem montado vídeo "show” que fazia fundo a gravação de conversas dos atuais vereadores quanto a aumento de salários. Não sei se a intenção do pretendido aumento era sacana ou safada, mas com certeza era desmerecedora para com aquela Casa. Se sigilos da reunião não pediram, ousaram propor, embora descarada, total discrição. 

Um vereador hoje, já nos custa por volta de R$ 25.000,00 por mês, mais algumas outras e outras assessorias ou mordomias, como queiram.  São análises e cálculos que os eleitores nunca fazem quando se aproximam eleições e honra na hora do voto. Entretanto, é fácil entender. Têm eles, os vereadores, apenas sete sessões mensais, sempre à noite, nos sete primeiros dias úteis do mês. A duração delas é perto de duas horas cada, e nem todos comparecem ou por lá ficam tal tempo. E é só.... Assim, dispensando o demonstrativo matemático podemos afirmar que nós todos pagamos, R$ 41,66/minuto por cada um deles, fora a despesa daquele poder; acrescente-se mais, agora eles são vinte um (21).

As alegações, as mais estapafúrdias e pouco dignas. A principal delas é que eles sempre têm que gastar muito para serem eleitos e que após isso, vitoriosos, os eleitores continuam ininterruptamente a sugá-los. Uma completa e hipócrita confissão que compram votos, consciências, responsabilidades alheias e porque não, sentimentos naturais de honestidade. Pior, demonstram bem como conseguem derrotar a boa intenção, a qualidade pessoal e o útil à sociedade, ao promover a omissão dos bons.

Que exemplo pernicioso! 

Torna-se abusado que coisas assim aconteçam e fiquem sempre por isso mesmo. Dá até vontade de ser vereador outra vez. Por remuneração assim, é possível termos melhor postura e trazermos melhores benefícios à comunidade que tais falastrões demagogos, ambiciosos financeiramente, encastelados que lá estão. O problema é que talvez esta não seja mais a minha cidade ou de meus antepassados, assim como talvez, nem mais o Brasil seja o nosso velho recanto cheio de ideais. 

Porém, este é um forte e formidável país. Deus nos o deu como prêmio e não estamos sabendo honrá-lo. Ele é tão poderoso e rico que mesmo roubando tanto, promovendo escandalosos saques, ainda sobra algum para que ele cresça e desenvolva. Não importa a expansão da incompetência, não importa os números excedentes de funcionários nos municípios, estados ou União; não importa o dispêndio mal aplicado da previdência, não importam os desvios financeiros na manutenção da malha rodoviária, não importam tantas outras “coisinhas”, como saúde, educação, malversações administrativas no Congresso, em ministérios ou secretarias, etc e etc, ainda há riqueza que ladrão não dá conta de carregar. Ôô Brasil bonito...

Mas, acabar com esse esbulho e pilhagem tem jeito e conserto. Educação, formação moral e informação na busca de uma melhor seleção, poderiam não só diminuir, como também acabar com bandas podres na política nacional. E tudo começa agora, outra vez, nas bases, em uma nova oportunidade que temos em mais uma escolha, podendo inclusive optar por nova gente e filosofia. É só darmos melhor valor a nós mesmos à nossa opinião e voto e menos espaço para declarados levianos e pouco honestos de propósitos para com o bem público.

Com tais afirmações, espero apenas estimular a todos, particularmente a juventude em sua participação e que estejam sempre presentes, buscando melhores dias e soerguimento de uma correta nação. Encontrarão sempre meios para tal, ainda mais que toda a herança boa ou ruim, será deles, até o próprio país e por bem mais de 57 anos, MUITO MAIS.


José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.
 
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