Amados irmãos e irmãs em Cristo. Graça e paz da parte do nosso Senhor Jesus Cristo, do Espírito Santo e do nosso Deus criador, “… que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. (FP 4.7 – NTLH)”. O mesmo Senhor que: “(35) … andava visitando todas as cidades e povoados. Ele (Jesus) ensinava nas sinagogas, anunciava a boa notícia sobre o Reino e curava todo tipo de enfermidades e doenças graves das pessoas. (36) Quando Jesus viu a multidão, ficou com muita pena daquela gente porque eles estavam aflitos e abandonados, como ovelhas sem pastor. (37) Então disse aos discípulos: — A colheita é grande mesmo, mas os trabalhadores são poucos. (38) Peçam ao dono da plantação que mande mais trabalhadores para fazerem a colheita. (Mt 9.35-38 – NTLH)”. Meus irmãos nesta semana, especialmente após o Dia do Pastor, celebrado em 10 de junho, somos levados a refletir sobre uma importante pergunta: Por que Deus instituiu o ministério pastoral? Muitas pessoas imaginam que o pastor existe para administrar uma igreja, organizar eventos ou simplesmente aconselhar pessoas. Embora essas atividades possam fazer parte de seu trabalho, a Escritura apresenta algo muito maior. O pastor foi chamado para ser um instrumento por meio do qual Deus leva Cristo aos pecadores e pecadores a Cristo. Sem a Palavra de Deus não existe fé. Sem a Palavra de Deus não tem como Deus Espírito Santo trabalhar e se não tiver Palavra, então não há a ação do Espírito Santo, se sem a ação do Espírito Santo não haverá existe arrependimento. Pois como diz Jesus dá testemunho a respeito do Espírito Santo que: “O mundo não pode receber esse Espírito porque não o pode ver, nem conhecer. Mas vocês o conhecem porque ele está com vocês e viverá em vocês. (Jo 14.17 – NTLH)” Ou seja, se não tiver contato com a palavra pregada no Culto, não temos como conhecer o Espírito Santo e Ele não trabalhará em nosso coração, pois não teremos a Palavra. Pois Jesus fala que “o Espírito Santo, que o Pai vai enviar em meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará com que lembrem de tudo o que eu disse a vocês. (Jo 14.26)”. Pois, “quando o Espírito da verdade vier, ele ensinará toda a verdade a vocês. O Espírito não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que ouviu e anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer. (Jo 16.13- NTLH)”. E ainda Jesus nos lembra a respeito da ação do Espírito Santo que age diretamente pela pregação da Palavra de Deus que, “Ele (Espírito Santo) convencerá as pessoas do mundo de que elas têm uma ideia errada a respeito do pecado e do que é direito e justo e também do julgamento de Deus. (Jo 16.8).” Tão logo, sem a Palavra de Deus não existe salvação. E sem a pregação da Palavra o Espírito Santo não opera nos corações.
Por isso a Igreja Luterana confessa, na Confissão de Augsburgo, Artigo V: “Para que obtenhamos esta fé, foi instituído o ministério de ensinar o Evangelho e administrar os Sacramentos. Pois por meio da Palavra e dos Sacramentos, como por instrumentos, é dado o Espírito Santo.” O objetivo do ministério pastoral não é apontar para si mesmo, mas apontar para Cristo. O pastor não é o Salvador. Cristo é o Salvador. Mas Cristo decidiu agir por meio da pregação. É exatamente isso que vemos nos textos de hoje.
I – Deus reúne para si um povo que ouve sua voz. Vejamos que em Êxodo 19 encontramos Israel diante do Monte Sinai. Deus lembra ao povo: “Vocês viram o que fiz com os egípcios e como os trouxe para perto de mim, assim como a águia leva os filhotes nas suas asas.” (Êx 19.4 – NTLH). Observe a ordem. Primeiro Deus salva. Depois Deus chama. Primeiro Deus resgata. Depois Deus ensina. Israel não foi libertado porque era obediente. Israel foi libertado pela graça. Da mesma forma, nós não somos salvos porque somos bons. Somos salvos porque Cristo morreu por nós. Depois da libertação, Deus entrega sua Palavra. Ele chama Moisés para ser seu porta-voz. O povo não ouviria diretamente a voz de Deus. Deus escolhe um mediador humano. Aqui encontramos um princípio que percorre toda a Escritura: Deus fala ao seu povo por meio de servos chamados: Moisés. Os profetas. Os apóstolos. E hoje, os ministros da Palavra. Não porque eles sejam especiais. Mas porque Deus decidiu agir assim. O povo respondeu: “Nós faremos tudo o que o Senhor ordenou.” (Êx 19.8 – NTLH). Mas conhecemos a história. Pouco tempo depois estavam adorando o bezerro de ouro. Isso revela uma verdade dolorosa. O problema não está apenas em nosso comportamento. O problema está em nosso coração. O comportamento expõe o que temos no coração, o pecado, que miserável sou por causa do terrível pecado. Precisamos constantemente ouvir a Palavra de Deus. Sem ela nos desviamos. Sem ela nos tornamos ovelhas sem pastor. Outra realidade terrível.
