28/11/2020 às 23h40min - Atualizada em 28/11/2020 às 23h40min

A justa homenagem do TJAP à serventuária Maria da Conceição Cruz Meireles (in memoriam)

Foto: Arquivo pessoal
No próximo dia 30 de novembro, o Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, instalará no prédio da 7ª Vara do Juizado Especial Cível – Unifap – o Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) -  que receberá a denominação de Maria da Conceição Cruz Meireles (in memoriam), serventuária da justiça, falecida em 08 de maio de 2019, após 25 anos de serviços prestados ao Tribunal de Justiça do Estado do Amapá. A homenagem tem suas peculiaridades que revelam um comportamento inusitado e elogiável do judiciário amapaense ao reconhecer os relevantes serviços prestados por uma serventuária, emprestando seu nome a um órgão de solução de conflitos, ato normalmente deferido somente aos magistrados falecidos.

O conteúdo simbólico da homenagem representa uma virada de chave no recesso de um órgão estatal de nítidos contornos comportamentais conservadores, sobretudo no que tange ao reconhecimento do trabalho de excelência de seus valorosos recursos humanos das serventias. Normalmente qualquer trabalho digno de nota no desenvolvimento dos trabalhos é atribuído aos magistrados, sempre titulares nas hierarquias internas de suas estruturas administrativas e jurisdicionais. Reconhecer o trabalho de uma serventuária na dimensão que está sendo deferida à servidora Maria da Conceição Cruz Meireles (in memoriam) materializa-se como alinhamento ético e responsável da instituição às práticas modernas de governança, capaz de revolucionar, nesse particular, o relacionamento com seus colaboradores mais diretos.

Para quem não conhece a vida funcional da homenageada Maria da Conceição Cruz Meireles, impõe-se esclarecer que foi uma das mais dedicadas e eficientes serventuárias de justiça do Estado do Amapá. Nos últimos anos de sua vida dedicou-se à militância ferrenha para a efetiva utilização nas lides dos métodos consensuais de soluções de conflitos, encargo que exerceu com rara maestria. Alinhada com a orientação dos órgãos de cúpula do poder judiciário brasileiro, acreditava na conciliação e mediação como os métodos mais eficazes para a solução dos conflitos de interesses. Para a efetivação desse desiderato não relutava em despender toda sua capacidade laborativa, mesmo com o sacrifício do tempo e da vida particular, atributo que lhe diferenciava no universo de seu dedicado trabalho.

Maria da Conceição Cruz Meireles deixou um legado singular na sua militância na política de conciliação do judiciário amapaense. Dotada de extrema habilidade em formar times eficientes para o exercício da atividade jurisdicional, era admirada por estagiários, servidores de apoio, colegas serventuários e por magistrados. Seu sorriso marcante ficará eternizado no recesso físico por onde desenvolveu suas atividades funcionais como lembrança de quem exerceu seu mister com compromisso e alegria.

Ao judiciário amapaense, em especial à Desembargadora Sueli Pini, Coordenadora do NUPEMEC, cabe o reconhecimento de que a homenagem à serventuária Maria da Conceição Cruz Meireles representa o início de um processo disruptivo e inovador na instituição, que suplanta práticas vetustas de relacionamento com os recursos humanos subalternos, atores imprescindíveis nos seus propósitos institucionais, inaugurando um tempo novo que valoriza o ser humano na sua dimensão mais sublime e altaneira que é a entrega responsável e comprometida do trabalho como valor da própria existência que eterniza e marca o indivíduo no seio social com ser único e singular.



Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia) 

 
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