27/02/2021 às 14h46min - Atualizada em 27/02/2021 às 14h46min

OS NÚMEROS E DESAFIOS DA BIOECONOMIA

Marcelo Creão. Foto: Arquivo Pessoal.

As projeções da ONU apontam que em 2030 a população mundial será de 8,5 bilhões de pessoas. O aumento gradativo e sem nenhuma perspectiva de estabilidade da população e de seu consumo vem provocando demandas sem precedentes sobre a agricultura. Aliadas aos desafios gerados por esse aumento populacional, a crescente urbanização, a utilização exagerada dos recursos naturais, de que resulta sua degradação, a dependência dos recursos fósseis e as incertezas relacionadas às mudanças climáticas em uma escala global requerem a busca de uma mudança de paradigma para o desenvolvimento mundial.

As definições de bioeconomia incorporam tanto os aspectos históricos quanto os mais modernos. Tradicionalmente, ela envolvia produção e comercialização de alimentos e produtos florestais e têxteis naturais, como o algodão e a lã. Além desses, produtos como cervejas, vinhos, queijos e medicamentos naturais também podem ser considerados resultantes dos primeiros processos biotecnológicos, que, ao serem aprimorados por cientistas, constituem a bioeconomia moderna.

A Convenção sobre Diversidade Biológica da Organização das Nações Unidas definiu: “Biotecnologia significa qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos ou seus derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processos para uma utilização específica.

Para Comissão Europeia, a bioeco¬nomia é a produção a partir de recursos biológicos renováveis da terra, água e mar, assim como de resíduos de processos produtivos de transformação e sua conversão em alimentos, rações, produtos de base biológica e bioenergia, incluindo a agricultura, produção florestal, pesqueira, alimentar e de celulose, além das indústrias químicas, biotecnológicas e de energia.

O Brasil tem a maior diversidade genética vegetal do mundo, contando com 42.730 espécies vegetais distribuídas em seus diferentes biomas (Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Caatinga e Pantanal). O setor primário tem apresentado saldos comerciais de magnitude elevada. Proporcionou, entre 2000 e 2009, superávit anual médio de US$ 36 bilhões e, entre 2010 e 2016, de US$ 63 bilhões. Em 2016, o setor alcançou exportações de US$ 84 bilhões e um superávit comercial de US$ 71 bilhões.

Na União Europeia, os resultados indicaram que o valor das vendas da bioeconomia foram de € 2,1 trilhões em 2013. Os segmentos de atividades econômicas com maior participação nesse valor eram: produtos alimentícios (44%), agricultura (19%), produtos derivados de florestas (8%), papéis (8%) e bebidas (6%).

As estimativas para as vendas atribuíveis à bioeconomia brasileira em todo o mundo totalizaram, em 2016, o valor de US$ 326,1 bilhões. No Brasil, em 2016, o valor das vendas atribuíveis a sua bioeconomia alcançou US$ 285,9 bilhões. O valor calculado de US$ 285,9 bilhões para o conteúdo da bioeconomia nas atividades econômicas do país equivalia a 13,8% do PIB. Os dados iindicam que a fabricação de produtos alimentícios foi a atividade que mais absorveu o valor oriundo do setor primário: suas vendas atribuíveis à bioeconomia totalizaram US$ 65,2 bilhões.

É sabido que nossos investimentos em pesquisas e levantamento de dados ainda são aquém do que realmente é necessário para termo um patamar mais confiáveis de produção e de comercialização local acerca dos produtos e derivados da bioeconomia, principalmente quando distribuímos por bioma brasileiro.

Assim, um desenvolvimento efetivo da bioeconomia no país requer, além da disponibilidade e de custos competitivos dos insumos físicos, soluções no campo das biociências e em conhecimentos avançados em biotecnologias. Também será necessário avançar mais rapidamente em temas como a compreensão científica sobre a qualidade dos recursos de biomassa, a melhoria na adaptação desses recursos para seu proces-samento produtivo e o aprimoramento dos processos de conversão de produtos bioderivados. Um elemento crítico será a necessidade de me¬lhorias nas capacitações locais a fim de aproveitar esse potencial, tanto para utilizar os recursos do país, quanto para desenvolver e empregar novas tecnologias para processos industriais. A bioeconomia em números. BNDES Setorial. marcelo_creao@yahoo.com.br.
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