II – Jesus vê o drama das ovelhas sem pastor: No Evangelho de Mateus encontramos uma das passagens mais emocionantes das Escrituras. Mateus escreve: “Quando Jesus viu a multidão, ficou com muita pena daquela gente porque eles estavam aflitos e abandonados, como ovelhas sem pastor.” (Mt 9.36 – NTLH). O que significa ser uma ovelha sem pastor? Significa estar perdido. Sem direção. Sem proteção. Sem alimento. Sem esperança. O problema daquelas multidões não era apenas pobreza. Isso é físico, mas a pobreza espiritual, essa não tem solução humana, a pobreza e privação é possível ser superada por alguma oportunidade trabalho, mas espiritual isso só tem solução com Jesus. Jesus mostra que a dor e o sofrimento não era apenas sofrimento físico. Era um problema espiritual. Elas estavam afastadas de Deus. E ainda hoje milhões vivem assim. Muitos possuem dinheiro, estudo e conforto. Mas não possuem Cristo. Vivem sem saber quem são. Sem saber para onde vão. Sem saber como serão salvos. E o que Jesus faz diante disso? Ele não organiza uma revolução política. Ele não cria um programa social. ELE ENVIA PREGADORES. “A colheita é grande mesmo, mas os trabalhadores são poucos.” (Mt 9.37 – NTLH). Em seguida Ele chama os doze apóstolos. E lhes entrega uma missão. Pregar. Ensinar. Anunciar. Levar a Palavra. Essa continua sendo a missão do ministério pastoral.
III – A Lei deve ser pregada com toda a sua dureza: Vivemos em uma época em que muitos desejam ouvir apenas mensagens agradáveis. Muitos querem um evangelho sem arrependimento. Uma graça sem pecado. Uma salvação sem cruz. Mas Cristo não enviou seus ministros para fazer as pessoas se sentirem confortáveis em seus pecados. O verdadeiro pastor deve pregar a Lei. E deve pregá-la com clareza. A Lei revela nossa condição. A Lei desmonta nosso orgulho. A Lei destrói nossa falsa segurança. A Lei mostra que somos pecadores. Essa Lei nos mostra nossos pecados em pensamentos, palavras e ações. Ela revela nossa idolatria e, todos nós temos nossos deuses “prediletos”, seja por imagens ou valores e confiança ou em coisas que damos alto valor. Aí está a nossa idolatria, e só a Palavra nos liberta disso. Veja que podem ser coisas simples como: Nossa ganância. Nossa impureza. Nossa falta de amor. Nossa rebeldia. A Lei diz: Você não é tão bom quanto imagina. Você não consegue salvar a si mesmo. Você merece o juízo de Deus. Isso dói. Mas é necessário. Assim como um médico precisa revelar a doença antes de apresentar a cura. Sem diagnóstico não há tratamento. Sem arrependimento não há desejo pelo Salvador. Por isso o pastor que ama seu povo não esconde a Lei. Ele a proclama. Não por crueldade. Mas por amor. Porque deseja conduzir os pecadores a Cristo.
IV – O Evangelho deve ser pregado com toda a sua doçura – Mas se a Lei fosse a última palavra, estaríamos perdidos. Graças a Deus que ela não é. Em Romanos 5 encontramos uma das mais belas descrições do Evangelho. Paulo escreve: “Pois, quando não tínhamos forças para nos salvar, Cristo morreu pelos maus no tempo escolhido por Deus.” (Rm 5.6 – NTLH). Que palavras extraordinárias. Cristo morreu pelos maus. Não pelos merecedores. Não pelos perfeitos. Não pelos santos. Mas pelos pecadores. Paulo continua: “Mas Deus nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado.” (Rm 5.8 – NTLH). Aqui é mostrado a beleza de sermos fé cristão. Deus não esperou que melhorássemos. Não esperou que nos tornássemos dignos. Não esperou que consertássemos nossa vida. Ele veio ao nosso encontro. Ele assumiu nossa culpa. Ele carregou nosso pecado. Ele sofreu nossa condenação. Ele morreu em nosso lugar. E ressuscitou para nossa justificação. O Evangelho anuncia: Seu pecado foi pago. Sua culpa foi removida. Seu Salvador vive. Você pertence a Cristo. É isso que o pastor deve proclamar. Não opiniões humanas. Não filosofia. Não motivação. Mas Cristo crucificado. Como disse Lutero: “Nada devemos pregar senão Cristo e este crucificado.”
