25/04/2019 às 19h30min - Atualizada em 25/04/2019 às 19h30min

Seminário debate educação, saúde e políticas públicas para indígenas

Os povos indígenas têm direito a uma educação escolar específica, diferenciada, intercultural, bilíngue/multilíngue e comunitária.

Agência Pará
VIII Seminário do Grupo de Estudos Indígenas da Amazônia segue até sexta (26) no auditório da Reitoria da Uepa. (Agência Pará)
"Vivemos um momento político que limita cada vez mais os direitos indígenas, por isso a importância de colocar os parentes como produtores de conhecimento na universidade, para que respeitem nossa tradição, nossa cultura". Com essas palavras, o professor indígena Tiapé Suruí, egresso da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena da Uepa, iniciou o debate do VIII Seminário do Grupo de Estudos Indígenas da Amazônia, realizado nesta quinta-feira (25), com programação que segue até amanhã (26) no auditório da Reitoria da Universidade do Estado do Pará (Uepa).


A mesa redonda desta manhã, intitulada"Intelectuais Indígenas: protagonistas na produção do conhecimento científico", foi composta pelos professores e alunos indígenas Murué Suruí, Tiapé Suruí, Concimar Sompré e Nivaldo Tembé, que dividiram experiências sobre ensino superior com pesquisadores e alunos da área.

Os povos indígenas têm direito a uma educação escolar específica, diferenciada, intercultural, bilíngue/multilíngue e comunitária, conforme define a legislação nacional que fundamenta a educação escolar indígena. Seguindo o regime de colaboração, posto pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a coordenação nacional dessas políticas é de competência do Ministério da Educação (MEC), cabendo aos estados e municípios a execução para a garantia deste direito dos povos indígenas.

A professora Murué Suruí, também egressa da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena da Uepa, defendeu a adequação das instituições de ensino superior à realidade dos povos. "Acho importante mostrar nosso lado como aluno indígena, nossos saberes, nossos conhecimentos em relação à universidade. Como aluna, foi muito importante, por exemplo, o respeito da Uepa em ir até nosso povo, e podermos fazer essa troca de conhecimentos no próprio lugar em que moramos", afirmou.

Migração – Um painel para discutir a migração Warao no Estado é uma das novidades do VIII Seminário Grupo de Estudos Indígenas da Amazônia (GEIA). O encontro com representantes de instituições correlatas ocorre às 16h desta quinta-feira e contará com a presença do Procurador da República, Felipe de Moura Palha e Silva, além das professoras Adriana Silva e Júlia Cleide de Miranda.

Para a professora Joelma Alencar, líder do Grupo de Estudos e coordenadora do Núcleo de Formação Indígena (Nufi) da Uepa, a importância do evento está na visibilidade da questão indígena frente aos desafios da educação intercultural. "O seminário possibilita a cada ano a socialização e a visibilidade da produção e do conhecimento nas temáticas indígenas desenvolvidas pelo grupo, além de potencializar a formação dos pesquisadores de povos indígenas", defende.

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