21/02/2021 às 00h30min - Atualizada em 21/02/2021 às 00h30min

A FOTO E O FATO

Edinho Duarte. Foto:Arquivo Pessoal.

Esta semana, uma foto de 1937, onde estudantes americanos aparecem tendo aulas remotas durante a pandemia de poliomielite, em Chicago, quando as escolas foram fechadas e os professores passaram a dar aulas pelo rádio, me chamou atenção.

A imagem é muito interessante!

Os alunos aparecem reunidos, com os ouvidos colados ao pé do rádio, uniformizados e obedecendo rigorosamente os impositivos do isolamento social da época.

Agora, em 2021, família e escola estão vivendo novamente o começo de um ano letivo desafiador.

Todas as vezes que eu olho para essa foto, eu paro e faço a seguinte reflexão:

Está morrendo a geração que sem estudos educou seus filhos.

Aquela que, apesar da falta de tudo, nunca permitiu que faltasse o indispensável em casa.

Aquela que ensinou valores, começando por amor e respeito.

As pessoas que ensinavam aos homens o valor de uma mulher; e às mulheres o respeito pelos homens.

Estão morrendo os que podiam viver com pouco luxo, sem se sentir frustrados com isso.

Aqueles que trabalharam desde tenra idade e ensinaram o valor das coisas, não o preço.

Estão morrendo os que passaram por mil dificuldades e sem desistir, nos ensinaram a viver com dignidade.

Aqueles que depois de uma vida de sacrifícios e agruras, vão com as mãos enrugadas, mas a cabeça erguida.

A geração que nos ensinou a viver sem medo está morrendo. 

E no lugar, está surgindo a geração que tem medo de morrer de medo.

Está morrendo a geração que nos deu a vida. 

Está morrendo a geração de ferro para dar passagem à geração de cristal.


Edinho Duarte 
Jornalista, Pedagogo e ex-deputado estadual
 
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