22/11/2020 às 16h32min - Atualizada em 22/11/2020 às 16h32min

Marcos Reategui

Foto: Arquivo Pessoal
 
O AMAPÁ, PROJETADO PARA SER UM PARAÍSO, SOFREU UM APAGÃO. O POVO ESTÁ REVOLTADO COM A DEMORA DA GAMBIARRA, PORQUE SOLUÇÃO EFETIVA NÃO MAIS ESPERA DOS SEUS REPRESENTANTES.
 
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Depois de quase vinte dias de escuridão, com a sociedade enfrentando um racionamento de energia instável e mal elaborado, falta de água potável e apodrecimento de alimentos, as autoridades locais ainda batem cabeça e nada apresentam de concreto, para resolver de uma vez por todas os problemas de infraestrutura, atendo-se sempre a “remendos emergenciais”, as famosas gambiarras.
 
A “solução” apresentada desta vez, qual seja, trazer um alimentador de Laranjal do Jari, além de ter prolongado a agonia da população, criou uma situação de enorme risco: a capital vai ser alimentada por uma estrutura improvisada - desmontada e remontada às pressas; e, por sua vez, o interior perdeu seu “plano B”, indispensável em caso de emergência. Agora, é como se tivéssemos dois aviões em voo, cada um com apenas uma turbina.
 
Mais que tudo isso, porém, é gritante o fato de que esse caos no qual fomos mergulhados tem as digitais dos gestores locais. A estrutura incendiada, que garantia a energia para nosso estado, não tinha nenhuma unidade de apoio, fato que é do conhecimento da bancada federal que lá está há dois anos. 
 
Muito mais grave ainda é o fato de que nenhum investimento para otimizar e modernizar a rede elétrica do Amapá foi feito ao longo dos últimos mandatos. Para quem não sabe, o custo da energia, em grande parte, aumenta com as perdas advindas da rede de distribuição sucateada e ultrapassada.
 
É importante que isso seja dito, porque os representantes do povo não podem fugir de suas responsabilidades. O atual governador está no seu quarto mandato à frente do governo estadual e o resultado, o legado, é isso: trevas! A bancada atual, passados dois anos, precisa, também, mostrar serviço.
 
Não há dúvidas que depois de 14 anos como governador (serão 16 em 2022, quando termina o mandato) a estrutura de alimentação elétrica é apenas a sucata daquela que existia no seu primeiro dia de governo. Por que não se modernizou a rede de distribuição da energia a partir de três usinas muito potentes, construídas no Amapá?
 
Contudo, como o governo atual não possui sequer projetos para o futuro, muito menos realizações para o presente, não é de estranhar que as pessoas estejam à beira de um ataque de nervos, sentindo a saúde física e psicológica comprometidas pelos efeitos do descaso dos gestores eleitos, aqueles que deveriam trabalhar para que o Amapá tivesse um futuro próspero e que entregam apenas dor e desesperança.
 
Os mais pobres, aqueles que, normalmente, já sofrem com condições e estrutura sem qualidade, estão relegados a subsistir como se estivessem no tempo das cavernas, por isso a revolta é tão grande.
 
Os políticos, preocupados com suas campanhas e eleições, ainda se assustam com as revoltas populares, mas isso não me surpreende. Estamos diante de um processo de ebulição social, que será um catalizador para mudar as pérfidas estruturas de poder que nos governam. Os governantes de todos os poderes estão sendo conscientizados, pela indignação popular, que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências…pelo voto. É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!

Marcos Reátegui 
Advogado, ex-procurador geral do estado, ex-deputado federal, atual delegado da Polícia Federal.
 
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