V – Quero te convidar a uma ilustração sobre a função da Lei e do Evangelho – Conta-se que um homem caminhava à noite por uma estrada perigosa. De repente caiu em um poço profundo. Tentou sair sozinho. Escalou as paredes. Esforçou-se. Mas não conseguiu. Quanto mais tentava, mais cansado ficava. Então alguém apareceu na borda do poço com uma lanterna. A luz mostrou a profundidade do buraco. Mostrou o barro. Mostrou a impossibilidade de escapar sozinho. Essa é a função da Lei. Ela ilumina nossa situação. Ela revela nossa miséria. Mas a luz não tira ninguém do poço. Então o mesmo homem lançou uma corda. Desceu até o fundo. Segurou o caído. E o trouxe para fora. Esse é o Evangelho. Cristo não apenas mostra nosso pecado. Ele nos salva dele. A Lei revela o problema. O Evangelho traz a solução. A Lei nos conduz ao arrependimento. O Evangelho nos conduz à fé.
VI – Por isso que é função do pastor proclamar; então o Espírito Santo converte – É importante entender algo. O pastor não converte ninguém. Quem converte é o Espírito Santo. Jesus diz aos apóstolos: “Pois não serão vocês que estarão falando; mas o Espírito do Pai de vocês falará por meio de vocês.” (Mt 10.20 – NTLH). Isso nos traz grande conforto. A eficácia do ministério não depende do talento humano. Depende da ação divina. Quando a Palavra é pregada corretamente, o Espírito Santo está agindo. Ele convence do pecado. Ele produz arrependimento. Ele cria fé. Ele fortalece os crentes. Ele preserva a Igreja. Por isso o ministério pastoral é tão importante. Não por causa do homem. Mas por causa da Palavra que ele anuncia.
VII – É importante lembrar que a missão não termina no púlpito – Mas há algo que não podemos esquecer. A missão não pertence apenas ao pastor. Depois de ouvir o Evangelho, cada cristão torna-se testemunha. Cada membro da igreja é chamado a viver e compartilhar a fé. Não significa assumir o ofício pastoral. A Escritura distingue claramente o ministério público da pregação e o sacerdócio geral dos cristãos. Mas todo cristão pode e deve confessar Cristo. Em casa. No trabalho. Na escola. Na vizinhança. Na família.
Nossa vida deve refletir aquilo que cremos. As boas obras não salvam. Mas demonstram a fé que salva. Lutero dizia que a fé verdadeira é viva e ativa. Uma árvore boa produz frutos bons. Os frutos não criam a árvore. Mas mostram que ela está viva. Da mesma forma, a fé produz amor. Produz serviço. Produz testemunho. Produz santificação. Assim, aquilo que ouvimos no púlpito deve ser multiplicado em nossa vida diária.
Por isso devemos nos perguntar hoje: Tenho ouvido atentamente a Palavra de Deus? Reconheço meus pecados quando a Lei me confronta? Tenho buscado arrependimento sincero? Tenho encontrado conforto no Evangelho? Tenho vivido como alguém que pertence a Cristo? Tenho apoiado e valorizado o ministério da Palavra? Tenho testemunhado de Jesus em minha vida diária?
O mundo continua cheio de ovelhas sem pastor. Pessoas perdidas. Feridas. Confusas. Sem esperança. E Cristo continua enviando sua Palavra. Primeiro por meio dos pastores chamados para ensinar fielmente a Lei e o Evangelho. Depois por meio dos cristãos que levam essa mensagem ao mundo através de sua vida e testemunho.
Meus irmãos, o Salmo 100 nos convida: “Louvem a Deus, o Senhor, com alegria; venham todos os povos e o adorem com canções.” (Sl 100.1 – NTLH). Por que podemos adorá-lo com alegria? Pois: “não somos mais ovelhas perdidas. Temos Pastor. Temos Salvador. Temos Redentor. Cristo viu nossa miséria. Cristo carregou nosso pecado. Cristo morreu por nós. Cristo ressuscitou por nós. E continua vindo até nós por meio da Palavra pregada. Por isso Deus instituiu o ministério pastoral. Para que a Lei produza contrição. Para que o Evangelho produza fé. Para que o Espírito Santo produza salvação. E para que pecadores sejam conduzidos ao Bom Pastor. Que Deus preserve entre nós a fiel pregação da Lei e do Evangelho. Que fortaleça seus servos chamados. E que todos nós, alimentados pela Palavra, vivamos e anunciemos Cristo até o dia em que estaremos reunidos no grande rebanho eterno diante do trono do Cordeiro. Amém.
A MISSÃO DO MINISTÉRIO PASTORAL É LEVAR CRISTO AOS PECADORES POR MEIO DA PALAVRA, PARA QUE O ESPÍRITO SANTO OPERE ARREPENDIMENTO, FÉ E SALVAÇÃO
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique

