28/11/2020 às 23h49min - Atualizada em 28/11/2020 às 23h49min

Marcos Reatégui

Marcos Reátegui. Foto:Arquivo Pessoal
 
 
O AMAPÁ, PROJETADO PARA SER UM PARAÍSO, HOJE NÃO É EXATAMENTE ISSO. O POVO ESTÁ REVOLTADO. FALTOU SEQUÊNCIA A MEU TRABALHO. 
 
Conheça mais sobre o trabalho que desenvolvi através da página /DepMarcosReategui do facebook. Contribuições e questionamentos serão recebidos através do e-mail reategui1@yahoo.com.br
 
• Lembro que há algum tempo leitores perguntam se não é exagero escrever que a população está vivendo no limite da indignação, prestes a explodir de revolta. Respondo que estou convencido de que a paciência dos amapaenses acabou porque os gestores públicos passaram dos limites. A crise atual – e a revolta que a ela se segue, está provando que tenho razão.
 
• Nossa sociedade há décadas é maltratada por homens públicos que, em vez de trabalhar para construir uma Matriz Econômica que viabilize um futuro para o Amapá, preferem se dedicar aos interesses de uma política do conchavo, feita às escondidas e cujo único objetivo é sugar dinheiro do povo para garantir seu grupo de apoiadores. Era questão de tempo até a população não aguentar mais, não é mesmo?
 
• A crise do apagão escancarou aquilo que venho denunciando há tempos: os gestores não tem e nunca tiveram projetos de desenvolvimento para o Amapá. No cargo há quatorze anos, a atual Administração não foi capaz de desenvolver minimamente sequer a infraestrutura de distribuição de energia elétrica em nosso estado que, há quase um mês, está em pane, porque é um sistema ultrapassado e sem manutenção.
 
• Mesmo agora, depois de improvisada uma “gambiarra” para minimizar o problema, a população ainda enfrenta quedas de energia e racionamento. Fosse pouco, vivemos outro caos dentro do caos, quando, na última semana, fortes chuvas causaram alagamentos e trouxeram ainda mais prejuízos para centenas de famílias amapaenses.
 
• O governo, como sempre, mostrou todo seu despreparo para lidar com qualquer crise. Como se não tivesse responsabilidade, culpou o volume de chuva, supostamente inesperado para essa época do ano. É mais uma inverdade, claro. Todos sabem que estamos na temporada de chuvas e que eventos assim são comuns neste período. Mas, ainda que assim não fosse, caso tivéssemos uma chuva mais forte que qualquer previsão, o governo jamais poderia alegar mau tempo para deixar de resolver os problemas para o qual a população o elegeu. Aliás, é para resolver problemas sociais que elegemos nossos representantes, ou não?
 
• Ao fim e ao cabo, a população que nem bem saiu do escuro do apagão e viu-se afundar na lama da enchente. O amapaense sofre na pele o resultado de anos e anos de péssimas e corruptas administrações e, por consequência, de descaso e falta de compromisso com o povo. Então, é evidente que a conta iria chegar! E está chegando pesadíssima.
 
• Tudo isso é motivo mais que suficiente para potencializar toda a revolta e a indignação há muito represadas. Agora, a falta de confiança nas instituições, e nos representantes eleitos, é palpável e pode ser sentida por qualquer um que saia às ruas e converse com as pessoas. Eu tenho feito isso e percebo o quanto nossa gente está machucada, sentindo-se humilhada e desprezado.
 
• Enquanto isso, os que foram eleitos para administrar, para gerenciar os recursos públicos no interesse do povo, estão preocupados apenas em disputar espaços de poder, ignorando o clamor daqueles que mais precisam de ajuda neste momento de caos dentro de caos. 
 
• Portanto, estamos diante de um processo de ebulição social, que se mostra um catalizador para mudar as pérfidas estruturas de poder que nos governam. Assim, acompanhamos as reações à má gestão e ao desvio de recursos públicos. Os governantes de todos os poderes estão cientes que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências…pelo voto. É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!


Marcos Reátegui 
Advogado, ex-procurador geral do estado, ex-deputado federal, atual delegado da Polícia Federal.
 
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