27/05/2019 às 12h00min - Atualizada em 27/05/2019 às 12h00min

Com apoio do governo, retirada de mastro marca retomada do Ciclo do Marabaixo 2019

Calendário festivo se encerrou neste domingo, 26, com as caixas rufando em três barracões

Portal Amapá
Festeiros do Ciclo do Marabaixo carregam o mastro retirado das matas do Curiaú. (Gabriel Penha/Seafro)

A retirada dos mastros nas matas da comunidade quilombola do Curiaú, na manhã deste sábado, 25, marcou a retomada da programação do Ciclo do Marabaixo 2019. O momento reuniu as quatro associações da área urbana de Macapá: Berço do Marabaixo, Marabaixo do Pavão, Dica Congó e Raimundo Ladislau.

As comitivas dos festeiros chegaram por volta de 9h30min ao Curiaú. No local escolhido, embrenharam-se na mata para escolha e corte da madeira a ser usada para o mastro. Mas, a cada árvore derrubada uma nova muda é plantada, para que a floresta se renove.

 

“Essa atitude [plantar mudas] faz parte de uma conscientização ambiental que as famílias que realizam o Ciclo do Marabaixo vêm adotando. Temos que manter a cultura, a tradição, mas com respeito ao meio ambiente”, diz Valdinete Costa, representante do grupo Berço do Marabaixo.

Ainda pela manhã, os festeiros seguiram para a Casa de Forno, no Curiaú. Por lá, as caixas rufaram em comemoração. Foi servido almoço para todos os presentes. No final da tarde, o toque das caixas e o rodar das saias deram a tônica das festividades, no Barracão Gertrudes Saturnino (Berço do Marabaixo), no bairro Santa Rita.

 

A programação se encerrou neste domingo, 26, a partir das 17h, com muito marabaixo nos barracões dos grupos Raimundo Ladislau (bairro do Laguinho), Marabaixo do Pavão (Jesus de Nazaré) e Dica Congó (Centro). A festa do chamado Domingo do Mastro vai até por volta de meia-noite.

Tradição

Os mastros são retirados anualmente das matas do Curiaú. Depois de cortados são pintados com as cores vermelho e branco (Divino Espírito Santo) e azul e branco (Santíssima Trindade). Dentro da tradição, carregam as bandeiras.

Depois de pintados, são enfeitados com a murta, uma erva aromática. Quando levantados, simbolizam a conclusão da realização das homenagens.

 

Patrimônio

O marabaixo foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em novembro de 2018. Para a realização do ciclo deste ano houve um investimento de R$ 130 mil, divididos igualmente entre os grupos realizadores.

Marcados pelo culto ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade, os festejos seguem até o chamado Domingo do Senhor, primeiro domingo após a celebração de Corpus Christi, este ano, no dia 23 de junho. Na extensa programação, ainda constam missas, ladainhas, retirada dos mastros pelos grupos, bailes e jantares e demais rituais que se encerram com as derrubadas dos mastros.


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