13/06/2019 às 16h00min - Atualizada em 12/06/2019 às 16h00min

Sinfonia da Cura

Música estimula o cérebro e ajuda pacientes a enfrentarem as dificuldades de um tratamento com mais bem-estar e alegria

Saúde Brasil
Da mesma forma que a música estimula o aprendizado e as funções cognitivas, ela também é capaz de liberar dopamina e influenciar na sensação de bem-estar. (Saúde Brasil)
O premiado documentário Alive inside: a story of music and memory (Vivo por dentro: uma história de música e memória), lançado em 2014, traz histórias como a de Henry, um paciente debilitado pela idade avançada e por problemas neurológicos que afetam sua memória e sua cognição. Retraído, ele não se lembra da própria filha e tem dificuldades de se comunicar, até que resgata uma antiga paixão: a música. Depois de ouvir uma canção pelos fones de ouvido, Henry se transforma em um homem falante, capaz de citar até seu cantor favorito. Essa reação, similar à de tantos outros pacientes retratados no filme, demonstra os benefícios reais da musicoterapia, técnica de tratamento auxiliar por meio da música que pode revolucionar o tratamento de diversas enfermidades, colaborar para a melhoria de diversos sintomas e para a promoção da qualidade de vida.

Segundo o Dr. Leandro Gama, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a música estimula o cérebro de três maneiras diferentes: pela percepção musical – da melodia e da letra –, pelo reconhecimento e pela emoção. Esses estímulos têm efeito interessante em pacientes que sofrem com problemas que vão desde Alzheimer até hiperatividade. “Os benefícios da exposição à música são alvo de estudos com indivíduos de vários perfis e idades”, diz o Dr. Leandro. “Uma das teorias mais conhecidas sobre o assunto é o efeito Mozart, que mostra como crianças que ouviam música clássica quando recém-nascidas apresentam desempenho escolar melhor que as outras.”

Da mesma forma que a música estimula o aprendizado e as funções cognitivas, ela também é capaz de liberar dopamina e influenciar na sensação de bem-estar – o que tem efeito direto no tratamento de problemas como Parkinson e epilepsia, caracterizados pela deficiência dessa substância. “No caso de pessoas que sofreram lesões cerebrais, a música ainda ajuda a recuperar a capacidade de se comunicar”, explica o neurologista.

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