05/07/2020 às 07h00min - Atualizada em 05/07/2020 às 07h00min

Marcos Reatégui

Marcos Reátegui. Foto:Arquivo Pessoal
O AMAPÁ, PROJETADO PARA SER UM PARAÍSO, HOJE NÃO É EXATAMENTE ISSO. NOSSO POVO SEM PERSPECTIVA DE VIDA, ABANDONADO PELOS GOVERNANTES QUE DEVERIAM CRIAR POLÍTICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL. FALTOU SEQUÊNCIA AO TRABALHO. 
 
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• O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou uma campanha destinada a enfrentar a chaga da violência contra a mulher, um mal que ainda hoje mancha nosso país e cobre como uma sombra pérfida a vida de milhões de mulheres de norte a sul do Brasil. No Amapá, infelizmente, a realidade não é outra: todo dia, mulheres são vítimas da covardia brutal daqueles movidos pelo ódio de gênero – a maioria das vezes, algozes dentro da própria casa.
 
• A campanha do CNJ, rapidamente abraçada por empresas e organizações da sociedade civil, visa facilitar para as vítimas o ato de denunciar a situação de violência, estimulando-as a marcar com batom a palma da mão e expô-la em locais públicos, onde deverão ser imediatamente acolhidas e receber, das autoridades competentes, a proteção e os cuidados que tanto precisam.
 
• No Amapá, com pompa e circunstância, o Governo do Estado anunciou que estava aderindo à campanha. O que num primeiro momento poderia passar como uma boa ação de engajamento da gestão estadual, na verdade se mostra um – mais um! – ato de marketing político, sem nenhuma efetividade na vida das mulheres amapaenses vítimas de violência.
 
• Campanhas de conscientização e educação cabem a entidades como o CNJ. Cabem a entidades empresariais, ONGs e organismos da sociedade civil. Os políticos tem o dever de resolver, pois foram eleitos para enfrentar os problemas de forma resolutiva, apresentando soluções, que não os limitem ao papel de “garotos(as) propaganda” de campanhas publicitárias.
 
• Infelizmente, ainda hoje milhões de mulheres vítimas de violência permanecem reféns de relacionamentos abusivos, sem poder denunciar e se livrar de seus agressores, por não terem uma porta de saída que garanta – a elas e a seus filhos – condições de prover o próprio sustento. Representantes do povo tem o dever de apresentar programas de acolhimento, apoio, capacitação e inserção no mercado de trabalho para as vítimas da violência doméstica, dando a essas mulheres a capacidade concreta de sair da situação de abuso e mudar de vida de verdade.
 
• Especificamente no Amapá, depois de quase quatorze anos do Governo atual, ainda não há plano de desenvolvimento efetivo, capaz de permitir aos mais vulneráveis uma porta de entrada para uma vida mais digna. Além disso, falta, também, uma rede de segurança pública capaz de responder com agilidade e de forma efetiva à criminalidade que assola nosso estado, que tem na violência doméstica um dos seus cenários.
 
• O Poder Executivo tem esse nome pelo dever de executar, de forma concreta, medidas destinadas a melhorar a vida das pessoas. Em outras palavras, um governador até pode anunciar que apoia uma campanha, como a lançada pelo CNJ, mas ele não pode ficar só nisso, pois dos governantes o povo espera ação, medidas claras, objetivas e com efeito prático.
 
• Propus o desenvolvimento do Estado, através de recursos e projetos de piscicultura, avicultura e suinocultura, produção de polpas, da indústria de beneficiamento da castanha do Brasil e do açaí e camu-camu, além das emendas e projetos para a “Virada Cultural Afrodescendente” e “Nacional da Quadra Junina”, visando atrair turistas, que gerassem empregos e rendas. Para além disso, agora, proponho a criação de uma rede de apoio à mulher vítima de violência doméstica, capaz de oferecer acolhida, assistência psicológica e emocional. Mas, que vá além e também garanta o alicerce econômico e social necessário para que essas pessoas em posição tão vulnerável possam se erguer e recuperar a própria dignidade. Isso se faz com programas que facilitem o acesso ao estudo, ao mercado de trabalho e ao empreendedorismo comunitário, que encontra guarida nas emendas e projetos que deixei em curso. Por que parou?
 
• Falta gestão e sobra corrupção no Amapá. Esse descaso de anos, somado ao caos atual, levou a população ao limite. Todos estão despertando e tomando consciência coletiva de que somos uma sociedade que não aguenta mais ser abandonada, roubada e maltratada. Por isso acompanhamos juntos, cada vez mais, as reações à má gestão e ao desvio de recursos públicos. Os governantes de todos os poderes precisam enxergar que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências… É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!




Marcos Reátegui 
Advogado, ex-procurador geral do estado, ex-deputado federal, atual delegado da Polícia Federal.
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